Curso: Para entender a política dos generais

por Publicado 26/04/2022  – Foto: DAQUI

 

A presença dos militares na política do país não é estranha para aqueles que conhecem um pouco da História do Brasil. O golpe de 1964 e a subsequente ditadura militar, que perdurou até 1985, são os exemplos mais lembrados de sua atuação.

Alguém com um pouco mais de familiaridade com o assunto poderia citar também a proclamação da República, o tenentismo, a Revolução de 1930, a derrubada de Vargas em 1945, a campanha política que levou ao suicídio de Getúlio em 1954 ou outros exemplos.

  • Mas, para além de noções gerais sobre autoritarismo e o emprego de demagogia “patriota”,
  • o que não é tão conhecido é o conjunto de estratégias que norteia essas movimentações das botas e fardas verde-oliva no cenário nacional ao longo de nossa história moderna.

E são essas estratégias que o jornalista Pedro Marin busca apresentar com profundidade no curso O Partido Fardado e a Política no Brasil, disponibilizado na plataforma de cursos Caixa de Ferramentas, em nove aulas.

Se por um lado, o nome e as ideias de Getúlio Vargas são indispensáveis para qualquer explicação da modernização pela qual o Brasil passou a partir dos anos 1930, o do general Pedro Aurélio Góes Monteiro pode causar estranheza.

Mas, como conta Marin, este alagoano foi o homem por trás de um dos aspectos-chave dessa modernização: a das Forças Armadas.

Ministro da Guerra e chefe do Estado-Maior  no governo Vargas, ele preconizou a ideia de “política do Exército”, contra o que chamava de “política no Exército”.

Isto é,

  • preocupado com a grande influência de revolucionários tenentistas e comunistas entre os militares, que considerava subversiva,
  • Góes Monteiro dizia que os altos oficiais deviam formular e propagar em suas fileiras uma doutrina “institucional”,
  • que fosse disciplinadamente acatada desde os soldados rasos até os generais,
  • e acabar com as perigosas discussões políticas entre homens com poder de fogo em suas mãos.

A letra miúda dessa ideia (diz) que a tal“política do Exército” que foi feita na época não é neutra.

O Partido Fardado, nome que Marin toma emprestado de Oliveiros Ferreira para nomear essa força política dos militares brasileiros, tem lado.

E sendo a alta oficialidade brasileira majoritariamente conservadora e influenciada por doutrinas dos Estados Unidos da Guerra Fria,

  • esse lado é o lado dos ricos,
  • contra o povo brasileiro e suas aspirações políticas.

Como sabemos,

  • é em favor dos interesses dos grandes empresários que as instâncias mais altas do estamento militar tem operado no Brasil desde então,
  • inclusive em suas manobras para golpear Dilma e eleger Bolsonaro – como o famoso tuíte do general Villas Bôas pedindo a prisão de Lula
  • e a presença de comandantes das três forças em importantes cargos no atual governo não nos deixam esquecer.

Outras Palavras e a plataforma de cursos Caixa de Ferramentas sortearão entre os apoiadores do nosso jornalismo duas vagas no curso O Partido Fardado e a Política no Brasil, com Pedro Marin.

Também será disponibilizado para os membros da rede Outros Quinhentos um desconto de 20% no site. O formulário para participar do sorteio será enviado por e-mail. As inscrições ficarão abertas até a sexta-feira (29/04), às 15h.

  • Agora, nesse momento difícil de prioridade n° 1 para a retirada de Bolsonaro da presidência,
  • a urgência dessa tarefa pode levar a algumas conclusões apressadas sobre as ações adequadas para garantir sua derrota.
  • Aqui e ali aparecem oficiais que aparentam criticá-lo, dizendo que traiu esse ou aquele princípio, ou que não cumpriu essa ou aquela promessa.
  • Outros sinalizam querer dialogar com os adversários de Bolsonaro, e até mesmo pacificar as relações com a candidatura progressista que lidera todas as pesquisas eleitorais.

Muita sabedoria é necessária para não pisar em falso nesse terreno.

  • Se Bolsonaro sair, e os milhares de militares instalados na estrutura do Estado ficarem lá por meio de algum tipo de acordo,
  • vamos ter mesmo combatido os perigos autoritários e ditatoriais que rondam o Brasil hoje?

É nas artimanhas do militarismo em nossa política que Marin se aprofunda, expondo as estratégias do Partido Fardado que quer nos governar não importa quem esteja na presidência.

Carta no Coturno – A volta do Partido Fardado no Brasil – Baioneta

Golpe é Guerra – Teses para enterrar 2016 – Baioneta

Fotos: Reprodução

 

Não é de hoje que Pedro Marin se debruça sobre a questão das estratégias dos militares para intervir na política e as características dessas maquinações produzidas na caserna.

  • Em seus livros Golpe é guerra: teses para enterrar 2016 (2018) e Carta no Coturno – a volta do Partido Fardado no Brasil (2019),
  • o jornalista já havia começado a divulgar suas hipóteses, centradas na

“ideia de que a ameaça do uso da força militar é uma constante, o que força a volta de um Partido Fardado para o palco político brasileiro na conjuntura atual”.

Seu curso na Caixa de Ferramentas, que tem duas vagas sendo sorteadas entre os membros do Outros Quinhentos, é sua mais nova contribuição para o estudo do binômio das armas da política e da política das armas.

E seus alertas são essenciais para quem quer saber como podemos enfrentar de uma vez por todas a influência dos atores e das ideias responsáveis

  • por 21 anos de ditadura no Brasil
  • e por frear cada tentativa de emancipar o povo brasileiro da miséria e da fome.

 

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Guilherme Arruda

Fonte: https://outraspalavras.net/outrosquinhentos/curso-para-entender-a-politica-dos-generais/

 

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