Mons. Farrell, bispo experiente a serviço de todos os leigos

Avant d’être nommé à la tête du dicastère pour les laïcs, la famille et la vie, Mgr Kevin Farrell était évêque de Dallas.

Nicolas Senèze, Roma, 31/8/2016

A reforma da Cúria desejada pelo Papa Francisco vence hoje uma nova etapa com a fusão dos Conselhos Pontifícios para os leigos e para a família. Na véspera de seus 69 anos, Mons. Kevin Farrell, até agora bispo de Dallas (Estados Unidos), torna-se prefeito do novo dicastério para os leigos, a família e a vida.

Foto: Antes de ser nomeado para dirigir o dicastério para os leigos, a família e a vida, Mons. Kevin Farrell era bispo de Dallas.

No dia seguinte à sua nomeação, em 16 de agosto, como prefeito do novo dicastério responsável pelos leigos, a família e a vida, que se torna uma realidade hoje no Vaticano, o jornal Dallas Morning Post descreveu como Mons. Kevin Farrell tinha, desde a sua chegada, em 2007, como bispo de Dallas, mudado profundamente uma diocese traumatizada pela má gestão dos casos de pedofilia por seu antecessor. A tal ponto que a confiança entre os fiéis e a hierarquia parecia estar definitivamente prejudicada.

“Ele mudou o nome da sede da diocese de ‘chancelaria’ para ‘centro pastoral’. Visitou as igrejas, esperando os fiéis na saída da missa para ouvir os seus comentários e reclamações. Ele estendeu a mão a alguns dos líderes leigos que tinham sido mais críticos contra o seu antecessor”. ” Ele foi um chefe formidável – diz um deles. – Ele acabou com a mentalidade de bunker da diocese”.

 

Ingressou em 1966 na congregação dos Legionários de Cristo

Porque, além da sua capacidade em trabalhar com os leigos, Mons. Farrell mostrou também uma abertura ainda rara no episcopado americano. Assim, quando da crise de Ebola, ele acolheu nas instalações da igreja a noiva da primeira vítima dos EUA e a sua família, expulsas do seu apartamento. Um gesto para com não-católicos que tinha suscitado críticas. “Nós ajudamos as pessoas porque somos católicos, e não porque elas são católicas” – corrigiu então Mons. Farrell, cuja trajetória é todavia atípica.

De fato este irlandês de origem ingressou em 1966 na congregação dos Legionários de Cristo, onde ele teve uma formação das mais clássicas:

  • Pontifícia Universidade de Salamanca,
  • depois Gregoriana
  • e ‘Angelicum’ em Roma,

antes de ser ordenado sacerdote em 1978. Durante os seus estudos, era íntimo do padre Marcial Maciel, o controverso fundador da Legião de Cristo sancionado em 2006 pela Santa Sé devido aos seus abusos

Motorista da comunidade, o jovem Kevin Farrell foi posto à disposição de alguns cardeais, entre os quais o argentino Eduardo Pironio, prefeito da Congregação para os Religiosos, que o padre Maciel queria agradar para obter a aprovação de Roma para a Legião. O jovem religioso até terá um acidente de carro com o cardeal, que será mais tarde presidente do Conselho Pontifício para os Leigos: o seu antecessor no cargo que ele ocupa hoje.

Depois da ordenação, o padre Farrell será capelão na Universidade de Monterrey (México), e administrador geral da congregação antes de deixa-la em 1984. Uma ruptura que ele explicará pelo surgimento de “divergências de opinião” com a Legião. Um evento teria marcado particularmente o jovem padre que pregava um retiro quando seu o pai morreu na Irlanda: o padre Maciel teria ordenado que permanecesse no México. “Kevin não estava junto ao leito de morte do seu pai. Isto ele nunca perdoou a Maciel” – conta um de seus ex-colegas.

 

Ele defendeu a legalização dos imigrantes em situação irregular

O padre Farrell então passou a integrar a Diocese de Washington, onde irá assumir, em 1986, o Centro católico hispânico e, dois anos mais tarde, a Cáritas. Responsável pelas finanças da diocese em 1989, torna-se vigário geral e depois bispo auxiliar em 2001, antes de ser enviado em 2007 para Dallas, cidade simbólica para um irlandês-americano: de fato, na sua cozinha em Dublin, a sua mãe tinha, atrás da foto de João XXIII e do quadro do Sagrado Coração, a foto de Kennedy, assassinado em 1963 na cidade texana.

Naturalizado norte-americano, aquele que era o encarregado dos migrantes no âmbito da Conferência Episcopal americana só fez amigos nos círculos conservadores americanos, mesmo defendendo a legalização dos “sem-papéis” ou proibindo, na sua diocese texana, a entrada numa igreja com uma arma. Mas os resultados estão aí: em quase dez anos à frente de uma diocese em quase falência quando chegou, ele soube recolocá-la nos trilhos, aumentando ao mesmo tempo o número de fiéis, de sacerdotes e de doadores.

Em Roma, ele terá agora pôr em prática a visão da família delineada pelo papa em ‘Amoris laetitia’, mas também a aspiração de Francisco de uma igreja menos clerical. Uma tarefa difícil mas, além das suas reconhecidas capacidades de organizador e fino diplomata, Mons. Farrell chega a território conhecido na Cúria: o seu irmão mais velho Brian é de fato, desde 2002, o secretário do Conselho Pontifício para a unidade dos cristãos.

 

O Papa cria um dicastério do ‘desenvolvimento humano’

O papa Francisco instituiu ontem por um ‘motu proprio’, um novo “dicastério para o serviço do desenvolvimento humano integral”, em que serão fundidos quatro Conselhos Pontifícios:

  • Justiça e Paz,
  • Cor Unum,
  • o Conselho pontifício para a Pastoral dos Migrantes
  • e o Conselho pontifício para a pastoral da saúde.

A direção deste “super-dicastério”, que será implementado em 1 de janeiro de 2017, foi confiada ao cardeal ganense Peter Turkson, 67 anos, atual presidente de Justiça e Paz. A instituição deste novo dicastério é a quarta etapa na reforma da Cúria desejada pelo Papa Francisco.

 

 

Nicolas Senèze

 Fonte: http://www.la-croix.com/Religion/Pape/Mgr-Kevin-Farrell-un-eveque-experimente-au-service-de-tous-les-laics-2016-08-31-1200785741

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