Basta de má informação nos chamados meios católicos de comunicação

Basta de má informação nos chamados meios católicos de comunicação - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

Padres da Caminhada e Padres Contra o Fascismo – 23 Janeiro 2021 – Imagem: Daqui

“O poder mágico da telecomunicação empodera quem nela aparece, sobretudo se arroga para si o falar em nome de Deus, de Jesus Cristo ou da Igreja. Pessoas visivelmente despreparadas falam com tanta convicção e arrogância sobre assuntos que não conhecem, que acabam por transmitir uma opinião absurda como se fosse a mais pura verdade”, escrevem os Padres da Caminhada e Padres Contra o Fascismo.

 

Eis a carta.

Nós, presbíteros dos Grupos Padres da Caminhada e Padres Contra o Fascismo, de todos os Estados do Brasil,

Há tempos estamos sofrendo com essas inverdades que alguns canais católicos disseminam, confundindo sobretudo o povo simples de nossas comunidades, que os escutam como se estivessem ouvindo o próprio Deus.

Sabemos que, na era da comunicação eletrônica e das redes sociais digitais, as instituições tradicionais perderam seu poder de influência e de respaldo à verdade. Qualquer líder religioso que se serve das redes para transmitir suas mensagens, tem garantida a difusão de sua fala em escala geométrica.

Vivemos hoje uma situação em que pessoas que possuem escasso conhecimento sobre um assunto acreditam saber mais que os outros consistentemente preparados. Isso faz com que tomem decisões equivocadas e cheguem a resultados indevidos. A incompetência restringe sua capacidade de reconhecer os próprios erros.

Estas pessoas apostam numa superioridade ilusória. Desta forma, o poder mágico da telecomunicação empodera quem nela aparece, sobretudo se arroga para si o falar em nome de Deus, de Jesus Cristo ou da Igreja.

Pessoas visivelmente despreparadas falam com tanta convicção e arrogância sobre assuntos que não conhecem, que acabam por transmitir uma opinião absurda como se fosse a mais pura verdade.

Em contrapartida, pessoas muito capacitadas podem diminuir sua autoconfiança e sofrer de inferioridade ilusória. Estas pessoas, acostumadas à vigilância e à autocrítica constantes, podem pensar que não são tão capacitadas e passam a subestimar as próprias habilidades. No limite, chegam a acreditar que pessoas menos capazes são tão ou mais capazes do que eles.

Há canais e pregadores que, valendo-se do título de católicos e arvorando-se a defensores da ortodoxia,

Não há instância externa a eles que os regule, avalie e se lhes contraponha quando necessário.

Podem causar um mal irreparável tanto na transmissão das verdades da fé quanto na formação da opinião pública, e muitas vezes formam, com aquele meio de comunicação uma comunidade de pertencimento, que funciona como um referencial absoluto de suas informações, ideias, valores, convicções, comportamentos pessoais e sociais.

Neste dramático tempo de pandemia, que já ceifou mais de 2.000.000 de vidas no mundo e mais de 212.000 no Brasil (nosso país, com 2,7% da população mundial, tem se mostrado responsável por 10% de óbitos por Covid-19 no planeta!)

  • Igreja Católica vem se colocando coerente e generosamente a serviço da vida.
  • Basta ver as atitudes e os gestos do Papa Francisco e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e da REPAM.

Por isso, é inadmissível que, na contramão,

  •  pregadores católicos despreparados, quando não ideologizados, minimizem as medidas sanitárias básicas, como o uso de máscaras, a higienização das mãos, o distanciamento social,
  • e indisponham as pessoas contra a única medida capaz de debelar o vírus, que é a vacina,
  • como, aliás, vem fazendo sistematicamente o Presidente da República, com sua política irresponsável e genocida.

Que conhecimento científico têm esses senhores para desautorizarem um conhecimento tecnicamente comprovado? Suas opiniões transmitidas como se fossem oráculos causam um dano incalculável em pessoas simples de nossas comunidades que os ouvem.

povo católico que segue estes canais não pode ser prejudicado por quem para eles representa o próprio Jesus Cristo, que não veio para enganar, “roubar, matar e destruir” (Jo 10,9), mas – segundo suas próprias palavras na sinagoga de Nazaré – veio para anunciar a Boa Notícia aos pobres, proclamar a liberdade aos prisioneiros, dar visão aos cegos, pôr em liberdade os oprimidos (cf. Lc 4, 18), para que “todos tenham vida e a tenham com abundância” (Jo 10, 10).

Precisamos dar um basta nisso, ou a Igreja Católica cairá num descrédito imenso, numa sociedade que já a escuta muito pouco. Esses canais provocam em muitos casos um desserviço à evangelização.

 

Padres da Caminhada e Padres Contra o Fascismo

21 de Janeiro de 2021.

Fonte:  http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/606376-basta-de-ma-informacao-nos-chamados-meios-catolicos-de-comunicacao

Leia mais:

2 comments to Basta de má informação nos chamados meios católicos de comunicação

  • Sandro Vespasiani

    Infelizmente as Mídias que deveriam ‘servir’ com verdades não tem o ‘selo’ da mesma. É certo que não sejam todas, mas ninguém sabe quem são. Por isso nos achamos nesse marasmas de noticias e com a nossa visão temos que ‘pescar’ e jogar fora os ‘pesches’ que não prestam. Por isso digo: chega, vem, Senhor Jesus!

  • Beto

    Alexandre Garcia, um dos mais conceituados jornalistas e católico praticante, deu hoje a seguinte notícia: em 36 cidades gaúchas foi adotado o tratamento precoce do covide com resultados surpreendentes. Se nas demais cidades onde não foi adotado o tratamento precoce as mortes chegaram a 64 por 100.000, nas 36 cidades, onde foi aplicado o tratamento precoce despencaram as mortes para 26 por 100.000. Desde março 2020 o presidente recomendava este tratamento e assim milhares já se salvaram. E mesmo assim a carta ainda continua chamando o presidente de irresponsável e genocida. Bem, este tratamento injusto só vai aumentar a popularidade do presidente.

Leave a Reply

You can use these HTML tags

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>