Voltaremos a gostar de tecnologia?

Texto Coletivo - 2017 - Nos tornamos reféns da tecnologia? - Wattpad

João Pedro Pereira – 12 DE OUTUBRO DE 2020

Há pouco mais de 15 anos, quando apareceram os Google Maps, era fácil perder horas a navegar em fascínio pelas vistas aéreas da cidade onde se vivia ou de locais a milhares de quilómetros de distância.

 

 

O primeiro iPhone parecia quase saído da ficção científica. Um computador tirado de um envelope arrancava expressões de espanto à plateia. E o ecrã de tinta electrónica do Kindle pôs bibliófilos a sonharem com a ideia de uma biblioteca no bolso.

Dizem que Steve Jobs

  • ficou aos saltos de excitação quando, no final da década de 1970,
  • viu nos laboratórios da Xerox uma demonstração do rato (mouse – NdR)
  • e de uma interface para computadores que usava um cursor e um sistema de janelas, em vez das enfadonhas linhas de código.

Ao longo das últimas quatro décadas, em que as tecnologias de informação explodiram, houve muitos momentos em que novos produtos causaram entusiasmo e, em casos mais raros, deslumbramento.

Há algum tempo que isso não acontece.

A tecnologia tornou-se fonte de preocupações relacionadas com

  • a privacidade,
  • a segurança,
  • o ambiente,
  • o consumismo,
  • a desinformação,
  • as fracturas sociais,
  • a desigualdade económica
  • e o funcionamento das democracias.

Hoje, é mais provável que um anúncio de uma grande tecnológica nos dê pesadelos sobre o futuro do que nos ponha a sonhar com ele.

O recente relatório do Congresso americano sobre as grandes tecnológicas

  • é só mais um episódio
  • a reflectir a perda de brilho da tecnologia.

Apple, Amazon, Facebook e Alphabet (dona do Google)

  • têm um desprezo generalizado pelas leis da concorrência
  • e actuam em constante abuso de posição dominante, concluíram os congressistas.

O relatório

  • recomenda que as empresas sejam divididas,
  • propõe alterações legislativas
  • e faz lembrar o caso no final da década de 1990 em que a Microsoft esteve quase a ser separada em várias empresas por ordem judicial (curiosamente, a Microsoft já não é motivo de tão grande preocupação e foi até poupada às audições no Congresso).

O documento é só um eventual começo e as marcadas divisões partidárias que sulcam a vida política americana também aqui se reflectiram, com os congressistas republicanos a discordarem dos democratas nas soluções propostas, ainda que não no diagnóstico.
Seja qual for o desfecho, certo é que o relatório não surpreendeu ninguém.

E isso não é um bom estado de coisas.

 

Digno de nota

O Facebook vai passar a eliminar qualquer publicação que negue o Holocausto. É uma mudança de posição.

Há dois anos, Mark Zuckerberg argumentava que era uma questão de liberdade de expressão e que as pessoas tinham direito a estar erradas a este respeito.

– Filmar os mais pequenos a abrir caixas de brinquedos pode ser um negócio.

É por isso que, em França, foi aprovada uma lei para proteger as crianças dos influencers.

 

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João Pedro Pereira

Fonte: Público / Tecnologia

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