Covid-19: OMS diz que “há demasiados países a ir na direcção errada”

O aumento mundial de casos está a dever-se a poucos países, diz a OMS sem os nomear.

EUA, Brasil e Índia têm tido grande crescimento na transmissão.

Ontem [domingo], foram reportados à OMS 230 mil casos de covid-19.
Quase 80% destes casos vieram de apenas dez países, e 50% de apenas dois”, notou, não dizendo que dois países eram esses.
O número de infecções pelo SARS-CoV-2 no mundo não dá sinal de parar de aumentar e muitos governos estão a contribuir para o problema, disse esta segunda-feira o director-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus:
  • “Deixem-me ser directo: há demasiados países a ir na direcção errada”, declarou.
  • “O vírus continua a ser o inimigo público número um, mas as acções de muitos governos e pessoas não reflectem isso”,

disse ainda o responsável, acrescentando que“se não forem seguidas as medidas básicas, o que vai acontecer a esta pandemia é ficar muito, muito, muito pior”. No entanto, sublinhou, “não tem de ser assim.”

Tedros Adhanom Ghebreyesus falava depois de na véspera a OMS ter confirmar um recorde no aumento diário do número de casos de infecção — mais 230.370 em 24 horas.

O director-geral da OMS teve ainda algumas palavras para os confinamentos que vão sendo reintroduzidos.

  • “Temos de chegar a uma situação sustentável em que temos controlo adequado do vírus sem ter de parar totalmente as nossas vidas”, disse.
  • Andar “de confinamento em confinamento tem um impacto extremamente negativo nas sociedades”, opinou.

O responsável notou ai que há países que estão a contribuir de modo muito claro para o aumento:

“Ontem [domingo], foram reportados à OMS 230 mil casos de covid-19. Quase 80% destes casos vieram de apenas dez países, e 50% de apenas dois”,

notou, não dizendo que dois países eram esses.

Segundo os dados da Universidade John Hopkins, os EUA, a Índia e o Brasil tiveram juntos mais de 112 mil novos casos no domingo.

A Índia está a surgir como um caso especialmente preocupante, com aumentos muito rápidos em algumas zonas a par de uma grande desconfiança nos números já que não há uma autoridade de Saúde central nem registos de óbitos.

Segundo a emissora Al-Jazeera (com sede no Qatar), os dados oficiais mostram que 43% por mortos tinham entre 30 e 60 anos mas como aponta o epidemiologista  Jayaprakash Muliyil, da Universidade Católica de Vellore, tendo em conta que se sabe que

  • o vírus é mais letal para pessoas mais velhas,
  • muitas mortes entre idosos indianos não estão a chegar ao conhecimento das autoridades
  • ou não estão a ser contabilizadas, diz.

O quadro no país de mais de mil milhões de pessoas é variado.

  • O estado de Kerala, por exemplo, foi elogiado pelo modo como reagiu após terem sido aí reportados os três primeiros casos de covid-19 da Índia —
  • isolou doentes, encontrou contactos e pô-los em quarentena,
  • e levou a cabo uma política abrangente de testes.

Já as autoridades do estado de Deli, que inclui a capital, têm  sido criticadas por não antecipar um aumento dos casos nas últimas semanas à medida que as medidas de confinamento foram sendo relaxadas.

Um artigo da Foreign Policy sobre o coronavírus na Índia notava que além

  • dos problemas de registo de causas de morte,
  • relutância em considerar vítimas de covid-19,
  • e poucos testes em geral,

poderá haver outra razão para o número de mortes estar a ser relativamente baixo na Índia:

  • o espaço de tempo que a doença leva desde que a infecção é contraída até que aparecem sintomas e o tempo que estes levam até serem graves.
  • “Pode acontecer que a região esteja ainda numa fase mais atrasada e se for assim, poderá ter em breve um grande aumento.”

A América Latina

  • continua, por outro lado, a sobressair em número de casos, com mais de 3 milhões de infectados,
  • a maioria no Brasil, onde a média diária de mortes é neste momento mais do que mil.

A situação piorou de modo marcado no México,

  • onde o aumento de mortes confirmadas por covid-19 ultrapassou as 35 mil pessoas,
  • fazendo com que o país seja, agora, o quarto país com mais mortes pela doença do mundo (a seguir aos EUA, Brasil e Reino Unido),
  • e ultrapassando a Itália, o primeiro país ocidental a ser duramente afectado pelo coronavírus.

As notícias de Itália

  • continuaram, entretanto, a melhorar, com o número de casos diários confirmados a descer abaixo dos 200:
  • esta segunda-feira registaram-se 169 novos casos e 13 mortes.

O Reino Unido mantém uma situação preocupante. O ministro da Saúde, Matt Hancock, veio dizer num artigo no Telegraph que

  • há mais de cem surtos a ser seguidos, de modo “rápido e silencioso”, pelas autoridades de saúde,
  • quando alguns casos chegam às notícias,

como os surtos em empresas de produção e processamento de vegetais,

  • com 200 trabalhadores de uma delas actualmente em isolamento
  • depois de 73 trabalhadores terem tido resultado positivo no teste do SARS-CoV-2.

No mês passado, lembra o Guardian,

  • foram registados 45o casos de infecção em quatro fábricas ligadas a alimentação,
  • aumentando a preocupação com este tipo de locais.

Já em Espanha, outro país europeu duramente afectado,

  • os números da Catalunha – 301 novos casos esta segunda-feira, quando no domingo tinham sido 816 novos casos num só dia —
  • levaram a Generalitat a um braço de ferro com um tribunal que decretou que um confinamento para o epicentro do surto, Lleida, era ilegal.

 Apesar da decisão do Tribunal, o líder catalão Quim Torra diz que vai decretar o confinamento.

Por outro lado,

  • imagens de festas sem distância física e com um grande número de pessoas durante o fim-de-semana em Mallorca
  • levaram a avisos não só das autoridades espanholas mas também alemãs:
  • o ministro da Saúde, Jens Spahn, alertou para o perigo de contágio também no regresso dos turistas aos seus países.

De Genebra, o director-geral da OMS quis, no entanto, deixar uma última mensagem a todos os países — até aos que estão a atravessar um crescimento descontrolado dos casos.

“Nunca é tarde para controlar o vírus, mesmo em casos de transmissão explosiva”, garantiu.

 

Maria João Guimarães

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Fonte: chttps://www.publico.pt/2020/07/13/mundo/noticia/covid19-oms-ha-demasiados-paises-ir-direccao-errada-1924276

 

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