Casos de coronavírus aumentaram 45% da noite para o dia. Porquê?

Um recorde de 14.800 novos casos de coronavírus foi registado em 24 horas na província chinesa de Hubei esta quinta-feira, de acordo com as autoridades de saúde locais. O número de mortos pelo vírus na província de Hubei também aumentou 242 esta quinta-feira, mais do que dobrando o número recorde de 103 mortes registadas na segunda-feira.

O número vertiginoso de novos casos em Hubei acontece depois de as autoridades de saúde terem anunciado que iriam começaram a incluir pessoas diagnosticadas usando novos métodos clínicos nas estatísticas oficiais.

O diagnóstico clínico do COVID-19 inclui o uso de imagens pulmonares para verificar suspeitas de infeções.

A província de Hubei – responsável por mais de 80% do total de infeções na China – agora inclui “casos diagnosticados clinicamente” no número de casos confirmados. Isso significa que inclui aqueles que apresentam sintomas e uma tomografia computadorizada que mostra um pulmão infetado, em vez de depender apenas dos testes padrão de ácido nucleico, obtidos por análises sanguíneas.

Mais de metade das novas mortes são casos diagnosticados por tomografia

Das 242 novas mortes em Wuhan, 135 são casos “diagnosticados clinicamente”. Isso significa que, mesmo sem a nova definição, o número de mortes em Hubei na quarta-feira foi de 107 – um novo recorde para a província. As 14.840 novas infeções da província incluem 13.332 casos diagnosticados clinicamente. No total, a província agora tem 48.206 infeções confirmadas.

Um teste de ácido nucleico, também chamado de teste “NAT” (do inglês nucleic acid amplification test – “NAAT”), é uma técnica bioquímica usada para detetar um vírus ou uma bactéria. 

Estes testes foram desenvolvidos para diminuir o período de janela, um período que ocorre entre a infeção do paciente e o momento em que há um resultado positivo nos testes. O termo inclui qualquer teste que diretamente deteta o material genético do organismo ou do vírus infeccioso.

As autoridades justificaram a mudança de abordagem com o “aprofundamento da nossa compreensão sobre a pneumonia causada pelo novo coronavírus e com a experiência acumulada no diagnóstico e tratamento”.

Os métodos de diagnóstico anteriores consistiam em testes de ácido nucleico, que identificam informações genéticas para detetar vírus, mas podem levar dias para serem processados. Na semana passada, a comissão de saúde de Hubei disse que começaria a usar tomografias computadorizadas para identificar infeções pulmonares, o que aceleraria o tratamento.

Os números atuais refletem a inclusão de pacientes com infeções diagnosticadas por novos métodos clínicos – na verdade não são novos, já eram utilizados anteriormente mas não eram considerados suficientes para confirmarem o diagnóstico. A validação deste diagnóstico por tomografia computadorizada (TAC) levou a que as autoridades de saúde incluíssem casos antigos e casos suspeitos.

Segundo a agência de notícias Bloomberg, já na semana passada a província de Hubei assumiu que iria começar a validar os resultados da TC como casos de infeção por coronavírus, o que iria permitir que os hospitais isolassem os pacientes mais rapidamente.

Nem todos os kits de diagnóstico são bons ou em número suficiente

Em entrevista à Al Jazeera, Bin Song, diretor do departamento de radiologia do Hospital Huaxi de Chengdu, na China, disse ter recebido pacientes com diagnóstico de “falso negativo”,incluindo uma mulher, que fez o teste quatro vezes, sempre com resultado negativo.

 

Paula Freitas Ferreira

 

Paula Freitas Ferreira

 

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