Kasper: “Com Bento XVI, a doutrina sempre esteve em primeiro plano; com Francisco, é o Evangelho”

Jesus Bastante – 19 janeiro 2023 – Foto: Kasper e Bento XVI

 “O trabalho teológico de Ratzinger não fez grandes avanços, mas teve um ‘efeito calmante’ depois do Concílio”.

“Eu diria que nem torcedores individuais nem adversários excessivamente duros entenderam Bento bem”.

Ao contrário de Ratzinger, Kasper considera o Concílio Vaticano II “inacabado” e que há “questões em aberto” que devem ser abordadas, algo em que se choca com o papa emérito. Claro, ele adverte que “teologias posteriores” não levam mais a sério o processo conciliar.

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 19-01-2023.

 

“Eu diria que nem torcedores individuais nem oponentes excessivamente linha-dura entenderam Bento bem.”

Em entrevista ao Bayerischer Rundfunk (BR), o cardeal Walter Kasper reflete sobre o legado de Joseph Ratzinger, diante de partidários obstinados que “o usaram para sua causa” e “difíceis adversários” que, a seu ver, “eles não entenderam”o papa emérito.

Um papa que, na opinião de Kasper,

  • não tem uma obra teológica com “grandes avanços”, embora tenha tido uma “grande influência” no período pós-conciliar,
  • sobretudo como “efeito tranquilizador”para muitas pessoas, que não compreendiam plenamente a primavera do Vaticano II.
  • Essas e outras diferenças são evidentes entre Ratzinger e Francisco.

“Com Bento, a doutrina sempre esteve em primeiro plano; com Francisco, é o Evangelho”.

Um concílio inacabado

Em sua reflexão, Kasper insiste que o pensamento do pontífice recentemente falecido é “muito mais diversificado” do que pensam os próximos e os distantes.

“Em conversas privadas, ele era bastante aberto”, admitiu, embora em suas declarações públicas “infelizmente, muitas vezes ele fosse visto de outra forma”.

Ao contrário de RatzingerKasper

  • considera o Concílio Vaticano II “inacabado
  • e que há “questões em aberto” que devem ser abordadas,
  • algo em que se choca com o papa emérito.

Claro, ele adverte que as “teologias posteriores”não levam mais a sério o processo conciliar.

 

“Devemos ter a coragem de seguir em frente”

Quais são esses problemas? A sinodalidade na Igreja ou o papel da mulher, onde, destacou, “não podemos ficar parados (…). Devemos ter a coragem de seguir em frente”.

Segundo KasperBento XVI teve “dois Concílios do Vaticano”. O que era “dele” era o da Sala do Conselho. A outra foi a feita pelos jornalistas. Como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e como papa, Ratzinger sempre se ateve a uma interpretação literal.

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