Huawei diz esperar ‘racionalidade’ do Brasil sobre futuro da tecnologia no país

Ciência e Tecnologia

Huawei says US pressure on Brazil threatens long delays in 5G rollout | Deccan Herald

Agência Estado, Via Dom Total –  26/11/20

‘Estamos sendo usados para uma disputa entre duas superpotências mundiais’, diz o diretor global / Foto: Deccan Herald

No Brasil, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) estima que a Huawei esteja presente em algo entre 35% a 40% das redes atuais. Banir a empresa é uma decisão que depende de decreto presidencial – até agora, não há um posicionamento claro sobre o tema.

 

Principal alvo da pressão americana no 5G e acusada de ser um braço de espionagem do governo chinês, a Huawei diz esperar

“racionalidade” do governo brasileiro na decisão que norteará o futuro da tecnologia no país. Estamos sendo usados para uma disputa entre duas superpotências mundiais”,

diz o diretor global de cibersegurança da empresa chinesa, Marcelo Motta (na Foto/ Valor Econômico).Governo ainda estuda participação da Huawei na nova tecnologia | Suplementos | Valor Econômico

 

Segundo ele, muitos países podem reavaliar seu posicionamento em razão da mudança no governo dos Estados Unidos, com a vitória do democrata Joe Biden, enquanto outros adiaram sua decisão em razão disso.

Nove dias

  • após o subsecretário para Crescimento Econômico, Energia e Meio Ambiente do Departamento de Estado dos EUA, Keith Krach, pregar o banimento da Huawei no Brasil,
  • a direção mundial da empresa reagiu.
  • Na terça-feira, a Embaixada da China em Brasília reagiu à acusação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, de que o país praticaria espionagem por meio de sua rede de tecnologia 5G.

Brasileiro, Motta está na Huawei desde 2002 e vive na China há oito anos, quando assumiu a chefia global da área de cibersegurança da empresa. Ele relata que

  • as acusações sobre a empresa não são novas, mas subiram de tom quando a Huawei começou a se expandir.
  • Mundialmente, a empresa faturou US$ 123 bilhões (R$ 655,86 bilhões) em 2019, aumento de 19% ante 2018.
  • Até o terceiro trimestre de 2020, a registrava receitas de US$ 100 bilhões (R$ 533,22 bilhões), alta de 9,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.

No Brasil, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) estima que a Huawei esteja presente em algo entre 35% a 40% das redes atuais.

Banir a empresa é uma decisão que depende de decreto presidencial – até agora, não há um posicionamento claro sobre o tema.

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A ENTREVISTA

Qual a expectativa da Huawei em relação à decisão do governo brasileiro no 5G?

Esperamos que a racionalidade impere e que qualquer decisão não seja tomada com base em rumores. Fazemos todo o esforço para mostrar nossa transparência e expressar isso para além das operadoras, mas também para o governo. Estamos ativamente em contato com governo e Congresso. Colocamos nossos equipamentos à disposição para testes com seu próprio time de técnicos, para que o governo se blinde de comentários externos e tome suas decisões de forma soberana. É nesse sentido que temos atuado e estamos confiantes de que a racionalidade vai prevalecer. Nossa exclusão faria com que muitos processos envolvendo o 5G atrasassem no País. Seria uma pena de isso de fato ocorrer.

O que a Huawei tem feito para rebater as acusações de espionagem por parte de outros países?

Segurança cibernética e proteção de dados são prioridades máximas para a empresa e isso é de longa data. Sabemos que estaremos acabados se tivermos qualquer problema nessa área. Por isso, aprimoramos o processo de governança em segurança cibernética.

  • Laboratórios independentes testam cada solução antes que ela seja lançada no mercado. Somos a única empresa a ter centros globais de segurança cibernética, em Dongguan (China) e Bruxelas (Bélgica).
  • Nesses centros, clientes, operadoras e governos podem ter acesso ao código-fonte de nossas soluções
  • e fazer auditorias usando seu pessoal e ferramentas, para que tirem as próprias conclusões, sem a influência de acusações infundadas e sem provas.

 

Como a Huawei vê a pressão dos EUA pela adesão do Brasil à Clean Network e pelo banimento da companhia?

A iniciativa Clean Network

  • não cobre única e exclusivamente telecom,
  • mas aplicativos, smartphones e cabos intercontinentais submarinos.

O nome “Rede Limpa” é bonito, e quem não conhece pode até cair e se deixar seduzir, mas a definição está na página da Clean Network na internet.

  • O objetivo é muito claro: tirar qualquer fornecedor chinês do espaço cibernético.
  • O problema não é específico contra a Huawei.
  • Estamos sendo usados para uma disputa entre duas superpotências.

 

Quais benefícios o 5G pode trazer para a economia mundial?

Quando o 5G estiver instalado e desenvolvido, os benefícios vão muito além de velocidade alta e tempo de resposta baixo. Em vez de um único fornecedor global de aplicativos, muitos aplicativos serão locais, desenvolvidos primordialmente por empresas locais. No agronegócio e na manufatura inteligente, o processamento de dados de aplicações será local. O 5G trará investimento para as economias com ganhos de eficiência e desenvolvimento. Quando se colocam restrições para o avanço do 5G, simplesmente se trava o desenvolvimento da economia local.

 

Agência Estado, Via Dom Total

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