Vogue Brasil erra de novo e publica edição vergonhosa em plena pandemia

 Coluna

Capa de maio da Vogue, com Gisele Bundchen - Reprodução

Leo Dias – Colunista do UOL – 05/05/20

 – Capa de maio da Vogue, com Gisele Bundchen Imagem: Reprodução

Leo Dias é jornalista e diretor-executivo do “TV Fama”, da Rede TV!. Foi correspondente internacional da rádio portuguesa RDP, passou pelas TVs Bandeirantes e RedeTV! e apresentou um programa na rádio FM O Dia, líder de audiência no Rio de Janeiro, onde entrevistava políticos, jogadores de futebol, dirigentes e muitos artistas.

Assinou uma coluna de celebridades no jornal “O Dia” e também esteve nos jornais “Extra” e nas revistas “Contigo”, “Chiques e Famosos”, “Amiga” e “Manchete”….

Polêmico, controverso e dono de uma forte personalidade, Leo conquistou um público cativo por dar notas explosivas e audaciosas num mundo artístico mais conservador. Seu lema: “A fama tem um preço estou aqui para cobrar”.

 

Desde o início da Pandemia, a Coluna do Leo Dias está atenta aos movimentos do mundo e sinalizando claramente que é necessária uma mudança de atitude e comportamento, principalmente da elite financeira deste país.

Já sinalizamos aqui que a “blogueiras” que não colocarem os pés no chão e não saírem de suas bolhas, serão dizimadas pela nova sociedade. Mostramos ainda os erros e acertos de celebridades como Madonna e Britney Spears, sinalizados pelo jornal New York Times, que anunciou “o fim da era da celebridade”.

Enfim, estava claríssimo que o mundo mudou. Estamos em maio e resolvemos olhar para o mundo e comparar ao Brasil. E percebemos que… parece que a nossa elite continua vivendo em uma bolha prestes a estourar com eles dentro.

A revista Vogue é a revista de moda mais influente e conceituada do planeta, fundada em 1892, e publicada atualmente em 22 países. 

  • A capa da Vogue tem um enorme significado sobre o que pensa a elite intelectual e financeira de cada país e sua burguesia. Eles ditam a moda.
  • A história mostra que o que a Vogue publica se torna referência para a sociedade tempos depois.
  • A sensação é que eles anteveem o movimento do mundo. Em todo o planeta foi assim.

A surpresa deste mês de maio foi justamente na edição brasileira. Uma grande decepção. Mostra que os formadores de opinião deste país continuam alheios a tudo o que acontece.

A Vogue Itália, em uma edição histórica, chegará às bancas na próxima sexta com uma capa toda em branco. Isso jamais aconteceu na publicação naquele país, em mais de cem anos de existência. Uma capa que tem enorme representatividade.

 

Capa da Vogue da Espanha - Reprodução
Capa da Vogue da Espanha – Imagem: Reprodução

A Vogue da Espanha também mostrou quão atrasados estamos. Numa imagem com grande simbolismo, refletindo o isolamento da sociedade neste momento, para simbolizar “que nunca estar tão longe nos fez sentir tão perto”, diz a publicação. Genial.

A Vogue Portugal é conhecida como a revista mais pioneira e vanguardista de todas. Na edição do mês passado, publicou quase 400 páginas falando de meio ambiente.

E publica agora em maio uma capa absolutamente conectada com o novo mundo que está surgindo. Um homem e uma mulher beijando-se, ambos usando máscara.

Os portugueses, mais uma vez, mostraram que estão anos luz à frente da nossa elite vergonhosa.

  • Chegamos então ao país da desigualdade social, o Brasil.
  • Aqui, a elite da elite, o 1% da população, concentra 27,8% da renda.
  • É o país número 1 da renda concentrada, à frente da Índia e da Argentina.

Talvez esses números provem porque a nossa burguesia continua distante do que acontece nas ruas de todo o país.

 

Capa da Vogue de Portugal - Reprodução
Capa da Vogue de Portugal – Imagem: Reprodução

A Vogue Brasil estampa Gisele Bündchen, a modelo brasileira branca e loira, em um ensaio de arquivo.

  • Isso mesmo, o que no jornalismo é conhecido como “ensaio de gaveta”.
  • Usado, normalmente, quando nada acontece.
  • Usados normalmente em publicações atemporais.

Tipo, não faz diferença alguma o mês que for publicada.

Essa capa

  • representa mais do que preguiça jornalística,
  • é a prova do quão distante a publicação da Vogue neste país onde você vive está da atual realidade.

Para quem não sabe, mesmo aposentada, e com todo o mérito, Gisele é a 16ª mulher mais bem paga no setor de entretenimento do mundo.

A Coluna só não entende até agora qual o significado de colocar Gisele na capa justamente deste mês. A primeira vez que Gisele estampou a capa da Vogue Brasil foi em 1997. De lá pra cá, foram mais de 10 edições com a supermodelo brasileira.

A desastrosa edição de maio da Vogue Brasil, editada pelo Grupo Globo, fala em “Novo Normal”. A Coluna continua sem entender o que seria o que significa isso. Novo Normal? É novo? Ou é normal? Boiei.

 

Capa da Vogue Itália - Reprodução

 

Capa da Vogue Itália – Imagem: Reprodução

A capa da Vogue brasileira representa muito sobre o que pensa nossa elite neste momento.

  • Continua fútil, continua desatualizada
  • e parada num tempo que não existe mais,
  • alheia, como sempre, a tudo o que acontece na sociedade, como se não fizesse parte dela.

Esta coluna se envergonha da edição nacional de uma marca com tamanha relevância no mundo inteiro. Mostra que o mundo está voltado para um lado, e nós, para o lado oposto. Como sempre.

Vale lembrar que em fevereiro de 2019, a diretora da Vogue Brasil da época, Donata Meirelles,

  • fez uma festa de aniversário em Salvador, a orgulhosa capital negra do nosso país,
  • no maior estilo “trono de sinhá”,
  • que remetia aos tempos mais assombrosos de nossa história, durante a escravidão.

Vale lembrar que, novamente, o Brasil foi um dos últimos países da Terra a abolir a escravatura.

  • Sentada no tal trono, Donata posava feliz ao lado de duas senhoras negras, alheias àquela vergonha.
  • A foto causa comoção nacional.
  • Dias depois, o famoso e luxuoso Baile da Vogue, onde a elite deste país se encontra para celebrar o Carnaval foi adiado.

Como se o tempo fosse apagar tal imagem. Logo a seguir, Donata pediu demissão da publicação. Mas parece que nada mudou nas cabeças pensantes da edição brasileira da revista mais famosa da história do mundo.

Ufa! Apenas para simbolizar como esta redação não representa nossa sociedade,

  • outras grandes publicações mostraram-se conectadas.
  • A Claudia estampa mulheres, profissionais da saúde, relatando seus medos e suas angústias.
  • A Marie Claire edição América Latina também foi brilhante e mostrou a imagem de uma enfermeira com o título “As reais influenciadoras”.

A pergunta que esta coluna faz é até quando a nossa elite vai representar a escória da sociedade?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

 

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