Paróquias, transformar-se para evangelizar: Novo Documento do Vaticano

Celebração eucarística na Paróquia de São Pedro, em Porto Alegre
                          Isabella Piro/Mariangela Jaguraba – Vatican News – 20-07-20
 Foto: Celebração eucarística na Paróquia de São Pedro, em Porto Alegre 
Foi publicada a Instrução “A conversão pastoral da comunidade paroquial a serviço da missão evangelizadora da Igreja”, nesta segunda-feira (20/07), redigida pela Congregação para o Clero. Abordados os vários projetos de reforma das paróquias, entre a falta de vocações e o compromisso renovado dos leigos no anúncio.

Na Igreja há lugar para todos e todos podem encontrar seu lugar, respeitando a vocação de cada um: este é o sentido da Instrução sobre a paróquia.

documento

  • não contém novidades legislativas,
  • mas propõe modalidades para aplicar melhor a normativa vigente,
  • a fim de favorecer a corresponsabilidade dos batizados
  • e promover uma pastoral de proximidade e cooperação entre as paróquias.

O que emerge, sobretudo, é a urgência

  • de uma renovação missionária,
  • de uma conversão pastoral da paróquia,
  • para que ela redescubra o dinamismo e a criatividade que a levam a ser sempre “em saída”,
  • com a contribuição de todos os batizados.

Composta de onze capítulos, a Instrução pode ser dividida em duas grandes áreas:

a primeira (cap. 1-6), oferece uma reflexão ampla sobre

  • a conversão pastoral,
  • o sentido missionário
  • e o valor da paróquia no contexto contemporâneo;

a segunda (cap. 7-11), se detém

  • nas repartições das comunidades paroquiais,
  • nas diferentes funções presentes nelas
  • e nas modalidades de aplicação das relativas normas.
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Paróquia: uma casa em meio às casas (pará-oikía, em grego – NdR) – Foto: Vatican News

“A paróquia é uma casa em meio às casas”

Sinal permanente do Ressuscitado no meio do povo, “a paróquia é uma casa em meio às casas”, lê-se na primeira parte do documento, e o seu sentido missionário é fundamental para a evangelização.

A globalização e o mundo digital

  • mudaram o laço específico com o território,
  • que não é somente um espaço geográfico,
  • mas um espaço existencial.

É justamente nesse contexto que

  • surge a “plasticidade” da paróquia,
  • capaz de entender as exigências dos tempos
  • e adaptar seu serviço aos fiéis e à história.

Por isso, a Instrução sublinha a importância de uma renovação missionária das estruturas paroquiais:

  • longe de se tornar autorreferencial e de esclerosar-se,
  • elas deverão investir no dinamismo espiritual e na conversão pastoral
  • baseada no anúncio da Palavra de Deus, na vida sacramental e no testemunho da caridade.

A “cultura do encontro” é o contexto que promove o diálogo, a solidariedade e a abertura a todos: a comunidade paroquial é chamada a desenvolver uma verdadeira e própria “arte da proximidade”. A Instrução recomenda o testemunho da fé na caridade e a importância da atenção aos pobres que a paróquia evangeliza, mas pelos quais se deixa evangelizar.

Todo batizado deve ser um “protagonista ativo da missão evangelizadora”, reitera a Congregação para o Clero, e isso exige “uma mudança de mentalidade e uma renovação interior” para que haja uma reforma missionária da pastoral. Naturalmente,

  • estes processos de mudança deverão ser flexíveis e graduais,
  • porque cada projeto deve estar situado na vida real de uma comunidade,
  • sem ser imposto de cima e sem “clericalizar” o serviço pastoral.

 

Repartições paroquiais

A segunda parte da Instrução se abre com a análise das repartições paroquiais:

  • elas deverão seguir o “fator chave” da proximidade,
  • considerando a homogeneidade da população
  • e as características comuns do território.

O documento se detém nos procedimentos específicos relativos

  • à incorporação, a fusão ou a divisão de uma comunidade paroquial em paróquias autônomas,
  • e nos Vicariatos forâneos que reúnem várias unidades paroquiais,
  • e as áreas pastorais que reagrupam mais Vicariatos forâneos.

 

O pároco, “pastor próprio” da comunidade

A seguir, se aborda o tema da atenção ao cuidado pastoral das comunidades paroquiais, tanto na forma ordinária quanto extraordinária:

  • em primeiro lugar, é sublinhado o papel do pároco como “pastor próprio” da comunidade.
  • Ele está a serviço da paróquia, e não o contrário, recorda a Instrução,
  • e cuida plenamente das almas.

Consequentemente,

  • o pároco deve ter recebido a Ordem do presbiterado;
  • qualquer outra possibilidade está excluída.

Administrador dos bens da paróquia e representante jurídico da mesma,

  • o pároco deve ser nomeado por tempo indeterminado,
  • pois o bem das almas exige estabilidade e requer o conhecimento da comunidade e sua proximidade.

No entanto, a Instrução recorda que, quando uma Conferência Episcopal estabelece por decreto,

  • o Bispo pode nomear um pároco por um período determinado,
  • desde que não seja inferior a cinco anos.

Além disso, uma vez atingida a idade de 75 anos, o pároco tem o “dever moral” de apresentar a sua renúncia, mas não deixará o cargo enquanto a renúncia não for aceita e comunicada pelo Bispo por escrito. Em todo caso,

  • a aceitação será sempre por uma “causa justa e proporcional”,
  • de modo a evitar uma concepção “funcionalista” do ministério.

 

Diáconos: ministros ordenados, não “meio padres e meio leigos”

Uma parte do oitavo capítulo é dedicada aos diáconos: colaboradores dos bispos e dos presbíteros na única missão evangelizadora.

São ministros ordenados e participam, ainda que de forma diferente, do Sacramento da Ordem,

  • especialmente no âmbito da evangelização e da caridade,
  • incluindo a administração dos bens,
  • a proclamação do Evangelho
  • e o serviço à mesa eucarística.

Não devem ser considerados “meio padres e meio leigos”, afirma a Instrução, citando o Papa Francisco, nem devem ser vistos na perspectiva do clericalismo e do funcionalismo.

 

O testemunho dos consagrados e o generoso compromisso dos leigos

A Congregação para o Clero reflete também sobre os consagrados e os leigos dentro das comunidades paroquiais:

*   dos primeiros, se recorda não tanto “o fazer”, mas “o ser testemunhas de um seguimento radical de Cristo”,

* enquanto dos leigos,

  • se enfatiza a participação na ação evangelizadora da Igreja
  • e pede-lhes “um compromisso generoso” para um testemunho de vida conforme ao Evangelho e a serviço da comunidade paroquial.

Os fiéis leigos podem também ser instituídos leitores e acólitos (ou seja, para o serviço do altar) de forma estável, com um rito especial,

  • desde que estejam em plena comunhão com a Igreja Católica,
  • haja uma formação adequada
  • e uma conduta pessoal e pastoral exemplar.

Além disso, em circunstâncias excepcionais, podem receber outras funções do Bispo, “a seu prudente juízo”:

  • celebrar a Liturgia da Palavra e o rito das exéquias,
  • administrar o Batismo,
  • auxiliar nos matrimônios, com a permissão prévia da Santa Sé,
  • e pregar na igreja ou no oratório em caso de necessidade.

Não poderão, em nenhuma circunstância, fazer a homilia durante a missa.

 

Organismos de corresponsabilidade eclesial

A Instrução reflete também sobre os organismos paroquiais de corresponsabilidade eclesial, dentre os quais o Conselho para os Assuntos Econômicos.

  • De carácter consultivo, presidido pelo pároco e composto por pelo menos três membros,
  • ele é necessário porque a gestão dos bens de uma paróquia é “um âmbito importante da evangelização e do testemunho evangélico para a Igreja e para a sociedade civil”.

Os bens são da paróquia e não do pároco, reafirma a Congregação para o Clero.

A tarefa do Conselho para os Assuntos Econômicos  será a de promover uma

  • “cultura da corresponsabilidade,
  • transparência administrativa
  • e apoio às necessidades da Igreja”.

O Conselho Pastoral Paroquial é também consultivo e sua instituição é “fortemente recomendada”. Longe de ser um simples organismo burocrático, este Conselho deve gerar uma espiritualidade de comunhão, destacando a centralidade do Povo de Deus como sujeito ativo da evangelização.

A sua função principal é

  • a pesquisa e o estudo de propostas práticas de iniciativas pastorais e caritativas da paróquia,
  • em sintonia com o caminho da diocese.

Para se tornarem operacionais, tais propostas devem ser aceitas pelo pároco.

 

Não a um “preço a pagar” pelos Sacramentos, a oferta é gratuita

O último capítulo se detém nas ofertas para a celebração dos sacramentos:

  • elas devem ser “um ato livre” por parte de quem oferta
  • e não devem ser exigidas como se fossem um imposto ou uma taxa.

A vida sacramental

  • não deve ser “negociada”, recomenda a Instrução
  • e a celebração da Missa, como outras ações ministeriais, não pode estar sujeita a tarifas, barganhas ou comércio.

Os presbíteros são exortados

  • a dar um exemplo virtuoso no uso do dinheiro,
  • através de um estilo de vida sóbrio
  • e uma administração transparente dos bens paroquiais.

Deste modo, será possível sensibilizar os fiéis para que contribuam voluntariamente para as necessidades da paróquia, que também são suas responsabilidades.

 

 

Isabella Piro/Mariangela Jaguraba 

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2020-07/paroquia-evangelizacao-instrucao-congregacao-clero.html

LEIA TAMBÉM:

Textos precedentes

Recorda-se que a atual Instrução vem depois da Instrução interdicasterial de 1997, dedicada ao tema

e da Instrução de 2002, publicada pela Congregação para o Clero e centrada no

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