Surgem provas de que o Vaticano censurou o Papa Francisco em 2019

Semana – 27 Outubro 2020 -Foto: Paul Haring / CNS

A estreia mundial de um documentário sobre o papa Francisco deveria ser um momento luminoso para um pontificado enclausurado pela pandemia e assediado por um escândalo de corrupção, ao recordar dos dias de glórias quando Francisco recorria o mundo para bendizer os oprimidos.

Porém, a estreia com tapete vermelho do documentário “Francesco” fez o contrário ao surgirem provas de que o Vaticano censurou o Papa no ano passado, ao apagar de uma entrevista o seu respaldo às uniões civis de pessoas do mesmo sexo, fragmento que reapareceu no documentário.

A informação é publicada por Semana, 23-10-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

 

Além da tempestade gerada pelos comentários, o fiasco reorientou os holofotes sobre as feridas frequentemente autoinfligidas do Vaticano nas comunicações e na disposição de Francisco de promover sua própria agenda, mesmo ao custo de reação dos conservadores dentro do Igreja.

A reação foi tão rápida como prevista: o cardeal Raymond Burke frequente nêmesis de Francisco em matéria de doutrina, disse que as declarações do Papa careciam de “peso magisterial”, porém Burke expressou a preocupação de que opiniões pessoais semelhantes do Papa “geram grande desconforto e sejam causa de confusão e erro entre os fiéis católicos”.

A confusão começou na quarta-feira passada com a estreia mundial de “Francesco”, um longa-metragem sobre Francisco e os assuntos que mais importam para o Papa: mudança climática, refugiados, desigualdade social. Na metade do filme, expressa a opinião

Christopher Lamb, da revista britânica The Tablet, observou

  • que em alguns países os direitos dos homossexuais são questão de vida ou morte
  • e que Francisco quer que a Igreja defenda os católicos LGBT de uma discriminação fatal.

“O Papa está disposto a ‘quebrar pratos’ para garantir que comunica esta mensagem de compaixão baseada no Evangelho”, tuitou.

Porém, o conteúdo das palavras do Papa quase foi perdido na controvérsia sobre a sua origem.

No início, o direto Evgeny Afineevsky assegurou que Francisco havia lhe dito essas declarações diretamente. Então um assessor de Francisco disse que eram de uma entrevista de 2019 à rede mexicana Televisa e que, portanto, eram uma notícia velha.

Televisa confirmou a origem das citações, porém disse que nunca foram ao ar.

Uma fonte no México disse que

  • o Vaticano – que filmou a entrevista com suas próprias câmeras e entregou a filmagem sem editar para a Televisa –
  • eliminou a citação sobre as uniões civis. A fonte falou sob condição de anonimato por não estar autorizada a informar a imprensa.

Vaticano negou-se a fazer declarações e impôs uma espécie de apagão jornalístico sobre todo o assunto. Nenhum dos organismos internos do Vaticano informou sobre a censura e na sexta-feira o jornal italiano Il Fatto Quotidiano reproduziu um e-mail de um empregado do ministério de Comunicações do Vaticano, no qual não eram feitas declarações, mas dizia que

“foram iniciadas conversas para enfrentar a atual crise midiática”.

 

 Semana

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