Cardeal quer afastar futuros papas oriundos das periferias

Será que, além de ridiculamente eurocêntrico, Brandemüller também é racista?

 

 | 29 Out 21 | Cardeal Brandmüller | Foto © ACI Prensa

O cardeal Walter Brandmüller defende uma reforma do conclave que elege o Papa, apontando para uma redução significativa do número de cardeais eleitores e um perfil eurocêntrico, que se distingue de forma evidente do atual bispo de Roma, o Papa Francisco.

 

O purpurado, um dos que subscreveram as célebres dubia de questionamento do Papa, a propósito da exortação Amoris Laetitia sobre a família, faz notar, num artigo publicado pelo blog Settimo Cielo, do vaticanista conservador Sandro Magister, que

“seria necessário formular critérios institucionais objetivos de elegibilidade, de modo a limitar de maneira sensata o círculo dos papabili”.

Um desses critérios, adianta Brandmüller,

“deve ser, sem exceção, que o candidato deve ter passado pelo menos cinco anos num cargo superior na Cúria de Roma”.

Fundamento da proposta:

“Isso garantiria aos eleitores um conhecimento prévio dos candidatos através das relações pessoais, e aos candidatos uma experiência direta das estruturas, procedimentos e problemas da cúria romana”.

Quanto ao número de eleitores, que é atualmente de 120, deveria ser reduzido para os 70 instituídos pelo Papa Sisto V.

O cardeal entende que

“não seria difícil reduzi-lo, uma vez que deixariam de ser uma representação ampla da Igreja universal, o que já estaria garantido pela disposição relativa aos elegíveis”.

O cardeal alemão de 92 anos lamenta que o conclave não seja mais europeu.

“Muitos, se não a maioria, não têm experiência de Roma”, o que apresenta vários problemas.

“Para um colégio em que se prefere fazer cardeais dos chefes de dioceses periféricas, é praticamente impossível cumprir adequadamente as tarefas mencionadas, mesmo nas condições permitidas pelas modernas tecnologias de comunicação.”

Acrescenta ainda várias dificuldades e circunstâncias que podem complicar ou tornar mesmo

“impossível para alguns eleitores viajarem para Roma, impedindo-os de participar num futuro conclave”.

E dá exemplos: desastres naturais como erupções vulcânicas, tsunamis, epidemias, bem como turbulências políticas ou guerras.

 “Por essas e outras razões semelhantes, dado o grande número de cardeais que têm direito a voto e ao mesmo tempo a obrigação de participar, uma eleição realizada por um colégio ‘incompleto’ poderia ser contestada, com grave perigo para a unidade da Igreja”,

observa o autor da proposta.

Brandmüller mostra-se contrário à linha da internacionalização do colégio de cardeais, a partir das últimas décadas do séc. XIX e que culminaram na decisão de João Paulo II de passar o número dos eleitores de 70 para 120. Esta internacionalização, sublinha,

“com o Papa Francisco foi ainda mais alargada à periferia da Igreja, a ponto de já contar com 30 cardeais da Ásia e da Oceânia”.

Para ele, não faz sentido que

“tradicionais sedes cardinalícias europeias, como Milão, Turim, Veneza, Nápoles, Palermo, Paris, tenham ficado sem púrpura”. 

E lança o desafio que atinge o Papa:

“Seria útil investigar — também por razões eclesiológicas — as motivações e intenções da manobra anti-europeia que aqui se manifesta.”

 

Manuel Pinto, autor em Sete Margens

.

 

Fontes: https://setemargens.com/cardeal-quer-afastar-futuros-papas-oriundos-das-periferias/

1 comment to Cardeal quer afastar futuros papas oriundos das periferias

  • Irene Maria Ortlieb Guerreiro Cacais

    Pelamor de Deus! Este Senhor idoso ainda não notou que a maioria dos católicos praticantes hoje vive fora da Europa! Inacreditável!

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