“França está a ser atacada”, assume Macron após ataque terrorista em Nice

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“Se somos novamente atacados é por causa dos valores que são nossos: a liberdade, a possibilidade de cremos livremente e de não cedermos a nenhum espírito de terror. Digo-o, de novo, e com enorme clareza: não nos vamos render a nada”,

afiançou o chefe de Estado francês.

Macron

  • decretou estado de alerta máximo para todo o país
  • e anunciou a mobilização de 7 mil militares, que irão “proteger todos os lugares de culto e, particularmente, as igrejas”.

Fontes da polícia disseram à Reuters que uma das vítimas mortais do ataque em Nice foi degolada pelo atacante, que a tentou decapitar.

O presidente da câmara da cidade, Christian Estrosi, afirmou que uma das mortes ocorreu de “forma horrível” – sem confirmar a degolação – e apontou o dedo ao “islamofascismo”.

“As minhas primeiras palavras são de compaixão para os amigos e familiares das vítimas e da comunidade paroquial. E para todas as pessoas de Nice que estão sob o choque da emoção”,

reagiu o autarca, citado pelo jornal local Nice Matin.

“Nice, como França, está a pagar um enorme preço – demasiado pesado – por ser uma vítima do islamofascismo”, denunciou Estrosi.

“Chegou a altura de a França se exonerar das leis pacíficas para erradicar definitivamente o islamofascismo do nosso território.”

Citado pela Reuters, um representante do Conselho Francês da Fé Muçulmana

  • condenou o ataque e,  “como sinal de luto e de solidariedade para com as vítimas e os seus familiares”,
  • pediu a “todos os muçulmanos em França que cancelem todas as celebrações” do nascimento do profeta Maomé, que terminam esta quinta-feira.

Numa outra cidade francesa, Avinhão, um homem armado com um revólver foi abatido pela polícia. As autoridades não fazem, no entanto, qualquer ligação entre os dois incidentes desta quinta-feira.

Atacante no hospital

O principal suspeito do ataque foi neutralizado e transportado para o hospital, informou Christian Estrosi. Segundo os media franceses, terá sido atingido pelas forças de segurança com uma arma de fogo.

O jornal parisiense Le Figaro escreve que foi mobilizada para o local uma equipa especial de desactivação de engenhos explosivos, por causa de um pacote suspeito.

Gerald Darmanin, ministro do Interior de França, revelou ainda que está em marcha uma operação policial em Nice, que envolve as divisões antiterrorismo.

Segundo atentado

Este é o segundo atentado terrorista que envolve a decapitação, ou a tentativa de decapitação, de uma pessoa em França num curto período de tempo.

No dia 16 de Outubro, um professor de História de uma escola nos arredores de Paris foi assassinado por um jovem de 18 anos, de ascendência tchetchena, nesses mesmos moldes, depois de ter mostrado aos alunos algumas caricaturas do profeta Maomé, numa aula sobre liberdade de expressão.

O Governo francês reagiu com impetuosidade a esse crime, autorizando rusgas, detenções, planos de deportações e o desmantelamento de organizações entendidas como fundamentalistas islâmicas.

Para além disso, o Presidente Macron garantiu, num discurso muito crítico – que motivou protestos em vários países de maioria muçulmana e, particularmente, a Turquia – que

  • não iria deixar que o fundamentalismo islâmico subverta os valores e os direitos individuais franceses,
  • como a liberdade de expressão.

A cidade de Nice, no Sul do país, também foi palco de um violento atentado terrorista, em 2016, quando um homem atropelou e disparou sobre dezenas de pessoas que celebravam o Dia da Bastilha. Morreram 86 pessoas e mais de 400 ficaram feridas.

 

António Saraiva Lima on Twitter: "A new era in Angola? @JoseOmunga explains… "

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António Lima

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