ONU pressiona Moscou e Kiev para evitar desastre nuclear

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Soldado russo diante da usina nuclear de Zaporíjia, no sul da Ucrânia, em maio de 2022

 

Nações Unidas propõem zona desmilitarizada no entorno da usina de Zaporíjia e inspeção por especialistas, após Moscou e Kiev se acusarem mutuamente de bombardeios. AIEA diz que situação ” se deteriora rapidamente”.

Rússia e Ucrânia voltaram a se acusar mutuamente de bombardear a usina nuclear de Zaporíjia, a maior da Europa, atualmente sob controle russo. Em meio a temores de um desastre, a ONU propôs uma zona desmilitarizada no local, e Kiev exigiu a retirada das forças russas.

A agência nuclear ucraniana Energoatom afirmou que o complexo nuclear de Zaporíjia, localizado no sul da Ucrânia, foi atingido cinco vezes nesta quinta-feira (11/08), inclusive nas proximidades do local de armazenamento de materiais radioativos.

As autoridades russas, por sua vez, afirmaram que tropas ucranianas  bombardearam a usina duas vezes, interrompendo uma troca de turno, segundo a agência de notícias russa TASS.

Em reunião do Conselho de Segurança da ONU nesta quinta, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi,

  • pediu a Moscou e Kiev que permitam imediatamente que especialistas em energia nuclear inspecionem a usina
  • e avaliem os danos, segurança e proteção no extenso complexo nuclear, onde a situação “vem se deteriorando muito rapidamente”.

Grossi afirmou que

  • as declarações de Rússia e Ucrânia “são frequentemente contraditórias”,
  • e a AIEA não pode corroborar fatos importantes a menos que seus especialistas visitem o complexo nuclear de Zaporíjia.

Ele apontou que, devido a bombardeios e várias explosões na usina na última sexta-feira, um dos reatores nucleares da usina teve que ser desligado.

Na reunião, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu a ambos os lados que parassem com todos os combates nos arredores da usina.

  • “A instalação não deve ser usada como parte de nenhuma operação militar”, disse Guterres comunicado.
  • “Em vez disso, é necessário um acordo de nível técnico urgente sobre um perímetro seguro de desmilitarização para garantir a segurança da área.”

A Rússia ocupou Zaporíjia em março, após invadir a Ucrânia em 24 de fevereiro.

  • A usina, próxima à linha de frente dos combates, está sob o controle das forças russas,
  • mas é operada por trabalhadores ucranianos.

No encontro do Conselho de Segurança, os EUA apoiaram o apelo por uma zona desmilitarizada e instaram a Agência Internacional de Energia Atômica a visitar o local.

 

“Catástrofe comparável a Tchernobyl”

O embaixador da Rússia na ONU, Vasily Nebenzia, disse que

  • o mundo está sendo empurrado para “a beira de uma catástrofe nuclear comparável a Tchernobyl”
  • e acrescentou que funcionários da AIEA poderão visitar o local ainda neste mês.

Assim como a AIEA,

  • a agência de notícias Reuters afirmou que não conseguiu verificar de forma independente
  • os relatos de ambos os lados sobre as condições na usina de Zaporíjia.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, exigiu que a Rússia devolvesse o controle da usina à Ucrânia.

“Apenas a retirada total dos russos e a restauração do controle total ucraniano sobre a situação em torno da usina podem garantir a retomada da segurança nuclear para toda a Europa”,

disse Zelenski em vídeo.

A França repetiu a exigência de Zelenski e disse que a ocupação russa do local colocou o mundo em perigo.

“A presença e os movimentos das Forças Armadas russas perto da usina aumentam significativamente o risco de um acidente com consequências potencialmente devastadoras”,

afirmou o Ministério do Exterior francês em comunicado.

 

  • Kiev acusa Moscou de disparar mísseis a partir da usina nuclear capturada contra cidades do entorno,
  • sabendo que seria muito arriscado para as forças ucranianas contra-atacarem.
  • Ao menos 13 pessoas foram mortas nesta quarta num desses bombardeios contra o distrito de Nikopol, segundo autoridades locais.

Nesta sexta-feira, o Estado-Maior ucraniano relatou ataques aéreos das forças russas em dezenas de cidades e bases militares, principalmente no leste do país.

Bombardeios frequentes contra usina

Os seguidos bombardeios à usina de Zaporíjia nos últimos dias provocaram alarme na comunidade internacional e na AIEA. A Energoatom afirmou que ataques realizados na noite do último sábado por militares russos danificaram três sensores de radiação da usina.

De acordo com a empresa,

  • o bombardeio atingiu as instalações de armazenamento seco, onde ficam 174 contêineres com tubos de combustível nuclear já usados.
  • A Rússia, por sua vez, disse que os militares ucranianos haviam atingido a instalação nuclear usando um sistema de lançamento múltiplo de foguetes de 220 mm.

O complexo nuclear tem seis reatores e é capaz de gerar 5.700 megawatts e, no momento, três deles estão em operação.

Segundo especialistas,

  • se a usina perder a energia da rede,
  • há risco de os geradores e baterias de backup não serem suficientes para resfriar os reatores e os reservatórios de combustível radioativo.

Somam-se a essas preocupações as suspeitas de que as forças russas estariam usando Zaporíjia como depósito de armas e cobertura para o lançamento de ataques.

Em 4 de março, no início da ocupação russa, houve um incêndio na usina após um bombardeio russo, que foi controlado duas horas e meia depois e provocou pânico sobre a possibilidade de um desastre nuclear.

fc/lf (Reuters, AP, Efe)

 

Deutsch Welle

Fonte: https://www.dw.com/pt-br/onu-pressiona-moscou-e-kiev-para-evitar-desastre-nuclear-em-zaporijia/a-62787885

 

 

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