Presidente da Anvisa é aliado de Bolsonaro e participou de ato contra o STF e Congresso Nacional

Barra Torres assumiu o cargo em janeiro por indicação de Bolsonaro.

Barra Torres assumiu o cargo em janeiro por indicação de Bolsonaro. (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

A presença do diretor da Anvisa na manifestação causou perplexidade em técnicos da área da Saúde do governo. Para eles, a ida de Bolsonaro ao ato acompanhado de Barra tira crédito da campanha de prevenção que vinha sendo feita e confunde a população.

 

Durante a polêmica paralisação dos testes da vacina Coronavac todas as atenções se voltaram para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Desde o início da semana, apoiadores e dissidentes do presidente Jair Bolsonaro estiveram de olho especialmente nas declarações do presidente do órgão, o médico e contra-almirante Antonio Barra Torres.

Diretor da Anvisa que participou de ato com Bolsonaro é diagnosticado com covid-19 - Política - Estadão

Foto: Barra Torres, Presidente da Anvisa,  sem máscara,  filmando Bolsonaro / DAQUI

 

Isso porque Barra Torres assumiu o cargo em janeiro por indicação de Bolsonaro.

  • março, no início da pandemia no Brasil, ele ganhou projeção e foi alvo de críticas
  • ao participar de um ato pró-governo e com ataques ao Congresso Nacional o Supremo Tribunal Federal (STF) em Brasília.
  • Nem Barra Torres nem Bolsonaro usavam qualquer tipo de proteção.

No dia 15 de março,

  • Bolsonaro descumpriu recomendações de isolamento social durante a pandemia e, acompanhado de Torres,
  • participou de um protesto em frente ao Palácio do Planalto.
  • Na ocasião, o presidente fez selfies com o rosto colocado e tocou nas mãos das pessoas.
  • Em alguns momentos da transmissão do encontro, Barra Torres aparece filmando os cumprimentos entre Bolsonaro e os apoiadores presentes.

A presença do diretor da Anvisa na manifestação causou perplexidade em técnicos da área da Saúde do governo. Para eles, a ida de Bolsonaro ao ato acompanhado de Barra tira crédito da campanha de prevenção que vinha sendo feita e confunde a população.

Pela proximidade com o presidente da república, Barra Torres chegou a ser cotado para assumir o comando do Ministério da Saúde após a saída de Luiz Henrique Mandetta. Ele seguiu na Anvisa também mesmo após a troca pela segunda vez de ministro, quando Nelson Teich foi substituído por Eduardo Pazuello.

Em maio, o presidente da Anvisa confirmou em vídeo que testou positivo para o coronavírus. Teve sintomas leves da doença e retornou ao trabalho cerca de 15 dias depois. Na terça-feira, Barra Torres tentou se esquivar da “guerra política”. Em entrevista coletiva, disse que

  • apesar de haver um embate entre o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) e Bolsonaro,
  • o cancelamento do estudo da Coronavac utilizou apenas critérios técnicos.
Barras Torres afirmou que a interrupção dos estudos da vacina não tiveram a ver com seu apoio ao governo – Divulgação

“Quando temos eventos adversos não esperados, a sequência de eventos é uma só: interrupção dos estudos. A responsabilidade é nossa, de atestar a segurança de uma vacina e sua eficácia. Que outra decisão é possível diante de um evento adverso grave não esperado e com informações incompletas? O protocolo manda que seja feita a interrupção do teste.”

Barra Torres assumiu efetivamente a presidência da Anvisa em janeiro no lugar de William Dib. Ele é formado em medicina e ingressou na Marinha em 1987. Em 2015, chegou ao posto de contra-almirante, o terceiro mais alto da corporação. Ele também foi diretor do Centro de Perícias Médicas da Marinha e do Centro Médico Assistencial da Marinha.

Nesta quarta,

  • a Anvisa autorizou a continuidade dos testes da Coronavac, vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantã.
  • O estudo havia sido suspenso na segunda-feira, 9, por causa da ocorrência de um evento adverso grave em um dos voluntários.

Segundo fontes da pesquisa, o evento adverso foi a morte de um homem de 32 anos, com suicídio como causa provável, e que não teria nenhuma relação com o imunizante.

Agência Estado/Dom Total

FONTE:  https://domtotal.com/noticia/1482619/2020/11/presidente-da-anvisa-e-aliado-de-bolsonaro-e-participou-de-ato-contra-o-stf-e-congresso-nacional

 

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