Isolado, Putin não irá a cúpula do G20

Dias após anunciar retirada de tropas de Kherson, Kremlin anuncia que Putin não viajará para encontro na Indonésia. Segundo analistas, ele não tem proposta para o fim da guerra e quer evitar perguntas desconfortáveis.

 

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, não viajará para a cúpula dos líderes do G20, que transcorre em 15 e 16 de novembro em Bali, Indonésia.

O Kremlin comunicou que o presidente será representado pelo ministro das Relações Exteriores Sergei Lavrov, que em julho abandonou um encontro do mesmo G20 depois que autoridades presentes no evento condenaram as ações russas em território ucraniano.

“Foi tomada a decisão de que Sergei Lavrov representará a Rússia na cúpula do G20”,

disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. No início da semana, ele comunicara que Putin iria a Bali

“caso as circunstâncias permitissem”,

o que foi interpretado como um aceno a Washington para negociações.

A viagem à cúpula em Bali

  • colocaria Putin na mesma sala que o presidente dos EUA, Joe Biden,
  • pela primeira vez desde que o líder russo enviou tropas para a Ucrânia em 24 de fevereiro.

Havia, portanto, a expectativa de que pudessem ser conduzidas conversações entre Putin, Biden e o líder chinês Xi Jinping sobre possíveis soluções para o conflito.

 

Os sinais de abertura para um diálogo

  • foram categoricamente ignorados pela Casa Branca.
  • Biden chegou a chamar Putin de “criminoso de guerra” e descartou encontrá-lo em Bali,
  • a menos que eles discutissem a libertação de americanos detidos na Rússia.

O caso mais emblemático é de uma jogadora de basquete, a bicampeã olímpica Brittney Griner, presa desde o início do ano por porte de cartuchos de vape com óleo de cânabis.

Indonésia rejeita retirar convite à Rússia

O presidente da Indonésia, Joko Widodo,

  • tentou mediar as divergências entre as potências globais
  • antes do que será a primeira reunião dos líderes do G20 desde a invasão russa da Ucrânia.

A Indonésia resistiu à pressão do Ocidente para retirar seu convite a Putin e expulsar a Rússia da cúpula, devido à guerra.

O governo anfitrião manteve a posição de neutralidade e alegou não ter autoridade de banir a Rússia do evento sem o consenso entre todos os membros.

Em entrevista recente ao Financial Times, Widodo reiterou que a Rússia é bem-vinda na cúpula, mas afirmou temer que o encontro seja ofuscado por um

“aumento preocupante das tensões internacionais. “

O G20 não pretende ser um fórum político. É sobre economia e desenvolvimento”,

frisou o chefe de Estado indonésio.

Putin quer fugir de perguntas desconfortáveis

Analistas afirmaram que o Kremlin está tentando proteger Putin da condenação ocidental pela ofensiva na Ucrânia. Em 2014 – ano em que anexou unilateralmente a península ucraniana da Crimeia –, Putin interrompeu sua participação na cúpula do G20 em Brisbane, na Austrália, onde teve uma recepção fria e enfrentou intensa pressão do Ocidente sobre o apoio de Moscou aos insurgentes no leste ucraniano.

O analista político Konstantin Kalachev afirmou que Putin não quer sair de sua zona de conforto e enfrentar perguntas desconfortáveis. A recusa do chefe do Kremlin de comparecer pessoalmente à cúpula também sugere que ele não tem nenhuma proposta firme para o fim do conflito na Ucrânia. “Há uma sensação de beco sem saída e, sem propostas concretas, Putin simplesmente não tem nada a fazer nesta cúpula”, resumiu Kalachev.

Por outro lado, espera-se que o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, participe virtualmente da cúpula do G20. Previamente, ele havia prometido boicotar o encontro caso Putin participasse. A Ucrânia não é membro do G20.

Retirada de tropas russas de Kherson

A decisão de Putin de não viajar a Bali foi anunciada após uma das mais simbólicas derrotas da Rússia na guerra na Ucrânia. Na quarta-feira, Moscou determinou a retirada de suas forças militares da cidade de Kherson. Ela é a capital da província homônima, no sul da Ucrânia, uma das quatro regiões anexadas ilegalmente pelo governo russo em setembro. Forças russas ocuparam Kherson em 2 de março.

A Rússia se refere a sua campanha militar como uma “operação militar especial para desmilitarizar e desnazificar” a Ucrânia e culpa as subsequentes sanções ocidentais pelas atuais crises globais de alimentos e energia. Embora tais sanções tenham prejudicado a operação militar da Rússia, outros países mantiveram laços econômicos com Moscou. China e Índia aumentaram suas compras de petróleo russo, por exemplo.

A cúpula em Bali será a maior do bloco desde o início da pandemia de covid-19. As conversações serão realizadas em meio a incógnitas sobre as crises de alimentos e energia, agravadas pelo conflito na Ucrânia, além de uma alta agressiva da inflação e o desequilíbrio entre desenvolvimento e mudanças climáticas.

pv/av (AFP, Reuters, ots)

Deutsche Welle

Fonte:  https://p.dw.com/p/4JKcg

 

 

 

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