Papa Francisco quer transformar preparação do Matrimônio na Igreja Católica, para evitar uniões “nulas ou inconsistentes”

 

Agência Ecclesia – 21 Junho 2022

Vaticano publicou hoje um documento com novas orientações para o matrimônio, com prefácio do Papa Francisco, para quem é necessário evitar a celebração de uniões “nulas ou inconsistentes”.

A reportagem é publicada por Agência Ecclesia, 15-06-2022.

 

“A preparação para o matrimônio deve tornar-se parte integral de todo o procedimento do matrimônio sacramental, como um antídoto para evitar a proliferação de celebrações matrimoniais nulas ou inconsistentes”, escreve, ao introduzir os “Itinerários catecumenais para a vida matrimonial”.

 

O documento, da responsabilidade do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, surge uma semana antes do início do 10.º Encontro Mundial das Famílias (22-26 de junho), que vai ligar Roma às dioceses católicas dos cinco continentes, por via digital, sob a presidência do Papa.

Francisco fala das novas propostas como um fruto do ano especial Amoris Laetitia’, dedicado à família e convocado nos cinco anos da publicação da exortação apostólica que recolheu as conclusões de duas assembleias sinodais (2014 e 2015) dedicadas a este tema.

 

O Papa realça que, durante estes encontros, foi sublinhada a “grave preocupação” dos responsáveis eclesiais com uma “preparação demasiado superficial” para o matrimônio, com o risco de que esta celebração seja nula ou que se “desmorone” em pouco tempo.

 

  • “A Igreja dedica muito tempo, vários anos, à preparação dos candidatos ao sacerdócio ou à vida religiosa,
  • mas dedica pouco tempo, apenas umas semanas, a quem se prepara para o matrimônio”, adverte.

 

A mudança proposta no novo documento é estruturada em três etapas:

  • preparação para o matrimônio (remota, próxima e imediata);
  • celebração do casamento;
  • acompanhamento dos primeiros anos de vida conjugal.

 

Francisco pede que este seja o início de uma “renovação pastoral”, neste campo,

  • apontando à publicação, “quanto antes”, de outro documento,
  • sobre possíveis itinerários de acompanhamento” para casais em nova união.

 

O objetivo, precisa, é que estas pessoas

“não se sintam abandonados e possam encontrar, nas comunidades, lugares acessíveis e fraternos de acolhimento, de ajuda ao discernimento e de participação”.

 

Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida sublinha, nos “itinerários catecumenais” – expressão que remete para a preparação do Batismo –, que

  • matrimônio exige “um sério discernimento pessoal e de casal”,
  • para que a celebração do sacramento seja uma “decisão livre
  • e não uma “submissão passiva a uma tradição cultural ou uma formalidade social”.

 

A chamada “fase catecumenal” de preparação tem três etapas:

  • uma maior, de duração variável, mas que, em linhas gerais, deve ser de aproximadamente um ano;
  • a segunda fase, imediatamente antes do casamento, mais curta;
  • e uma terceira, de acompanhamento dos casais nos primeiros anos de vida matrimonial.

 

Vaticano sugere que a decisão de celebrar o matrimônio seja selada com o “rito do compromisso”, que daria início à fase de preparação imediata para o sacramento.

 

itinerário não se limita à comunicação de conteúdos doutrinais e pretende ir além da tipologia clássica dos ‘cursos matrimoniais’, motivo pelo qual utiliza

  • não só o método da catequese,
  • mas também o diálogo com os casais,
  • os encontros individuais,
  • os momentos litúrgicos de oração e celebração dos sacramentos,
  • os ritos, o diálogo entre os próprios casais que participam no itinerário,
  • a intervenção de especialistas externos,
  • os retiros e a interação com toda a comunidade eclesial, que apoia e participa no longo processo de preparação dos casais.

 

Vaticano assume a necessidade de abordar “temas e questões que representam desafios sociais e culturais”, como

 

O documento, com 94 pontos, quer

“transmitir aos bispos, agentes da pastoral familiar e formadores o convite do Santo Padre a repensar seriamente a preparação para o matrimônio como um contínuo acompanhamento, antes e depois do rito sacramental”,

indica o prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida.

 

Em nota enviada à Agência ECCLESIA, o cardeal Kevin Farrell destaca que este é um trabalho de

“proximidade competente e concreta, feita de laços entre famílias que se apoiam mutuamente”.

 

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