Crise militar no Brasil entra no radar internacional por temor de ruptura democrática

Governo Bolsonaro

Protesto contra Jair Bolsonaro no Rio de Janeiro nesta quarta, data que marca os 57 anos do golpe militar.

JAMIL CHADE – Genebra – 31 MAR 2021 

Foto: Protesto contra Jair Bolsonaro no Rio de Janeiro nesta quarta, data que marca os 57 anos do golpe militar / SILVIA IZQUIERDO / AP

Queda do ministro e de comandantes das Forças Armadas acende alertas sobre o tamanho do conflito institucional no país que já registra retrocessos significativos.

 

“Teste de estresse”.

Esse é o termo que diplomatas estrangeiros passaram a usar para descrever a situação que vive a democracia brasileira.

Na terça-feira, Edson Leal Pujol (Exército), Ilques Barbosa (Marinha) e Antônio Carlos Bermudez (Aeronáutica) colocaram seus cargos à disposição, um dia depois da queda do Ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva.

  • O recado era claro:
  • os militares não estão dispostos a participar de nenhuma aventura golpista.

Apesar disso, o que serviços de inteligência no exterior buscam saber é

nova cúpula foi anunciada nesta quarta, com a nomeação de

  • Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira (Exército),
  • Almir Garnier Santos (Marinha)
  • e Carlos Almeida Baptista Júnior (Aeronáutica).

declaração de uma comemoração do golpe de 1964 e um projeto de lei frustrado para dar maiores poderes ao presidente também aprofundaram os temores internacionais.

Ao longo dos últimos dias, embaixadores do Brasil no exterior foram procurados por membros de governos estrangeiros que, de forma reservada, questionaram sobre o que o atual momento representa em termos institucionais.

O risco de ruptura democrática foi negado por autoridades de patente, como o vice-presidente Hamilton Mourão.

“As Forças Armadas vão se pautar pela legalidade, sempre”,

afirmou o general da reserva em entrevista para a jornalista Andréia Sadi na terça.

Ao nomear os novos comandantes das Forças, o novo ministro da Defesa, Walter Braga Netto, declarou que

“a Marinha do Brasil, o Exército Brasileiro e a Força Aérea Brasileira se mantêm fiéis às suas missões constitucionais de

  • defender a pátria,
  • garantir os poderes constitucionais
  • e as liberdades democráticas”.

E acrescentou:

“O maior patrimônio de uma nação é a garantia da democracia e a liberdade do seu povo”.

Em Washington, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos também acompanha o caso, num sinal de que existe uma preocupação clara em relação ao destino do país.

Há menos de um mês, a entidade publicou um amplo levantamento sobre todos os aspectos relacionados com os direitos humanos no Brasil e constatou que a democracia “vem enfrentando desafios e retrocessos”.

Outros institutos, como a Universidade de Gotemburgo, na Suécia, constatam que

  • o Brasil foi um dos quatro países que viram o maior retrocesso em sua democracia na última década,
  • principalmente nos últimos dois anos.

Mesmo na cúpula da ONU,

  • a crise brasileira é seguida de perto por António Guterres, secretário-geral da entidade e uma pessoa que, ao longo de sua história, sempre foi próximo dos assuntos do país.
  • Nos últimos meses, o escritório da alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Michelle Bachelet, alertou para o “encolhimento do espaço cívico” no país.

No Parlamento europeu,

Já a Comissão Europeia, órgão executivo da UE, insiste que não fala sobre assuntos internos de outros governos.

  • Mas a percepção é de que o mundo, num momento de crise,
  • não pode se dar ao luxo de ver mais um foco de instabilidade internacional.

“O que estamos vendo é um teste de estresse da democracia brasileira”,

disse um delegado em Bruxelas.

O teste é para saber, segundo ele, se as instituições de fato estão funcionando ou se existe uma possibilidade real de ruptura.

Na Organização Mundial da Saúde, a preocupação central

  • é de que, diante da crise institucional,
  • o Governo acabe relegando a pandemia para um segundo plano.

“Há uma sensação de que a prioridade hoje no Brasil é outra, mesmo com mais de 3.000 mortos por dia pela covid-19”,

lamentou um alto funcionário da agência de saúde.

 

Jamil Chade: com as questões sociais sendo resolvidas, a Copa será o alvo principal das manifestações - ESPN

Jamil Chade

Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2021-04-01/crise-militar-no-brasil-entra-no-radar-internacional-por-temor-de-ruptura-democratica.html

 

Leave a Reply

You can use these HTML tags

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>