CUBA: Centenas de católicos criticam o regime e dizem que o país “precisa de mudanças políticas”

 

Cuba

PA| Departamento de Informação da Fundação AIS   –  08 /02/2021 – Foto: ACN Portugal / Daqui 

Carta faz retrato pesado do quotidiano em Cuba

 

É um documento muito duro. Centenas de católicos cubanos, entre os quais muitos sacerdotes, mas também opositores do regime, lançaram uma carta aberta muito crítica face às autoridades de Havana exigindo mudanças políticas.

O documento foi conhecido a 24 de Janeiro mas tem vindo a recolher apoios na sociedade cubana e na segunda-feira, dia 1 de Fevereiro, chegou mesmo a ser assinado por mais de 700 pessoas.

“Vivemos o colapso de um modelo económico, político e social”,

pode ler-se no documento que foi enviado também para a Fundação AIS.

“Cuba precisa de mudanças políticas. Precisamos superar o autoritarismo”, dizem os autores da carta aberta, reclamando o sonho de uma “República onde a plena dignidade de cada homem e mulher seja respeitada”.

Para os subscritores da carta aberta, o sistema político, em vigor desde a revolução comunista no final dos anos 1950, já não é passível de reforma por se basear

“numa filosofia que ignora a verdade sobre o que dá sentido pleno ao ser humano”.

Por isso, lê-se no documento, este sistema “tem sido incapaz de evoluir”.

Neste apelo público

  • faz-se um retrato pesado da vida quotidiana em Cuba,
  • lamentando-se a difícil situação económica em que se encontram as famílias,
  • em que o trabalho já não permite, muitas vezes, a superação da pobreza.

Os cubanos vivem

“sob a constante ameaça de escassez, de preços praticamente proibitivos”.

Uma realidade que promove a corrupção.

“A quase impossibilidade de se viver sem haver o envolvimento em algo ilegal torna o mercado negro num aliado indispensável para a sobrevivência e cria um ambiente dominado por roubos, subornos e até chantagens”, continua o apelo.

“A atmosfera do ‘cada um por si’, onde vale tudo, mostra uma corrupção que atravessa quase todas as camadas sociais.”

Os subscritores da carta aberta falam também num “controle excessivo” por parte do Estado, um sentimento de vigilância que atinge o cidadão comum e que provoca o medo.

“Soma-se a isso a sensação de estarmos constantemente a ser espiados”.

Às vezes, pode ler-se no texto,

“mesmo sem qualquer culpa, uma pessoa pode sentir medo devido ao controle excessivo dos órgãos da Segurança do Estado” que entram “até mesmo na vida estritamente pessoal dos indivíduos”.

Esta situação está a causar dano até nas próprias famílias.

  • A emigração, como “único meio de melhorar a qualidade de vida das pessoas”,
  • provoca “a separação dos membros da família”.

Esta é uma das consequências da

“frustração económica e da exaustiva luta diária pela sobrevivência”.

Na carta aberta diz-se ainda que esta realidade tem provocado danos até ao nível moral. Não raro, diz o texto,

“o anúncio de um bebé, que deveria ser motivo de esperança e de alegria, torna-se causa de incerteza e preocupação, e termina em aborto”.

No documento pede-se mais diálogo, o

  • “reconhecimento da plena cidadania dos cubanos que residem no exterior”, e “a escolha da verdade”.
  • “Viver na verdade às vezes tem um preço elevado, mas torna-nos interiormente livres, além de qualquer coerção externa.
  • Viver na mentira é viver acorrentado…”

O texto reconhece que “é tempo, como povo, de regressar a Deus”.

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A Fundação AIS apoia diversos projectos pastorais na ilha de Cuba procurando auxiliar a Igreja Católica a cumprir a sua difícil missão neste país do continente americano.

PA| Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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