A Santa Sé expulsa Enzo Bianchi da Comunidade Bose

O ex-prior era um reconhecido especialista em diálogo ecumênico 


La Santa Sede expulsa a Enzo Bianchi de la Comunidad de Bose

Vatican News – 27.05.2020 |Foto: A Santa Sé expulsa Enzo Bianchi da Comunidade de Bose Foto: Daqui

 Em janeiro, foi concluída a visita apostólica, que emitiu parecer sobre abusos de poder e de governo do fundador, considerado por muitos como o “cardeal leigo”.  “A rejeição anunciada das medidas por parte de alguns dos destintários causou uma situação de maior confusão e desconforto”

As medidas referem-se ao irmão Enzo Bianchi, ao irmão Goffredo Boselli, ao irmão Lino Breda e à irmã Antonella Casiraghi.

 

Foi um golpe duro, mas esperado. Enzo Bianchi, fundador da Comunidade de Bose, e três outros membros da mesma Comunidade,

  • terão que sair e se mudar para outro local,
  • deixando todas as suas atribuições,
  • de acordo com um decreto publicado pela Santa Sé, que afeta o presente e o futuro desta comunidade mista e ecumênica.

Bianchi era a “alma” desta comunidade e um dos maiores especialistas no diálogo ecumênico durante décadas.

A expulsão foi determinada por um decreto, assinado pelo cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin e aprovado especificamente pelo Papa Francisco, que vem depois de um “prolongado e cuidadoso discernimento” e depois que, em janeiro passado, a visita apostólica fora concluída. É o que se lê num comunicado que apareceu no site web da Comunidade de Bose.  (Ver abaixo)

“Como anunciamos na época, como resultado das sérias preocupações – lê-se na nota – que chegaram  de diferentes partes da Santa Sé, que indicavam uma situação tensa e problemática na nossa Comunidade relacionada com o exercício da autoridade do fundador, a gestão do governo e o clima fraterno”,

o Papa Francisco determinou uma visita apostólica. Esta visita foi feita pelo Padre Guillermo León Arboleda Tamayo, Abade Presidente da Congregação Beneditina Sublacense-Casinense, pelo Padre Amedeo Cencini, Consultor da Congregação para os Religiosos, e pela Madre Anne-Emmanuelle Devéche, Abadessa de Blauvac.

“Tendo em conta a importância eclesial e ecumênica da Comunidade de Bose, em nível nacional e internacional, e a importância de que ela continue a desempenhar o papel que se lhe reconhece, superando as graves dificuldades e mal-entendidos que poderiam enfraquecê-la ou até anulá-la, com a visita apostólica o Santo Padre se propôs a oferecer à mesma Comunidade uma ajuda na forma de um tempo de escuta por algumas pessoas de comprovada confiança e sabedoria”.

A visita apostólica ocorreu de 6 de dezembro de 2019 a 6 de janeiro de 2020 e, ao final,

“os visitadores apresentaram à Santa Sé o seu informe, elaborado com base na contribuição dos depoimentos livremente dados por cada membro da  Comunidade”.

Enzo Bianchi, con Juan Pablo II

Enzo Bianchi, com João Paulo II

“Após um prolongado e cuidadoso discernimento e oração – explica a nota – a Santa Sé chegou a conclusões na forma de um decreto singular de 13 de maio de 2020, assinado pelo cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado de Sua Santidade e aprovado especificamente pelo papa”.

As decisões foram comunicadas aos interessados ​​nos últimos dias pelo padre Amedeo Cencini, nomeado Delegado Pontifício com plenos poderes  ad nutum Sanctae Sedis, que foi acompanhado pelo Secretário da Congregação para os Religiosos, Mons. José Rodríguez Carballo,  e pelo Arcebispo de Vercelli, Mons. Marco Arnolfo.

A comunicação da decisão,  informa a Comunidade de Bose,

“ocorreu com o maior respeito possível pelo direito à confidencialidade dos interessados.

  • No entanto, a partir da notificação do decreto,
  • a rejeição anunciada das medidas por parte de alguns dos destinatários
  • provocou uma situação de maior confusão e desconforto”;

por esse motivo, considerou-se necessário precisar que as medidas dizem respeito ao irmão Enzo Bianchi, ao irmão Goffredo Boselli, ao irmão Lino Breda e à irmã Antonella Casiraghi, que

“deverão separar-se da Comunidade monástica de Bose e mudar-se para outro lugar, renunciando a todos os cargos que ocupam atualmente”.

Além disso, com uma carta do Secretário de Estado ao Prior e à Comunidade,

“a Santa Sé traçou um caminho de futuro e de esperança, indicando as linhas principais de um processo de renovação, que acreditamos dará um novo impulso à nossa vida monástica e ecumênica.

Neste tempo que nos prepara para o Pentecostes – conclui o comunicado – invocamos um renovado derramamento do Espírito sobre cada coração, para que dobre o que está rígido,  aqueça o que está frio, endireite o que está torto e ajude a todos a fazer prevalecer não o sentimento pessoal, mas a Sua ação”.

 

Bianchi, con el Dalai Lama

Enzo Bianchi, com o Dalai Lama. Foto: Daqui

 

Vatican News

Fonte: https://www.religiondigital.org/vaticano/Santa-Sede-Enzo-Bianchi-Comunidad-bose_0_2235376461.html

NOTA DA REDAÇÃO:

O poder exercido por tempo demais, inclusive na Igreja, geralmente leva a desvios, erros e até desastres. Uma boa rotatividade nos cargos de direção, tanto na Política, como na Justiça, nas Empresas e na Igreja, é sempre salutar. Por isso seria bem melhor que não houvesse cargos vitalícios, mas só por tempo determinado. Inclusive o do papa e dos bispos. E, no Brasil, o dos juízes do STF.

A história recente nos diz que vários fundadores de congregações e outras associações religiosas, por terem ficado tempo demais na direção, levaram suas organizações ao desastre ou até à ignomínia. Basta lembrar Marcial Maciel, fundador dos Legionários de Cristo, no México,  João Clá, fundador dos Arautos do Evangelho, e vários outros na América Latina: todos adversários do Vaticano II, seguidores dos métodos marciais do Opus Dei,  manipuladores de seus membros que são fanatizados e incapazes de senso crítico. E muito ricos, pois frequentam o mundo dos poderosos e exercem chantagem para conseguir dinheiro. Como bem diz o Pe. José Comblin na sua obra póstuma O ESPÍRITO SANTO NA TRADIÇÃO DE JESUS, Nhanduti Editora,  S. B do C., SP., 2012 – p. 449-451.

João Tavares

***

 

A NOTA DO SITE DO MOSTEIRO DE BOSE

Esperança no julgamento

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Como anunciamos na época, após sérias preocupações recebidas de várias partes da Santa Sé que sinalizavam uma situação tensa e problemática em nossa Comunidade no que diz respeito ao exercício da autoridade do Fundador, à gestão do governo e ao clima fraterno, o Santo Padre Francisco organizou uma Visita Apostólica, confiada ao Rev.do P. Guillermo Leon Arboleda Tamayo , OSB, Rev.do P. Amedeo Cencini, FDCC e Rev. Madre Anne-Emmanuelle Devéche, OCSO, Abbadessa de Blauvac.

Tendo em conta a importância eclesiástica e ecumênica da Comunidade de Bose e a importância de que ela continue a desempenhar o papel reconhecido, superando sérias dificuldades e mal-entendidos que poderiam enfraquecê-la ou até mesmo cancelá-la, com a Visita Apostólica o Santo Padre resolveu oferecer a mesma comunidade uma ajuda, na forma de um tempo de escuta por algumas pessoas de comprovada confiança e sabedoria.

A Visita Apostólica ocorreu de 6 de dezembro de 2019 a 6 de janeiro de 2020 e, ao final dela, os Visitantes entregaram à Santa Sé seu relatório, elaborado com base na contribuição dos depoimentos prestados livremente por cada membro da Comunidade.

Após discernimento prolongado e cuidadoso e oração, a Santa Sé chegou a conclusões – na forma de um decreto singular, de 13 de maio de 2020, assinado pelo Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado de Sua Santidade e aprovado de forma específica pelo Papa , que foi comunicado aos envolvidos há alguns dias pelo Rev.do Padre Amedeo Cencini, nomeado Pontifício Delegado ad nutum Sanctae Sedis, com plenos poderes, acompanhado por S.E. Mons. José Rodriguez Carballo, OFM, Secretário da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e da Sociedade da Vida Apostólica, e pela SE Mons. Marco Arnolfo, Arcebispo Metropolitano de Vercelli.

Esta comunicação foi feita com o maior respeito pelo direito à privacidade dos envolvidos. Uma vez que, desde a notificação do decreto, a anunciada rejeição das medidas por alguns destinatários levou a uma situação de ainda maior confusão e desconforto, considera-se necessário esclarecer que as medidas acima dizem respeito ao Irmão Enzo Bianchi, Irmão Geoffrey Boselli, Irmão Lino Breda e Irmã Antonella Casiraghi, que terão que se separar da Comunidade Monástica de Bose e se mudar para outro lugar , perdendo todos os cargos atualmente ocupados.

Além disso, em carta do Secretário de Estado ao Prior e à Comunidade, a Santa Sé traçou um caminho de futuro e esperança, apontando as linhas dinâmicas de um processo de renovação, que confiamos que incutirá um impulso renovado em nossa vida monástica e ecumênica.

Neste tempo que nos prepara para o Pentecostes, pedimos um renovado derramamento do Espírito em cada coração, para que ele dobre o que é rígido, aqueça o que é gelado, endireite o que está torto e ajude a todos a fazer prevalecer o amor que nunca falha.

Fonte:  https://www.monasterodibose.it/comunita/notizie/vita-comunitaria/13892-speranza-nella-prova?tmpl=component&print=1&pdf=1&layout=default

 

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