Relatório sobre abusos sexuais em Colónia acusa dois bispos e mais 200 pessoas, mas iliba cardeal

 | 19 Mar 21

Na Foto: O cardeal Woelki recebe o relatório das mãos de Bjoern Gercke e Kerstin Stirner, dois dos responsáveis pela investigação e pelo relatório sobre os abusos.               / © Erzbistum Köln /Boecker.

 

“Encobrimento sistemático” de crimes de abusos sexuais por membros do clero e leigos da arquidiocese de Colónia (Alemanha), entre 1975 e 2018, revelados esta quinta-feira, levaram o arcebispo, cardeal Rainer Maria Woelki a suspender o seu bispo auxiliar e o presidente do tribunal eclesiástico.

Em consequência, também o arcebispo de Hamburgo, envolvido no processo, anunciou a intenção de solicitar ao Papa a sua resignação, com efeitos imediatos.

O relatório agora tornado público em conferência de imprensa, foi há dois anos encomendado pelo cardeal Woelki, que sai ilibado de responsabilidades diretas nos casos analisados.

  • O documento foi apresentado por Björn Gercke, advogado de Colónia,
  • depois de o cardeal Woelki se ter recusado a publicar os resultados de uma investigação anterior realizada por um escritório de advocacia com sede em Munique.

Segundo o advogado, o trabalho realizado pretendeu analisar

  • não tanto o que os abusadores fizeram às vítimas,
  • mas apurar responsabilidades dos responsáveis diocesanos.

A sua investigação incidiu sobre os casos de

  • 314 vítimas de abuso – a maioria delas, crianças com menos de 14 anos na época do abuso –
  • e 202 pessoas acusadas de abuso, a partir de documentação da diocese de Colónia.

Se Woelki sai ilibado,

  • o mesmo não acontece com o seu antecessor no cargo, o cardeal Joachim Meisner, que resignou em 2014 e morreu em 2017, e que aparece acusado de mais de 20 atos ilícitos,
  • como não acompanhar ou relatar casos de abuso, não sancionar os perpetradores ou não cuidar das vítimas.

No seu conjunto,

  • o relatório identificou 75 casos nos quais oito responsáveis diocesanos de alto escalão
  • foram considerados negligentes nos seus deveres de acompanhar, transmitir informação ou sancionar casos de alegados abusos cometidos por clérigos e funcionários leigos da Igreja,
  • e de não terem cuidado das vítimas.

Envolvido surge também o atual arcebispo de Hamburgo, Stefan Hesse – em tempos um alto responsável da Igreja em Colónia – que foi acusado de 11 casos de negligência nos seus deveres pastorais.

Numa declaração difundida depois da apresentação do relatório, este membro do episcopado alemão

  • recusou ter encoberto casos de abusos,
  • mas admitiu ter cometido “erros”
  • e ter sido, “por ação ou omissão”, causa de sofrimento para as vítimas ou seus familiares.
  • Disse-se, por outro lado, “preparado para assumir [a sua] parte da responsabilidade pela falha do sistema.”

E é nessa lógica que,

  • “para evitar danos ao cargo de arcebispo e à arquidiocese de Hamburgo”,
  • oferece a sua renúncia ao Papa Francisco, pedindo-lhe que o liberte de funções “imediatamente”.

 

Apresentação do relatório sobre os abusos na diocese de Colónia. Foto © Erzbistum Koln /Boecker

“Profundamente afetado”

O cardeal Woelki, por seu lado, comentou este panorama agora posto a nu, observando que

  • vários responsáveis e antecessores seus encobriram e não deram seguimento a situações com as quais não podiam ser negligentes
  • e que, “a partir de agora, não é mais possível dizer que não sabíamos”.

“Estou profundamente afetado porque

  • os clérigos foram culpados de infligir violência às pessoas que lhes foram confiadas,
  • em muitos casos sem serem punidos por isso
  • e – pior ainda – sem que as pessoas afetadas por esses abusos tenham sido levadas a sério e protegidas. 
  • Isso é [uma forma de] encobrimento”, observou o arcebispo, acrescentando que
  • “uma primeira promessa foi finalmente cumprida: esclarecer os encobrimentos e lançar luz sobre quem foi o responsável”.

Muitos católicos e meios de comunicação social de Colónia, incluindo da Igreja, manifestaram irritação com hesitações e decisões tomadas neste processo pelo cardeal.

Apesar de tudo, importa dizer que

  • uma primeira investigação sobre os abusos
  • também concluiu pela não imputabilidade de casos de encobrimento ou negligência de Woelki.

No mês passado, o presidente da Conferência Episcopal Alemã, o bispo de Limburgo, Georg Bätzing, tinha classificado

  • a gestão da crise dos abusos e da própria publicação dos resultados da investigação realizada na diocese de Colónia como um “desastre”.
  • Os dados agora tornados públicos confirmam essa visão.

A diocese de Colónia, com 1,9 milhões de católicos, é a mais populosa de toda a Alemanha em número de fiéis.

O relatório, intitulado “Pesquisa independente sobre a gestão da violência sexual na Arquidiocese de Colónia”,com mais de 900 páginas, está disponível apenas em alemão, no site da diocese.

O cardeal, que só hoje teve acesso ao seu teor, fará uma nova conferência de imprensa na próxima semana, para abordar aspetos e consequências que a sua leitura irá sugerir.

 

7Margens

Fonte: https://setemargens.com/relatorio-sobre-abusos-sexuais-em-colonia-acusa-dois-bispos-e-mais-200-pessoas-mas-iliba-cardeal/

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Comunicado, Arquidiocese de Colônia – 18/03/2021 de 

Os Especialistas em Direito Penal de Colônia, Prof. Dr. Björn Gercke e Dra. Kerstin Stirner, apresentaram hoje em uma coletiva de imprensa a

“Pesquisa Independente sobre a Gestão da Violência Sexual na Arquidiocese de Colônia”,
encomendada pelo Arcebispo de Colônia, Cardeal Rainer Maria Woelki, o relatório cobre o período de 1975 a 2018 e examina detalhadamente 236 processos com o objetivo de identificar, da forma mais concreta possível, eventuais lacunas e violações da lei, bem como seus responsáveis.
Em uma primeira reação, o Cardeal Woelki dispensou temporariamente de suas funções as pessoas nomeadas no processo: o Bispo Auxiliar Dr. Dominikus Schwaderlapp e o oficial Dr. Günter Assenmacher.
O Cardeal Woelki declarou repetidamente que
  • sempre se preocupou principalmente em esclarecer
  • e – na medida do possível – fazer justiça às vítimas de abuso sexual.

Após a apresentação do relatório pelos advogados, o cardeal recebeu cópia do relatório. Os especialistas entregaram outro a Peter Bringmann-Henselder do Conselho Consultivo para Vítimas de Abuso Sexual da Arquidiocese, que comentou:

“Tivemos que esperar muito, muito tempo como vítimas, por este importante esclarecimento. Mas hoje estou feliz que pelo menos este primeiro promessa foi mantida “.

Após a entrega do relatório, o Cardeal Woelki comentou os resultados apresentados a seguir:

  • “Os incidentes e eventos mencionados pelo Professor Gercke me afetam profundamente.
  • Os clérigos foram culpados de infligir violência às pessoas que lhes foram confiadas.
  • E em muitos casos sem ser punido por isso e – pior ainda – sem que as pessoas afetadas por esses abusos sejam levadas a sério e protegidas.  Isso é [uma forma de] encobrimento. […]
  • Mas uma primeira promessa foi finalmente cumprida: descobrir o que foi e o que é. Para esclarecer os encobrimentos e lançar luz sobre quem foi o responsável ”.

As publicações foram feitas com base nas avaliações e avaliações resumidas pelo Prof. Gercke. Discussões pessoais seguirão nos próximos dias para esclarecer as consequências do relacionamento para os gerentes indicados.

Na coletiva de imprensa, o professor Gercke apresentou a metodologia e a estrutura do relatório de 800 páginas. Sua avaliação da gestão dos casos de abusos na Arquidiocese de Colônia neste período:

“Encontramos um sistema de

  • falta de responsabilização,
  • falta de clareza jurídica,
  • falta de controle
  • e falta de transparência,
  • que em qualquer caso favorecia o sigilo
  • e no qual muitos partidos estiveram envolvidos, mesmo fora da Arquidiocese de Colônia.

Consequentemente, não se deve falar de “encobrimento sistemático” pelos dirigentes da Arquidiocese de Colônia, mas de “encobrimento vinculado ao sistema ou inerente ao sistema”

Os membros do comitê consultivo foram os primeiros a receber o relatório.
O relatório está disponível ao público na íntegra no site da arquidiocese: (link)

No dia 23 de março, após a leitura e avaliação do relatório, haverá uma segunda coletiva de imprensa em que serão apresentadas outras consequências, especialmente na área de Reavaliação, intervenção e prevenção.

Posteriormente, o Cardeal Woelki, que recebeu o relatório hoje, poderá comentar com mais detalhes o conteúdo e as consequências do relatório, juntamente com seu Vigário Geral, Dom Markus Hofmann.

Esse procedimento já foi acordado quando o relatório foi encomendado, a fim de evitar influências e conflitos de interesse. Um convite para a conferência de imprensa em 23 de março será entregue separadamente.

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  • Aqui você encontra uma primeira curta entrevista da Agência Católica de Notícias com o Cardeal Woelki:(link)
  • Aqui você pode baixar algumas fotos para usar em publicações (gratuitas): (link)

 

 

Fonte: https://ilsismografo.blogspot.com/2021/03/germania-il-cardinale-woelki-solleva.html

 

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