O Papa nomeia duas mulheres leigas para o Dicastério dos leigos, da família e da vida – 2

Nicolas Senèze, Roma  – 08/11/2017 

Gabriella Gambino e Linda Ghisoni, duas leigas italianas muito familiarizadas com a vida da Igreja católica, juntam-se ao Dicastério para os leigos, a família e a vida, criado há um ano e meio.

Foto: Gabriella Gambino (esquerda) e Linda Ghisoni (à direita), novos subsecretárias do Dicastério para os leigos, a família e vida.  Edições Aracne e Edições da universidade romana

 

O Papa Francisco nomeou nesta terça-feira (7 de novembro) as leigas italianas Gabriella Gambino e Linda Ghisoni como subsecretárias do Dicastério para os leigos, a família e a vida.

Elas vão auxiliar o cardeal Kevin Farrell, prefeito, e o padre Alexandre Awi [brasileiro], secretário, na chefia deste dicastério criado em junho de 2016 para substituir os conselhos pontifícios para os leigos e para a família.

Cada uma delas será encarregada de uma das seções deste dicastério cujos estatutos dão um lugar de destaque aos leigos (eles preveem até a possibilidade de que o secretário seja um leigo, o que não é o caso atualmente).

Gabriella Gambino, especialista da ética e da família

Para a seção para a vida, o papa escolheu Gabriella Gambino, 49, professora de bioética e filosofia do direito na universidade romana de Tor Vergata.

Nascida em 1968 em Milão (norte da Itália), casada e mãe de cinco filhos, é graduada em Ciências Políticas pela Universidade de Milão e doutora em Bioética pela Universidade Católica do Sagrado Coração em Roma.

De 2001 a 2007, trabalhou como professora-pesquisadora na Universidade LUISS [Libera Università Internazionale degli Studi Sociali] em Roma e, em 2002, foi nomeada especialista científica no Comitê Nacional Italiano de Bioética.

De 2013 a 2016, esta poliglota – ela conhece o inglês, o francês, o alemão, o espanhol e o português – colaborou com o Conselho Pontifício para os Leigos e com a Academia Pontifícia para a Vida.

Atualmente professora de bioética na Faculdade de Filosofia de Roma III e de filosofia do direito na Faculdade de Jurisprudência da mesma universidade, ela também ensina no Pontifício Instituto Teológico João Paulo II para as ciências do matrimônio e da família. É também, a partir deste ano, professora visitante na Universidade Católica de Salvador da Bahia (Brasil).

Linda Ghissoni, uma jurista boa conhecedora do laicado

Para a seção para os leigos, o papa nomeou Linda Ghissoni, 52, juíza instrutora no tribunal de primeira instância para as causas de nulidades de casamento do vicariato de Roma.

Nascida em 1965, perto de Piacenza (norte da Itália), é graduada em filosofia e em teologia pela Universidade de Tübingen (1991) e obteve o seu doutorado em direito canônico na Pontifícia Universidade Gregoriana em 1999, antes de receber em 2002 o seu diploma de advogada no Tribunal da Rota romana.

Em 1994, ela também se graduou em prática administrativa da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.

Casada e mãe de duas filhas, ela exerceu sucessivamente, nos tribunais de primeira instância e de apelação do Vicariato de Roma, os cargos de

  • notária (1997-1999),
  • defensora do vínculo (1999-2002),
  • auditora (2002-2005)
  • e juíza (desde 2005).

Ela também foi defensora do vínculo no Tribunal da Rota romana (2003-2009) e comissária designada para a defesa do vínculo nas causas da dissolução do matrimônio e de matrimônio não-consumado, perante a Congregação para o Culto Divino (2006-2011)e depois perante a Rota (desde 2011).

De 2013 a 2016, colaborou com o Pontifício Conselho para os leigos sobre as questões dos leigos na Igreja.

Atualmente, além da sua atividade jurídica nos tribunais eclesiásticos romanos, ela também é professora de direito canônico na Pontifícia Universidade Gregoriana e no Departamento de Jurisprudência da Universidade de Roma III.

 

Não são as primeiras mulheres num posto de responsabilidade no Vaticano

Elas não são as primeiras mulheres a ocupar cargos de responsabilidade no Vaticano: a australiana Rosemary Goldie (1916-2010) tinha sido a primeira mulher, vice-secretária do Pontifício Conselho para os leigos.

Em 2010, a italiana Flaminia Giovanelli tornou-se subsecretária do Pontifício Conselho para Justiça e Paz (uma posição que ela manteve no Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral), enquanto que em 2004 a salesiana italiana Enrica Rosanna tornou-se a primeira mulher subsecretária de uma congregação romana (da Vida Consagrada).

Em 2014, a brasileira Luzia Premoli, superiora geral das missionárias combonianas, tornou-se a primeira mulher membro de uma congregação (da Evangelização dos Povos), uma função reservada até então a cardeais e bispos.

 

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Nicolas Senèze

https://www.la-croix.com/Religion/Catholicisme/Pape/Le-pape-nomme-deux-femmes-laiques-au-Dicastere-pour-les-laics-la-famille-et-la-vie-2017-11-07-1200890130?from_univers=lacroix

 

 

 

 

 

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