CONGO: O CAIXA DE KABILA & CO

REPUBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO – VERDADES REVELADAS

Marco Simoncelli – 24 de julho de 2017

As revelações multiplicam-se e se entrelaçam na República Democrática do Congo. Ao mesmo tempo em que o país enfrenta um período de incerteza política, conflitos internos no Kasai e no Kivu do Norte, e uma grave crise econômica, dois relatórios põem em causa  a gestão dos negócios do Estado. Sempre o mesmo ‘script’: “corrupção e desonestidade”.  Enquanto isso, o clã Kabila fica sempre mais rico.

Qui si può consultare il grafico dello studio “Les richesses du Président” del CRG con la rete di compagnie, affari, organizzazioni e beni della famiglia Kabila.

Nella Repubblica democratica del Congo (Rdc) un quinto dei proventi del settore minerario viene sottratto alle casse statali a causa della tossica combinazione di corruzione e appropriazione indebita all’interno dei principali enti pubblici preposti. Tra il 2013 e il 2015, circa 750 milioni di dollari destinati al Tesoro pubblico sono spariti nel nulla, ma potrebbero arrivare fino a 1 miliardo e 300 mila, se si aggiungesse anche il mancato gettito fiscale delle province e di altri enti collegati.

A rivelarlo è un’indagine resa pubblica venerdì dall’organizzazione non governativa britannica Global Witness (GW) che ha analizzato i dati dell’Extractive industries transparency initiative (Eiti). Secondo gli investigatori britannici, l’ingente somma di denaro si è dispersa all’interno di una vasta rete corruttiva che sarebbe anche legata al presidente congolese Joseph Kabila.

 Na República Democrática do Congo (RDC), um quinto das receitas do setor mineral é desviado dos cofres do Estado por causa da combinação tóxica de corrupção e apropriação indébita nos principais entes públicos responsáveis por esse setor. Entre 2013 e 2015, cerca de 750 milhões de dólares destinados ao Tesouro sumiram, mas a quantia poderia chegar a 1 bilhão e 300 milhões, se forem considerados também os desvios de receitas fiscais das províncias e de outros entes associados.

Esta situação foi revelada por uma investigação publicada na sexta-feira pela ONG britânica Global Witness (GW) que analisou os dados da ‘Extractive industries transparency initiative’ (EITI) *. Segundo os investigadores britânicos, a enorme soma de dinheiro sumiu dentro de uma vasta rede de corrupção que também estaria ligada ao presidente congolês Joseph Kabila.

Durante anos a GW e outras ONGs documentaram como os rendimentos do setor eram desviados para empresas offshore, mas agora descobriu-se  que muitos dos royalties pagos às empresas públicas, desapareceram num  buraco negro antes de chegar aos cofres do Estado. A principal culpada por esta hemorragia é a companhia pública de mineração  Gécamines.

 

A voragem Gécamines

Em crise financeira, esta empresa gigantesca, nacionalizada após a independência do país em 1960, tem relações comerciais com as mais importantes empresas internacionais de mineração. De fato recebe a cada ano mais de 100 milhões de dólares de companhias privadas, mas apenas uma pequena percentagem desse dinheiro chega realmente aos cofres do Estado. Basta dizer que, em 2014, segundo os dados da EITI, a Gécamines pagou apenas 15 milhões de dólares em impostos, frente a um ganho de 265 milhões declarados pelo governo.

E para onde vai todo este dinheiro? É difícil determinar, porque as contas da companhia não são públicas. Tudo o que se pode fazer é consultar os documentos bancários, que apresentam numerosos “pagamentos suspeitos”.

Eis alguns exemplos:

  • a empresa teria efetuado pagamentos depositando, entre novembro de 2015 e junho de 2016, cerca de 95 milhões de dólares em contas abertas em bancos privados como o BgfiBank do Gabão, cujo dirigente, Francis Selemani Mtwale, seria próximo do Presidente Kabila.
  • Há também a devolução de “ingentes empréstimos” que a Gécamines teria contraído com uma das empresas do grupo da DGI (Dan Gertler International) do israelense Dan Gertler, outro amigo próximo de Kabila.
  • Tudo isso não surpreende os investigadores britânicos que de fato denunciam a presença de uma “liderança corrupta com o hábito de se agarrar ao poder”. A referência é a Albert Yuma Mulimbi, diretor da Gécamines desde 2010 e dirigente da Federação das empresas congolesas (FEC).
  • A GW acusa-o de ter supervisionado estes pagamentos “duvidosos”, criando complexos circuitos financeiros ‘offshore’ e de ter também endividado a empresa. E, por acaso, Yuma também é um homem muito próximo de Kabila.

 

Bloomberg, o GRG e o império Kabila

Um pouco antes do relatório da GW, a agência financeira Bloomberg trouxe a público alguns segredos sobre o crime organizado no Congo, envolvendo desta vez diretamente a família Kabila. Desde que chegou ao poder, primeiro com o pai Laurent Désiré e agora com Joseph, o grupo familiar enriqueceu sempre mais. Em particular, o irmão do chefe do Estado, Zoé.

Este último criou ou comprou participações em pelo menos 12 empresas com vários milhões de capital, quase nunca aparecendo com o seu nome verdadeiro.

Trata-se de empresas que operam e investem em numerosos setores:

  • mineração (Zoé teria negócios com a canadense Ivanhoé e com a australiana Nzuri Copper Ltd.),
  • construção (com a ‘Number One Contracting’),
  • turismo, pecuária, fast-food e aviação (através da Cosha Investment) chegando até mesmo
  • à impressão das carteiras de motorista.

A denúncia da Bloomberg foi apenas uma antecipação de uma investigação muito mais ampla realizada pelo ‘Congo Research Group’ (GRG), em colaboração com o Pulitzer Center, que reconstruiu a impressionante rede de negócios de todo o clã presidencial e seus associados.

Um polvo econômico que estendeu seus tentáculos por todos os setores do país através de cerca de 80 empresas ou sociedades domiciliadas na RDC ou no exterior, por onde passam milhões de dólares.

Além dos setores acima mencionados quando se falou de Zoé,

  • ainda haveria 71.000 hectares de terras agrícolas,
  • uma mina de diamantes na fronteira com Angola
  • e ações da companhia telefônica Vodacom.

Muitas das atividades estariam em nome dos dois filhos de Kabila e da sua esposa Marie-Olive Lembe.

 

Crise econômica, conflitos e caos político

Estas revelações aparecem num um momento muito delicado. A economia congolesa está nas últimas, com uma inflação de 50% e aumentando, tanto que recentemente o primeiro-ministro fez um apelo aos doadores internacionais pedindo ajuda. Kinshasa afirma que o motivo da crise é o colapso dos preços das matérias-primas, que respondem por mais de 80% das receitas de exportação, mas poucos estão dispostos a acreditar nisso. Até porque o país já se tornou o primeiro produtor de cobre do continente.

Desde 2012, o Fundo Monetário Internacional não renova o seu programa de ajuda exatamente por causa da falta de transparência no setor de mineração. Enquanto isso, Kabila compra animais para enriquecer as suas reservas de Kingakati e Matemba.

Fonte: http://www.nigrizia.it/notizia/congo-il-bancomat-di-kabila-co/notizie

*Extractive Industries Transparency Initiative é uma associação formada por empresas que atuam na atividade extrativa e por países onde tais atividades são realizadas, com o objetivo de aumentar a transparência e reforçar a responsabilidade dos atores envolvidos (fonte Web).

 

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Vídeo

Congo: Regime Cash Machine l Global Witness https://www.youtube.com/watch?v=xRWRZHvDbMQ

Neste video pode ser consultado o gráfico do estudo “Les richesses du Président”  do CRG com a rede de empresas, negócios, organizações e bens da família Kabila.

 

Veja também:

Irmão do presidente do Congo ganha milhões com empresas no país

https://economia.uol.com.br/noticias/bloomberg/2017/07/19/irmao-do-presidente-do-congo-ganha-milhoes-com-empresas-no-pais.htm

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