Oxfam: “Covid, refugiados amontoados e sem água limpa”

Il campo profughi di Moria, sull'isola di Lesbo - foto Giorgos Moutafis

LA STAMPA- Redação – 06 de abril de 2020 – Tradução: Orlando Almeida

O campo de refugiados de Moria, na ilha de Lesbos – foto Giorgos Moutafis

A pandemia atingiu mais de 180 países mas muitas vezes, nas emergências mais graves, mais de 250 refugiados compartilham uma única fonte de água, com um espaço vital inferior a 3,5 metros quadrados per capita. No campo de Moria, na ilha de Lesbos,  1 banheiro sujo para cada 160 pessoas, 1 ducha  para  cada 500, 1 fonte de água para cada 325.  A Oxfam em campo para ajudar 14 milhões de pessoas em 50 países

 

A pandemia já está ocorrendo nos contextos mais graves de emergência, como Lesbos, Gaza, Síria, Bangladesh e Sudão do Sul. Nos campos de refugiados, onde milhões de refugiados vivem amontoados, será quase impossível conter a propagação do coronavírus.

É este o alarme lançado pela Oxfam1 diante de uma situação onde, em muitos campos, mais de 250 pessoas em média são forçadas a compartilhar uma única fonte de água limpa e há  menos de 3,5 metros quadrados de espaço vital per capita.

“Nas próximas semanas e meses, o vírus pode ter um impacto catastrófico em países já devastados por conflitos, epidemias e desnutrição, em muitas regiões do planeta – disse Paolo Pezzati, consultor de políticas para as emergências humanitárias da Oxfam Itália. –

Contextos onde dezenas de milhões de pessoas são forçadas a sobreviver sem água limpa nem estruturas de saneamento. A situação mais séria está nos campos de refugiados que simplesmente não foram projetados para enfrentar uma pandemia desta magnitude.

Em muitos casos, não são respeitados nem mesmo os critérios mínimos concordados com as organizações humanitárias para o abastecimento de água e o espaço físico que deveria ser garantido a cada pessoa para ela poder levar uma vida digna”.

 

O inferno dos campos de refugiados Rohingya (em Bangladesh) e Lesbos

Basta pensar no tentacular campo de refugiados de Cox’s Bazar, em Bangladesh, onde vivem amontoados 40 mil refugiados rohingya por quilômetro quadrado. Um contexto em que desnutrição e doenças como cólera, disenteria e tifo já são uma ameaça concreta para os refugiados que lá vivem, quase sem nenhum  serviço básico de saúde.

Uma situação não menos séria é aquela a que são forçados 20.000 expatriados no inferno do campo de “Moria” em Lesbos, com serviços higiênico-sanitários praticamente inexistentes numa estrutura projetada para acolher não mais que 3.000 pessoas:

  • 1 banheiro sujo para cada 160 pessoas,
  • 1 chuveiro para cada 500,
  • 1 fonte de água para cada 325.

No campo praticamente não há sabão para lavar as mãos, e 15 ou 20 pessoas são forçadas a viver amontoadas num único container ou em alojamentos improvisadas.

 

Gambia Sues Myanmar for Genocide Against Rohingya Muslims | Voice ...

Rohingyas, fugidos de Mianmar, em Cox’s Bazar, Bangladesh Foto: Voice of America

 

“Hoje, mais do que nunca,

  • é fundamental que se garanta a inumeráveis pessoas,
  • já forçadas a deixar tudo para trás para escapar de guerras e perseguições,
  • a possibilidade de sobreviver a esta pandemia – acrescentou Pezzati. –

A OMS, os nossos governos, recomendam-nos todos os dias que mantenhamos um afastamento de pelo menos 1 metro um do outro, que lavemos as mãos com frequência, que consultemos o nosso médico logo que se manifestem os primeiros sintomas compatíveis com o contágio do Covid19, que continuemos em segurança nas nossas casas.

Mas no mundo milhões de pessoas não têm mais um lar para onde voltar. O número global de mortes continua a crescer e a epidemia já afetou mais de 1 milhão de pessoas em mais de 180 países.  Mas isto será apenas a ponta do iceberg,  se não agirmos de imediato  para dar suporte às comunidades mais vulneráveis​​”.

“Muitos países agora estão compreensivelmente concentrados em conter o contágio entre a sua própria população”, – continua Pezzati – “mas ao mesmo tempo é crucial alocar todos os recursos necessários para dar suporte à resposta à pandemia nos países mais frágeis, apoiando o esforço de organizações humanitárias que, como a Oxfam, estão em campo trabalhando.

Num mundo globalizado, devemos estar conscientes de que ninguém está seguro se não estivermos todos seguros. Milhões de pessoas em países da África central, meridional e oriental não têm comida suficiente e as consequências da epidemia para eles são inimagináveis, ​​ devido à falta de meios e de condições úteis para combatê-la.

A epidemia neste caso significa mais insegurança alimentar, perda de empregos, falta absoluta de meios de subsistência”.

 

Em Gaza e no Iêmen, os efeitos podem ser devastadores

A Oxfam já está em campo, trabalhando junto com os seus parceiros para aumentar o número de pontos de coleta de água e de banheiros nos campos de refugiados; e, mediante o envolvimento das comunidades, está promovendo campanhas de informação para prevenir a propagação do vírus.

Além dos campos de refugiados, a Oxfam opera em outros contextos onde o enfrentamento do coronavírus parece impossível:

em Gaza, onde foram registrados os 10 primeiros casos de infecção,

  • a densidade da população é de 5.000 pessoas por quilômetro quadrado,
  • com apenas 70 postos de terapia intensiva para 2 milhões de habitantes.

No Iêmen,

  • estão funcionando apenas 50% das estruturas sanitárias,
  • com escassez crônica de medicamentos e de pessoal,
  • e mais da metade da população – 17 milhões – não tem acesso à água potável.

 

O apelo

Os fundos para as intervenções humanitárias em países como o Iêmen e a Síria já eram dramaticamente insuficientes e hoje é necessário encontrar recursos para combater a pandemia:

  • as Nações Unidas lançaram um apelo de 2 bilhões de dólares para financiar um plano global de resposta ao coronavirus  nos países mais vulneráveis.
  • A Oxfam apoia o apelo da ONU por um cessar-fogo imediato em todos os países onde os conflitos estão em andamento.

Além disso, a Oxfam pede aos líderes do G20 que intervenham com um plano de ação global capaz de responder à emergência do Covid19,

  • garantindo acesso gratuito aos cuidados de saúde para todos,
  • mesmo nos países mais pobres e vulneráveis.

Por isso, lançou a petição #NONSEISOLO (Não estás sozinho), com a qual todos podem fazer ouvir suas vozes assinando https://www.oxfamitalia.org/petizione-emergenza-coronavirus/

 

Emergenza coronavirus

Foto: Trabalho da Oxfam na África –   DAQUI

 

A resposta da Oxfam

Juntamente com seus parceiros locais e com especial atenção às mulheres que realizam grande parte do trabalho de assistência, e que portanto estão mais expostas à infecção, a Oxfam está intervindo:

  • em ajuda a 118.000 refugiados rohingya nos campos de Cox’s Bazar em Bangladesh e Rakhine em Mianmar, através da distribuição de kits de água potável, sabão e kits higiênico-sanitários e através da promoção de boas práticas de higiene. Também dá apoio a 5.000 famílias vulneráveis, ​​que vivem perto do campo de Cox’s Bazar, com água potável e saneamento;
  • ao lado dos 76.000 refugiados sírios no campo de Za’atari, na Jordânia, através de campanhas de prevenção e nos campos informais do Líbano com distribuição de sabão;
  • no Iraque, com a reforma de um hospital para uma comunidade de 50.000 pessoas;
  • em Burkina Faso, reparando ou construindo 107 pontos de coleta de água para ajudar aqueles que estão fugindo de confrontos e violências;
  • no norte da Uganda, nos campos de refugiados, através de campanhas de prevenção;
  • no Iêmen, através do treinamento de voluntários que irão disseminar as boas práticas de saneamento entre as comunidades afetadas pela guerra.

No geral, a Oxfam está implementando um plano de resposta de 100 milhões de euros, com o objetivo de ajudar 14 milhões de pessoas nas comunidades mais vulneráveis ​​de 50 países.

 

OXFAM (Oxford Committee for Famine Relief – Comitê de Oxford para Alívio da Fome) – é uma confederação de 19 organizações e mais de 3000 parceiros, que atua em mais de 90 países na busca de soluções para o problema da pobreza, desigualdade e da injustiça, por meio de campanhas, programas de desenvolvimento e ações emergenciais. (Wikipedia).

 

LA STAMPA – REDAÇÃO

https://www.lastampa.it/tuttogreen/2020/04/06/news/oxfam-covid-profughi-ammassati-e-senz-acqua-pulita-1.38686813

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