No consistório de novembro, o Papa vai nomear 13 cardeais próximos da sua sensibilidade pastoral

Mas não seria melhor uma Igreja católica sem cardeais? Não são eles os criadores das grandes crises na Cúria Romana? O que trazem de bom para a Igreja esses “pavões” vestidos de púrpura, com aspiração a príncipes? Onde se fala de cardeais, no Novo Testamento?

 

Consistório de 5 de outubro de 2019

 Francesco Antonio Grana – 25 de outubro de 2020 – Foto: Consistório de 2019 / Daqui

Na lista, lida como é tradição pelo Pontífice ao final do Ângelus, há nove cardeais eleitores num possível conclave, ou seja com menos de oitenta anos, dos quais um padre, e quatro que não poderão votar no futuro bispo de Roma, dos quais dois padres.

 

Um consistório, no mínimo, revolucionário.

  • Embora ainda não se tenham acalmado, mais dentro do que fora da Igreja, as polémicas acerca das afirmações do Papa Francisco sobre as uniões civis mesmo entre pessoas homossexuais, censuradas pelo Vaticano,
  • Bergoglio anunciou a nomeação de treze novos cardeais, dos quais seis italianos, no consistório que ocorrerá no dia 28 de novembro, véspera do primeiro domingo do Advento.

Da lista, lida como é tradição pelo Papa no final do Angelus, fazem  parte nove cardeais eleitores num eventual conclave, ou seja, com menos de oitenta anos, dos quais um é sacerdote, e quatro não poderão votar na eleição  do futuro Pontífice, entre eles dois padres.

O que causa surpresa desta vez

  • não são apenas as exclusões ilustres na Cúria romana e nas dioceses italianas mais importantes, como Milão,
  • onde o arcebispo Mario Delpini não consegue entrar, neste que é o terceiro consistório desde quando ele sucedeu ao cardeal Angelo Scola.

De fato,

  • o que emerge ao se analisar a lista dos escolhidos pelo Papa naquele que será o seu sétimo consistório,
  • é a escolha de personalidades que Francisco considera muito próximas da sua sensibilidade pastoral.

O sinal claro de que Bergoglio se sente cada vez mais cercado pela Cúria romana e não apenas, notadamente à luz da investigação financeira que atropelou literalmente a Secretaria de Estado. Uma investigação que recentemente levou à renúncia do cardeal Angelo Becciu ao cargo de prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, ao qual o Papa pediu também a renúncia aos direitos relativos à púrpura.

Com a defenestração de Becciu, os cardeais eleitores atingiram precisamente o número de cento e vinte, limite fixado por São Paulo VI e confirmado por São João Paulo II. Com as novas nomeações decididas por Francisco, os cardeais que podem entrar no conclave sobem agora para cento e vinte e nove.

Abrindo a lista está

  • o maltês Mario Grech, secretário-geral do Sínodo dos bispos. O novo cardeal assumiu recentemente o cargo que era do fidelíssimo a Bergoglio, Lorenzo Baldisseri, que foi secretário do conclave que elegeu, em 2013, o arcebispo de Buenos Aires.
  • Em segundo lugar vem, como sempre, o outro membro da cúria nomeado cardeal neste consistório: Marcello Semeraro, natural de Lecce, que recentemente substituiu Becciu como prefeito da Congregação para as Causas dos Santos.

Mas que, durante estes quase oito anos de pontificado, embora mantendo o cargo de bispo de Albano, também desempenhou o papel de secretário do Conselho dos cardeais que ajuda o Papa na reforma da Cúria Romana e no governo da Igreja universal.  Semeraro e Bergoglio  conhecem-se  desde há vinte anos e começaram a colaborar em 2001, quando se encontraram lado a lado na organização do Sínodo dos Bispos que Wojtyla quis realizar naquele ano.

 

Imagem

Dos 13 novos cardeais, 6 são italianos. Em ordem: Semeraro, Lojudice, Gambetti, Tomasi, Catalamessa e Feroci – Imagem / Daqui

 

Entre as outras nomeações deste consistório, destacam-se as dos outros dois italianos que constam da lista de novos cardeais eleitores.

  • O romano Augusto Paolo Lojudice, arcebispo de Siena-Colle di Val d’Elsa-Montalcino, sempre esteve próximo dos rom1 e dos pobres da capital, onde foi pároco por muito tempo antes de se tornar bispo auxiliar de Roma. Uma sensibilidade para com os últimos que Dom Paolo, como gosta de ser chamado até hoje, sempre manteve e de que também dá testemunho na diocese toscana para onde Francisco o enviou em 2019.
  • O último novo cardeal eleitor italiano é o bolonhês Mauro Gambetti, padre franciscano e guardião do Santo Convento de Assis.

Uma nomeação que reforça mais uma vez o forte vínculo que existe entre a cidade do Poverello e o Papa que decidiu chamar-se como esse santo. No dia 3 de outubro, véspera da festa de São Francisco, Bergoglio foi a Assis para celebrar, de forma privada devido à pandemia, a missa no túmulo do frade e para assinar sua terceira encíclica, Fratelli tutti. Um texto inspirado desde o título exatamente por São Francisco como a encíclica anterior que iniciava com um trecho do Cântico das criaturas, Laudato si’.

Os outros cinco cardeais eleitores são:

  • Antoine Kambanda, arcebispo de Kigali em Ruanda,
  • Wilton Daniel Gregory, arcebispo Washington nos Estados Unidos, conhecido por suas posições pró-gay e LGBT,
  • Jose Fuerte Advincula, arcebispo de Capiz nas Filipinas,
  • o espanhol Celestino Aós Braco, arcebispo de Santiago do Chile, onde o Papa está reconstruindo todo o episcopado depois de o ter zerado devido à cobertura da pedofilia do clero e Cornelius Sim, vigário apostólico de Brunei.

Os quatro cardeais não eleitores são

  • Felipe Arizmendi Esquivel, bispo emérito de San Cristobal de las Casas no México,
  • Silvano Maria Tomasi de Vicenza, núncio apostólico,
  • Raniero Cantalamessa, de Ascoli, pregador da Casa Pontifícia e rosto conhecido da televisão,
  • e Enrico Feroci, pároco de Santa Maria del  Divino Amore em Castel di Leva e ex-diretor da Cáritas de Roma.

«Rezemos pelos novos cardeais – disse o Papa aos fiéis presentes na Praça de São Pedro – para que, confirmando a sua adesão a Cristo, me ajudem no meu ministério de bispo de Roma para o bem de todo o santo povo de Deus».

 

NOTAS:

1 Rom (plural roma) –“indivíduo de um povo originário do norte da Índia, que migrou para oeste (antiga Pérsia, Egito) de onde se espalhou pelos países do Ocidente, aparecendo na Grécia e na Europa oriental (Romênia, Boêmia) por volta do fim do século XIII, depois na Europa ocidental no século XV, e falante de uma língua indo-europeia específica”.(Dicionário Houaiss).

Roma – conjunto de grupos de migrantes e nômades espalhados pelo continente europeu e nas Américas. Os Roma (rom, na língua romani, significa”homem, ser humano”) também são indicados com o termo Sinti (de Sindh, região do oeste do Paquistão, de onde provavelmente se originaram), ou com o termo mais comum ciganos (de Atsigan, Tsigan, adaptação do grego medieval ᾿Αϑίγγανος, “intocável”, que, no plural, designava uma seita de maniqueus da Frígia).(Enciclopedia Trecani)

 

Francesco Antonio Grana, Il Fatto Quotidiano

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Francesco Antonio Grana

Fonte: https://www.ilfattoquotidiano.it/2020/10/25/al-concistoro-del-28-novembre-papa-francesco-nominera-13-nuovi-cardinali-vicini-alla-sua-sensibilita-pastorale/5979200/

 

 

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ALGUNS DADOS SOBRE OS 13 NOVOS CARDEAIS (da Wikipedia)

Consistório

O Consistório Ordinário Público de 2020 será o sétimo do pontificado do Papa Francisco. O Papa criará 13 novos cardeais, dos quais 9 eleitores e 4 eméritos (não eleitores).

Neste consistório estarão representados onze países, com

Cardeais: Os prelados elevados ao cardinalado foram os seguintes:

País Nome Idade Cargo Título ou Diaconia
Cardeais Eleitores
1  Malta Mario Grech 63 Secretário Geral do Sínodo dos Bispos
2  Itália Marcello Semeraro 72 Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos
3 Ruanda Antoine Kambanda 62 Arcebispo de Kigali
4  Estados Unidos Wilton Daniel Gregory 72 Arcebispo de Washington
5 Filipinas Jose Fuerte Advincula 68 Arcebispo de Capiz
6  Chile Celestino Aós Braco, O.F.M.Cap. 75 Arcebispo de Santiago do Chile
7  Brunei Cornelius Sim 69 Bispo-titular de Puzia na Numídia e Vigário Apostólico de Brunei.
8  Itália Augusto Paolo Lojudice 56 Arcebispo de Siena-Colle Val d’Elsa-Montalcino
9  Itália Mauro Gambetti, O.F.M.Conv. 55 Guardião do Sagrado Convento de Assis.
Cardeais Eméritos (não eleitores)
10  México Felipe Arizmendi Esquivel 80 Bispo emérito de San Cristobal de las Casas (México).
11  Itália Silvano Maria Tomasi, CS 80 Arcebispo-titular de Asolo, Núncio Apostólico.
12  Itália Raniero Cantalamessa, O.F.M. Cap. 86 Pregador da Casa Papal
13  Itália Enrico Feroci 80 Pároco em Santa Maria del Divino Amore em Castel di Leva.

Nota: A idade reporta-se ao dia do Consistório.

Referências

 

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