1° de maio: nada para se comemorar

 

 
A retração é gigantesca. A reforma trabalhista no Brasil e ainda antes dela, a terceirização sem limites, nos empurra para tempos sombrios no mundo do trabalho, escreve Cesar Sanson, professor de Sociologia do Trabalho da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN.

 Eis o artigo.

O capital aos poucos vai conseguindo se desamarrar de toda e qualquer regulação na sua relação com o trabalho. Houve um tempo em que se pensou o contrário, que os ganhos do lado do trabalho aumentariam.

Tinha-se a ideia de

  • que redução da jornada de trabalho era uma questão de tempo,
  • que as negociações coletivas dariam mais força ao trabalhador,
  • que as proteções sociais seriam ampliadas.
  • Nunca se imaginou que conquistas pudessem ser subtraídas, sempre se pensou na ampliação de direitos e não em sua diminuição.

Gerações de trabalhadores e as suas incansáveis lutas após a Revolução Industrial conseguiram impor limites à voracidade do capital. Até mesmo algo pouco provável foi conquistado: previdência social.

  • Imagine-se que em determinado momento, os trabalhadores levantaram a sua voz para afirmar
  • que não queriam morrer trabalhando,
  • que tinham o direito de desfrutar um final de vida com renda e com o controle sobre o seu tempo livre.

Ao capital

  • isso soou como algo absurdamente despropositado.
  • Imagine alguém ganhar sem trabalhar, absolutamente impossível.

Pois bem, essa foi talvez uma das conquistas mais civilizatórias da humanidade,

  • o direito de após uma vida de trabalho,
  • poder descansar em paz e com renda garantida.

Agora tudo está ruindo. A retração é gigantesca.

  • Retornamos aos tempos do surgimento do capital
  • em que praticamente tudo era válido,
  • inclusive a exploração de mulheres e crianças levadas aos limites da exaustão.

No caso brasileiro, o tamanho da derrota imposta pelo capital ao trabalho 

  • assemelha-se à imagem de uma fábrica do início da Revolução Industrial,
  • em que se veem trabalhadores e trabalhadoras desprotegidos,
  • a mercê do furor do capital,
  • sem a quem recorrer,
  • sem sindicatos,
  • sem ninguém a não ser a solidariedade entre os próprios trabalhadores.

 

 

reforma trabalhista no Brasil e ainda antes dela, a terceirização sem limites, nos empurra para tempos sombrios no mundo do trabalho.

  • Não há mais garantias,
  • tudo se faz num ambiente crescente de insegurança, desproteção, vulnerabilidade.

Tudo se reduz, direitos e renda.

  • Ampliação da flexibilização,
  • avanço do trabalho intermitente com remuneração variável,
  • jornada de trabalho em que o tempo econômico, sem avisar, invade o tempo livre.

Todo o poder discricionário está com o empregador.

  • É ele que estabelece de forma unilateral as condições de uso, contratação e remuneração do trabalho.
  • O Estado e os sindicatos pouco podem e até mesmo a justiça do trabalho, outrora aliada dos trabalhadores, dá sinais que se coloca contra eles.

A desfaçatez e hipocrisia do capital não têm limites. Argumentou-se

  • que a reforma trabalhista seria boa para os trabalhadores,
  • que ampliaria o emprego e as possibilidades de renda.

A realidade mostra o contrário. O total de trabalhadores com carteira assinada no setor privado caiu ao menor patamar já registrado na pesquisa Pnad Contínua, do IBGE, que teve início em 2012. Por outro lado, a nova legislação está gerando empregos precários com redução de direitos e com salários mais baixos. A contratação de trabalhadores por salários mais baixos levou a Previdência Social a registrar a primeira queda real na arrecadação em 10 meses, segundo dados da Receita Federal e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Não há que se comemorar nesse 1º de maio.

 

Resultado de imagem para prof. Cesar Sanson

 

Cesar Sanson

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/578488-1-de-maio-nada-para-se-comemorar

 

 

 

.

 

Leia mais:

 

Leave a Reply

You can use these HTML tags

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>