Personalidades francesas vão se se encontrar com o Papa Francisco em torno de Laudato si’

ECOLOGIA

 Manuel Romano / NurPhoto / NurPhoto via AFP

Marie-Lucile Kubacki – 20/08/2020 – Manuel Romano / NurPhoto / NurPhoto via AFP

Um grupo de quinze personalidades do mundo eclesial e ecológico, entre as quais a atriz Juliette Binoche, deve ir ao Vaticano no dia 3 de setembro para se encontrar com o Papa Francisco. Uma forma de unirem as suas forças, com a esperança de fazer avançar as linhas.

 

No dia 3 de setembro, uma comitiva excepcional irá, de trem e depois de ônibus, ao Vaticano para se encontrar com o Papa Francisco. Entre os integrantes do grupo, personalidades do mundo da ecologia,

 

Foto: amazon.comComment tout peut s'effondrer: Petit manuel de collapsologie à l ...

  • ativistas como Pablo Servigne, especialista em colapsologia1 e co-autor de Comment tout peut s’effondrer : petit manuel de collapsologie à l’usage des générations presentes [Como tudo pode desmoronar: pequeno manual de colapsologia para o uso das gerações presentes] (co-autoria de Raphaël Stevens, Seuil, 2015),
  • Valérie Cabanès, jurista empenhada no reconhecimento de um “ecocídio” – um ponto sobre o qual o Papa Francisco também tomou posição publicamente, em novembro passado, num discurso aos participantes do XX Congresso da Associação Internacional de Direito Penal –
  • e ainda a atriz Juliette Binoche , que tinha assinado com outras personalidades em plena crise do Covid-19 uma declaração no jornal Le Monde para convidar lideranças e cidadãos a trabalharem juntos por uma profunda reforma dos objetivos, dos valores e das economias.

 

Uma pequena revolução silenciosa

“A ideia”, explica Raphaël Cornu-Thénard, uma figura-chave do projeto, arquiteto e fundador de Anuncio e de Congrès Mission,

  • é de fazer uma ponte entre a Igreja e o mundo secular,
  • para criar mais vínculos entre movimentos ecológicos não católicos e a Igreja.

Um dos grandes pontos fortes deste ‘road trip’ verde é a diversidade dos perfis. Católicos e não católicos, homens e mulheres, todos sensíveis às questões ambientais, mas de formas diferentes.

 

Além das personalidades mencionadas anteriormente, o grupo de umas quinze pessoas inclui também

  • Éric de Moulins-Beaufort, arcebispo de Reims e presidente da Conferência dos bispos da França;
  • Laurent Landete, diretor geral delegado do Collège des Bernardins;
  • Gaël Giraud, diretor de pesquisa do CNRS2 e sacerdote jesuíta;
  • Elena Lasida, professora do Instituto Católico de Paris (ICP) e doutora em ciências econômicas e sociais;
  • Xavier Houot, diretor ambiental de uma grande empresa;
  • Aurélien Gonthier, jovem agricultor no Loiret;
  • Damien Nodé-Langlois, professor de SVT3, apicultor – trabalha na Proteção jurídica dos jovens, assim como
  • Maxime e Elena de Rostolan, empreendedores ecologistas, na área de agroecologia e permacultura.

A história desta louca epopeia começa cinco anos após a publicação de Laudato si’.

 

LIVRO CARTA ENCICLICA DO SUMO PONTIFICE: LAUDATO SI LOUVADO SEJAS - 1ªED.(2015)

Foto: Daqui

Em novembro de 2019,

  • a assembleia plenária dos bispos em Lourdes decidiu, sob a batuta do seu novo presidente, Éric de Moulins-Beaufort,
  • iniciar os seus trabalhos com um dia e meio de trabalho sobre a ecologia.
  • Cada bispo foi encorajado a convidar dois leigos sensíveis à noção de ecologia integral.

O encontro foi um sucesso e outras edições já estão previstas. Sem fazer barulho, ocorreu uma pequena revolução. Durante várias horas, os bispos ouviram testemunhos, deixaram-se interpelar.

A fórmula convenceu Raphaël Cornu-Thénard, Laurent Landete e Éric de Moulins-Beaufort a prolongar a experiência com uma viagem a Roma, para encontrar o Papa Francisco.

“Participámos de vários encontros de lideranças ecologistas e, a cada vez, nós sentíamos uma atenção especial para com o Santo Padre pelo trabalho que ele desenvolvia a respeito da ecologia”, relata Raphaël Cornu-Thénard.

O objetivo é perguntar ao Papa como avalia a recepção deste grande texto que é o Laudato si ‘.                         – Gaël Giraud, jesuíta, diretor de pesquisa do CNRS

Qual é o objetivo deste encontro?

“Cada um terá um algum tempo para falar, depois provavelmente haverá perguntas”,

responde Raphaël Cornu-Thénard, que não quer definir exatamente como será para permitir que o intercâmbio se desenrole o mais livremente possível.

  • “O objetivo, responde Gaël Giraud, é perguntar ao Papa Francisco como ele avalia a recepção deste texto maior que é Laudato si’;
  • sendo que na minha opinião, paradoxalmente, ele talvez seja recebido melhor nos círculos não católicos do que nos círculos católicos.
  • Para mim, esta encíclica é o documento mais importante da Igreja desde o Concílio Vaticano II e implica uma reviravolta: mesmo sendo plenamente fiel à tradição cristã, ela revela e explicita opções muito fortes dentro desta, em relação à Criação, às outras religiões, ao diálogo ecumênico… ”

E Gaël Giraud prossegue: O segundo ponto é que aqueles que estarão lá, e que não são necessariamente cristãos, possam dizer como recebem a encíclica”.

Por fim, conclui o padre jesuíta,

“Eu gostaria de perguntar a ele o que é que ele esperaria de um grupo como o nosso, onde há homens, mulheres, clérigos e leigos, pessoas que são comprometidas com a Igreja e pessoas que não o são… porque esta composição é fiel a certo estado de espírito da encíclica! ”.

Nós nos pomos em movimento juntos, criamos laços, à semelhança do tudo está ligado de Laudato si’.      Elena Lasida, economista, professora do Instituto católico de Paris

Com efeito, se o caminho leva a Roma, o sentido da viagem está ligado tanto ao ponto de chegada como ao caminho.

  • “O que é interessante nesta fórmula, comenta Elena Lasida, não é apenas o fato de encontrar o Papa, mas tudo o que isso gera de encontros do grupo.
  • Nada nos chamava a nos reunirmos e a fazermos algo juntos, principalmente uma viagem, e nós vamos fazê-la.
  • Isso é improvável e é muito bonito, porque é exatamente o que há por trás da ecologia integral, na minha opinião, que é, no fundo, um deslocamento, um descentramento, um convite a sair.
  • Na verdade, nós nos pomos em movimento juntos, nós criamos vínculos, à semelhança do tudo está ligado de Laudato si’, com a ideia de que hoje há espaço para fazer algo novo”.

Para cada um dos membros, o papa representa alguém diferente, mas ele soa para todos como portador de um apelo ousado e de uma esperança.

“Fazer esta viagem no contexto do Covid-19 não é banal, continua o economista, porque nós vimos que a pandemia veio confirmar por um lado o prognóstico de crise e, por outro, o facto de que se quiséssemos, nós seríamos capazes de tomar decisões políticas que poderiam fazer mudar as coisas, como o fizemos durante o confinamento. Antes, nos tínhamos a impressão de estarmos num rolo compressor e de não podermos fazer nada, e com a pandemia vislumbrámos que podíamos agir, ou, como diria o Papa, que um outro mundo era possível” .

 

Uma iniciativa extensiva a outros países

Esta iniciativa que vê personalidades do mundo eclesial e ecológico tentando unir as forças, está sendo adotada também em outros países. Gaël Giraud, por exemplo, acaba de ser recrutado como professor pela universidade de Georgetown em Washington (Estados Unidos) para criar e administrar um centro de justiça ambiental.

“Neste centro”, explica o jesuíta, que foi economista-chefe da Agência Francesa de Desenvolvimento de 2015 a 2019, “vamos fazer pesquisas interdisciplinares com clérigos, leigos, universitários e ativistas ambientais, mas também dar assessoria aos governos e manter muito diálogo sobre políticas públicas com os países do sul, completamente desamparados em termos de questões ecológicas”.

Convencido de que a sociedade sofre muito com o trabalho ‘solo’,

ele quer montar uma plataforma onde todos, políticos, filósofos, economistas, possam trabalhar juntos.

Vários grandes nomes já concordaram em se juntar a ele, como

  • o economista franco-togolês e ex-ministro da Prospectiva do Togo, Kako Nubukpo,
  • o professor sul-africano Mark Swilling, fundador do campus ecológico de Stellenbosch, na África do Sul,
  • mas também estrelas em ascensão nas pessoas de cinco jovens pós-doutorandos.

Antes mesmo da abertura do seu centro, Gaël Giraud já tinha sido contatado por dois governos.

 

Marie-Lucile KUBACKI (Osservatore Romano - Donne Chiesa Mondo ....

 

Marfie-Lucile Kubacki

Fonte: http://www.lavie.fr/actualite/ecologie/des-personnalites-francaises-vont-rencontrer-le-pape-francois-autour-de-laudato-si-20-08-2020-108258_8.php

 

Notas:

1 – Colapsologia – neologismo usado para designar o estudo transdisciplinar dos riscos de colapso de nossa civilização industrial. Embora o conceito de colapso social ou civilizacional já exista há muitos anos, a colapsologia concentra sua atenção na nossa sociedade contemporânea, industrial e globalizada.(Fonte: Wikipedia)
2 – CNRS – Centre National de la Recherche Scientifique (Centro Nacional de Pesquisa Científica).
3 – SVT – Sciences de la Vie et de la Terre – Ciências da Vida e da Terra.

 

Écologie

Des personnalités françaises vont rencontrer le pape François autour de Laudato si’

 Manuel Romano / NurPhoto / NurPhoto via AFP

Manuel Romano / NurPhoto / NurPhoto via AFP

Un groupe d’une quinzaine personnalités du monde ecclésial et écologique, dont l’actrice Juliette Binoche, doit se rendre au Vatican le 3 septembre pour y rencontrer le pape François. Une manière d’unir leurs forces, avec l’espoir de faire bouger les lignes.

Le 3 septembre, c’est un convoi assez exceptionnel qui se rendra au Vatican pour rencontrer le pape François, en train, puis en bus. Parmi eux, des personnalités du monde de l’écologie, militants comme Pablo Servigne, spécialiste de collapsologie et coauteur de Comment tout peut s’effondrer : petit manuel de collapsologie à l’usage des générations présentes (avec Raphaël Stevens, Seuil, 2015), Valérie Cabanès, juriste engagée pour la reconnaissance d’un « écocide » – un point sur lequel le pape François a lui aussi publiquement pris position, en novembre dernier, dans un discours devant les participants au XXe congrès de l’Association internationale de Droit pénal – ou encore l’actrice Juliette Binoche – elle avait signé avec d’autres personnalités en pleine crise du Covid-19 une tribune dans Le Monde pour appeler dirigeants et citoyens à travailler de concert à une réforme profonde des objectifs, des valeurs et des économies.

Laudato si’, une boussole pour l’après-Covid ?

Une petite révolution silencieuse

« L’idée, explique Raphaël Cornu-Thénard, une des chevilles ouvrières du projet, architecte et fondateur d’Anuncio et du Congrès Mission, est de faire une passerelle entre l’Église et le monde profane, pour créer plus de liens entre des mouvements écolos non catholiques et l’Église. » Un des grands points forts de ce road-trip vert est la diversité des profils. Catholiques et non-catholiques, hommes et femmes, tous sensibles aux problématiques environnementales, mais diversement engagés.

Bruno-Marie Duffé : “Il y a un phénomène Laudato si’ dans l’opinion publique“

Outre les personnalités précédemment citées, le groupe d’une quinzaine de personnes compte aussi Éric de Moulins-Beaufort, archevêque de Reims et président de la Conférence des évêques de France, Laurent Landete, directeur général délégué du Collège des Bernardins, Gaël Giraud, directeur de recherche au CNRS et prêtre jésuite, Elena Lasida, professeure à l’Institut catholique de Paris (ICP) et docteure en sciences économiques et sociales, Xavier Houot, directeur environnement d’une grosse société, Aurélien Gonthier, jeune agriculteur dans le Loiret, Damien Nodé-Langlois, professeur de SVT, apiculteur – il travaille à la Protection judiciaire des jeunes, ainsi que Maxime et Elena de Rostolan, entrepreneurs écologistes, dans le domaine de l’agroécologie et de la permaculture.

L’histoire de cette folle épopée commence cinq ans après la publication de Laudato si’. En novembre 2019, l’assemblée plénière des évêques de Lourdes décide, sous la houlette de son nouveau président, Éric de Moulins-Beaufort, de commencer ses travaux par un jour et demi de travail sur l’écologie. Chaque évêque est encouragé à inviter deux laïcs sensibles à la notion d’écologie intégrale. Le rendez-vous est une réussite, et d’autres éditions sont prévues. Sans faire de bruit, une petite révolution se produit. Pendant plusieurs heures, les évêques écoutent des témoignages, se laissent interpeller. La formule convainc Raphaël Cornu-Thénard, Laurent Landete et Éric de Moulins-Beaufort de prolonger l’expérience par un voyage à Rome, pour rencontrer le pape François. « Nous avons participé à plusieurs rencontres de leaders écologistes et à chaque fois, nous sentions une attention particulière au Saint-Père pour le travail qu’il menait sur l’écologie », relate Raphaël Cornu-Thénard.

L’objectif est de demander au pape comment il évalue la réception de ce texte majeur qu’est Laudato si’. –
Gaël Giraud, jésuite, directeur de recherche au CNRS 

 

Quel est le but de cette rencontre ? « Chacun aura un petit temps d’intervention, ensuite il y aura probablement des demandes», répond Raphaël Cornu-Thénard, qui ne veut pas donner un cadre trop important afin de permettre à l’échange de se dérouler le plus librement possible. « L’objectif, répond Gaël Giraud, est de demander au pape François comment il évalue la réception de ce texte majeur qu’est Laudato si’, mon avis étant que paradoxalement, elle est peut-être mieux reçue dans les milieux non catholiques que dans les milieux catholiques. Pour moi, cette encyclique est le document d’Église le plus important depuis le concile Vatican II et elle implique un tournant : tout en étant pleinement fidèle à la tradition chrétienne, elle révèle et explicite des options très fortes à l’intérieur de celle-ci, dans le rapport à la Création, aux autres religions, au dialogue œcuménique… »

Gaël Giraud : “La pandémie a révélé notre vulnérabilité”

Et Gaël Giraud de poursuivre : « Le deuxième point est que ceux qui seront là, et qui ne sont pas forcément chrétiens, puissent dire comment ils reçoivent l’encyclique. » Enfin, conclut le prêtre jésuite, « j’aimerais lui demander ce qu’il attendrait d’un groupe comme le nôtre, où il y a des hommes, des femmes, des clercs et des laïcs, des gens engagés dans l’Église et des gens qui ne le sont pas… car cette composition est fidèle à un certain état d’esprit de l’encyclique ! »

Nous nous mettons en mouvement ensemble, nous créons des liens, à l’image du tout est lié de Laudato si’. – Elena Lasida, économiste, professeure à l’Institut catholique de Paris

En effet, si le chemin mène à Rome, le sens du voyage tient autant à son point d’arrivée qu’à la route. « Ce qui est intéressant dans cette formule, commente Elena Lasida, ce n’est pas seulement le fait de rencontrer le pape, mais tout ce que cela génère de rencontres dans le groupe. Rien ne nous appelait à nous retrouver et à faire quelque chose ensemble, particulièrement un voyage, et nous allons le faire. C’est improbable et c’est très beau, car c’est exactement ce qu’il y a derrière l’écologie intégrale, selon moi, qui est, au fond, un déplacement, un décentrement, une invitation à sortir. Pour de vrai, nous nous mettons en mouvement ensemble, nous créons des liens, à l’image du tout est lié de Laudato si’, avec l’idée qu’il y a aujourd’hui de la place pour faire du nouveau. »

Pour chacun des membres, le pape représente quelqu’un de différent, mais pour tous, il consonne comme porteur d’un appel audacieux et d’une espérance. « Faire ce voyage en contexte de Covid-19 n’est pas anodin, poursuit l’économiste, car nous avons vu que la pandémie est venue confirmer d’une part le pronostic de crise, et de l’autre, le fait que si nous voulions, nous étions capables de prendre des décisions politiques qui pouvaient faire changer les choses, comme nous l’avons fait pendant le confinement. Avant, nous avions l’impression d’être dans un rouleau compresseur et de ne pouvoir rien faire, et avec la pandémie nous avons entrevu que nous pouvions agir, ou, comme le dirait le pape, qu’un autre monde était possible. »

Brune Poirson : “Sans transcendance, pas de transition écologique”

Une démarche étendue à d’autres pays

Cette démarche qui voit des personnalités du monde ecclésial et écologique essayer d’unir leurs forces prend aussi dans d’autres pays. Gaël Giraud, qui a été économiste en chef de l’Agence française de développement de 2015 à 2019, vient par exemple d’être recruté comme professeur par l’université de Georgetown, à Washington (États-Unis) pour créer et diriger un centre de justice environnementale. « Dans ce centre, explique le jésuite, qui a été chef économiste de l’Agence française du développement de 2015 à 2019, nous allons faire de la recherche interdisciplinaire avec des clercs, des laïcs, des universitaires et des activistes écologistes, mais aussi du conseil auprès des gouvernements et beaucoup de dialogue de politiques publiques avec les pays du sud, complètement désemparés sur les questions écologiques. »

Convaincu que la société souffre beaucoup du travail en solo, il veut monter une plateforme où tous, politiques, philosophes, économistes, pourraient travailler ensemble. Plusieurs pointures ont déjà accepté de le rejoindre, comme l’économiste franco-togolais et ancien ministre de la Prospective du Togo, Kako Nubukpo, le professeur sud-africain Mark Swilling, fondateur du campus écologique de Stellenbosch, en Afrique du Sud, mais aussi des étoiles montantes en la personne de cinq jeunes post-doctorants. Avant même l’ouverture de son centre, Gaël Giraud a déjà été contacté par deux gouvernements.

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