Preocupações com o destino dos seminários

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Por Arnaud Bevilacqua | França | 12 de junnho de 2021

Seminaristas da comunidade de Saint Martin na Abadia de Evron, em Mayenne, em 23 de abril de 2019. (Foto de JEAN-MATTHIEU GAUTIER / HANS LUCAS)

Cerca de  815 homens estavam estudando para se tornarem padres diocesanos na França no início do ano; 230 deles eram estrangeiros

 

Há atualmente cerca de  26 locais de formação sacerdotal na França, incluindo 16 seminários diocesanos ou interdiocesanos , como o seminário de La Castille na diocese de Fréjus-Toulon, o seminário de Saint-Cyprien em Tolosa ou Saint-Irénée em Lyon.

«Hoje, na França, há apenas dois seminários diocesanos em sentido estrito, em Paris e em Estrasburgo»,

explica Pascal Sarjas. O sacerdote da Diocese de Metz é reitor do seminário interdiocesano de Lorraine e secretário do Conselho Nacional para os Seminários (CNGS).

“Os outros acolhem candidatos de diferentes dioceses porque algumas delas estão agrupadas em torno de um seminário. Por exemplo, o seminário de Lorraine em Metz é mantido por quatro dioceses (Metz, Nancy, Saint-Dié e Verdun) e também acolhe candidatos de Belfort ou Langres”, explica o reitor.

Há também nove locais de formação ligados a institutos ou comunidades religiosas, como o Studium de Notre-Dame-de-Vie, o seminário da Société Jean-Marie-Vianney (SJMV) em Ars-sur-Formans e a casa de formação da Comunidade Saint-Martin em Évron.

Por sua vez, o Caminho Neocatecumenal conta com cinco seminários Redemptoris Mater na França. O Pontifício Seminário Francês de Roma é parte integrante das estruturas formativas da Igreja na França.

“É especialmente voltado para estudantes que já têm uma grande experiência intelectual e  são enviados a Roma para obter uma licenciatura canônica”, diz Sarjas.

Há também o Grupo de Formação Universitária, fundado em 1967,

  • que oferece um tempo de formação para os alunos que se preparam para o ministério
  • e que também continuam os seus próprios estudos.
  • No início do ano acadêmico 2020-2021 eram em torno de 815 seminaristas; 230 deles eram estrangeiros.

 

Que tipo de formação oferecem os seminários?

Todos os seminários oficialmente reconhecidos respondem à Ratio fundamentalis, o texto básico para a formação dos futuros sacerdotes, publicado pelo Vaticano em dezembro de 2016. A Conferência Episcopal Francesa votou a sua própria adaptação do texto, a Ratio nationalis, no final de março, durante sua última assembleia plenária.  Espera-se que entre em vigor em setembro.

“A formação é parte deste enquadramento preciso, mas cada lugar pode integrar elementos específicos”, assegura o padre Sarjas.

Entre as especificidades, a Comunidade de Saint-Martin (que conta atualmente com 100 seminaristas em formação) destaca a dupla aprendizagem da vida comunitária e da mobilidade. Don Louis-Hervé Guiny, que é o diretor da formação, afirma que esses dois aspectos explicam o atrativo da casa de formação.

  • A formação começa com pelo menos um ano de propedêutica nas 16 casas instaladas para esse fim.
  • Este ano, são 140 candidatos na França.

Depois deste ano de discernimento, o curso de formação segue geralmente três etapas.

  • A formação do “discípulo-missionário”, para usar a expressão cara ao Papa Francisco, dura dois anos e é seguida por um ano de treinamento.
  • Depois vem a etapa de “configuração a Cristo pastor”, com duração de três ou quatro anos,
  • e, por último, a “síntese vocacional”, um ano passado em tempo integral numa paróquia.

No total, o treinamento costuma durar oito anos.

“A formação para o ministério hoje é para ser uma formação integral”, insiste o padre Sarjas.

  • «Ela é certamente  marcada por um percurso intelectual, mas completada por dimensões humanas, espirituais e pastorais. 
  • Acima de tudo, formamos homens de fé com capacidade de relacionamento de modo a sentirem-se bem consigo mesmos e serem capazes de viver serenamente o seu ministério.
  •  “Nos  últimos anos, a ênfase tem sido posta na formação humana com psicologia e sessões sobre afetividade e sexualidade como parte integrante dos programas.
  • Além disso, os seminários querem ser mais inclusivos para com as mulheres, tanto nos conselhos quanto na formação.

 

 O que o futuro reserva para os seminários?

A escassez de candidatos ao sacerdócio na França não deixa de ter consequências para os seminários.

Dois deles fecharam as portas – pelo menos temporariamente – em 2019 “por falta de candidatos”. O de Lille formava seminaristas de dez diferentes dioceses. O seminário de Bordéus também foi fechado. O futuro destes lugares que formam sacerdotes é motivo de grande preocupação.

“Os bispos estão cientes das escolhas que terão de fazer. A primeira consiste em fazer com que os seminários trabalhem mais entre si na mesma província, promovendo uma colaboração mais estreita”,

disse Dom Jérôme Beau de Bourges, presidente da Comissão Episcopal para os Ministros Ordenados e os Leigos em Missão Eclesial.

“É sobre esta base que podemos construir o futuro a curto prazo sem fechar os seminários. A médio prazo, teremos que estudar o que pode ser preservado porque inevitavelmente haverá uma recomposição, a menos que haja um aumento das vocações”, diz ele.

A Ratio fundamentalis insiste sobre a

“necessidade de um número suficiente de vocações

para que o seminário seja “uma verdadeira comunidade de formação”.

Como parte da adaptação francesa, cada seminário deve traçar o seu próprio plano de formação, que deve ser aceito por Roma.

“A questão dos números surge em certo número de seminários porque é necessário um número mínimo de candidatos para que haja emulação”,

diz o padre Sarjas, que não descarta a ideia de agrupar todos os seminários ao longo do tempo.

O programa francês não menciona formalmente um número mínimo, embora ele seja pensado em torno de 15 candidatos. O outro ponto de tensão diz respeito a ter suficientes formadores qualificados, o que é um desafio para algumas dioceses quando o número de padres está diminuindo constantemente.

 

Arnaud Bevilacqua (@arnbevilacqua) | Twitter

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Arnaud Bevilacqua

 

https://international.la-croix.com/news/religion/concerns-about-the-fate-of-seminaries/14453

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