• Primeiramente, há uma certa ingenuidade em apostar que um novo programa de transferência de renda, mais eficiente do que os anteriores,
  • será criado a toque de caixa dentro de gabinetes fechados de um ministério da economia ultraliberal.

O Bolsa Família evoluiu muito gradualmente, com tentativas e erros. O governo Lula começou tateando com o Fome Zero, que havia sido sua bandeira de campanha. Ao longo do seu primeiro ano, a iniciativa não andou bem e acabou cedendo lugar ao que veio a ser o Bolsa Família – um programa de transferência condicionada de renda com foco no alívio de pobreza.

A cobertura do Bolsa Família cresceu gradualmente
  • a partir de quase 4 milhões de famílias originalmente beneficiadas por programas anteriores herdados do governo FHC
  • para 11 milhões em 2006 e mais de 13 milhões em 2010.

Além desse gradualismo, não se pode perder de vista que o Bolsa Família foi o motor de um importante processo de institucionalização do sistema de assistência social brasileiro.

  • A estruturação do CadÚnico (Cadastro Único)
  • bem como a criação e fortalecimento do (então) Ministério de Desenvolvimento Social
  • possibilitou a racionalização e organização de diversos outros programas sociais do governo federal.

A burocracia em torno do Bolsa Família foi um pilar importante dos governos petistas e contribuiu para um programa que sempre foi considerado, em diversas avaliações, eficiente e programático (ou seja, não assistencialista nem clientelista).

O Bolsa Família, em suma, não foi um puxadinho.
  • Todo o movimento do governo Bolsonaro ao longo de seu primeiro ano foi na direção de enfraquecer o Bolsa Família e sua burocracia,
  • e o benefício emergencial só surgiu por um acidente histórico.