A extrema-direita saiu à rua em Londres e houve confrontos com a polícia

  – 13 de Junho de 2020  – Foto: Daqui

Um forte aparato policial foi mobilizado para as ruas da capital britânica, mas não houve confronto entre manifestantes anti-racismo e os grupos de extrema-direita.

Apesar da pouca participação nos protestos, o ambiente foi tenso, viram-se saudações nazis e ouviram-se hinos racistas.

 

Paris e Londres foram o palco das principais manifestações anti-racistas deste sábado, impulsionadas pelos protestos organizados pelo movimento Black Lives Matter dos Estados Unidos.

Na capital britânica, a violência foi protagonizada por grupos de extrema-direita que se concentraram na Praça do Parlamento para proteger as estátuas que nas últimas semanas voltaram a ser alvo da ira anti-racista.

A polícia impôs uma série de condições aos manifestantes que este sábado marcharam pelo centro da cidade, de forma a evitar ao máximo a possibilidade de confronto. Grupos de extrema-direita tinham avisado que iam deslocar-se à capital britânica para proteger as estátuas e havia receio de que se encontrassem com os manifestantes anti-racismo.

Mas apesar da pouca participação, os jornalistas no local descreviam um ambiente tenso.

  • Algumas pessoas estavam a consumir álcool,
  • houve quem fizesse saudações nazis e entoasse cânticos racistas.
  • Houve também confrontos perto da estação de Waterloo.

O primeiro-ministro, Boris Johnson, condenou os episódios de violência dizendo que “bandidagem racista não tem lugar” nas ruas do país. Foram detidas pelo menos cinco pessoas até ao fim da tarde.

A polícia fixou as 17 horas como limite máximo para as manifestações se manterem nas ruas, para evitar a hipótese de se prolongarem noite dentro.

Inicialmente,

Por volta das 10h, um grupo de cerca de 50 pessoas já se concentrava na Praça do Parlamento. Entre eles estava o líder da organização de extrema-direita Britain First, Paul Golding, segundo o Guardian. Duas horas depois, centenas de manifestantes apoiantes da causa anti-racista começaram a bloquear ruas à volta da praça.

  • A Polícia Metropolitana estabeleceu rotas específicas
  • para evitar que os grupos anti-racistas e os de extrema-direita se encontrassem.

O presidente da Câmara de Londres, Sadiq Khan, apelou aos apoiantes do movimento Black Lives Matter para se manterem em casa e para que

“encontrem uma maneira segura para se fazerem ouvir”, enquanto garantiu que “os londrinos não têm tempo para o ódio” da extrema-direita.

  • A propagação da covid-19, que no Reino Unido infectou 294 mil pessoas e causou mais de 41 mil mortes,
  • também é uma preocupação das autoridades.

O comandante da Polícia Metropolitana, Bas Javid, fez um último apelo para que as pessoas se mantivessem em casa.

“Se mesmo assim tiverem essa intenção, por favor familiarizem-se com as condições. Por favor mantenham-se seguros ao cumprir as regras do Governo sobre distanciamento social”, afirmou.

Junto a Marianne, em Paris

Dezenas de milhares de pessoas desfilaram pelo centro de Paris, confluindo na Praça da República, algumas trepando à estátua de Marianne, símbolo nacional. Ao fim de três horas de uma manifestação maioritariamente pacífica,

  • à recusa da polícia em permitir que a marcha alcançasse a Praça da Ópera,
  • alguns manifestantes responderam atirando garrafas e pedras da calçada.
  • Foram detidas 26 pessoas, de acordo com a polícia.

Os organizadores da marcha dizem que,

Têm sido recorrentes nos últimos anos as explosões sociais nos subúrbios da capital francesa, marcadas por episódios de violência e vandalismo contra as figuras de autoridade.

Os manifestantes recordaram a morte de Adama Traore, um francês de 24 anos de origem maliana, que morreu em 2016 depois de uma perseguição policial.

  • O relatório oficial da polícia concluiu que o homem morreu de ataque cardíaco,
  • mas uma perícia independente realizada a pedido da família revelou que
  • a sua morte se deveu a lesões provocadas pela abordagem violenta dos polícias que o detiveram.

A morte de George Floyd em Mineapolis veio reacender os pedidos de justiça por Traore em França.

“O que está a acontecer nos EUA está a acontecer em França, os nossos irmãos estão a morrer”,

afirmou Assa Traore, que evocou a memória do irmão, numa declaração aos manifestantes.

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João Ruela Ribeiro

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