Tarso Genro: o PT ficou obsoleto

COMENTÁRIO À ENTREVISTA DE TARSO GENRO

 

Luiz Alberto Gomez de Souza 11 Fevereiro 2020

“E sempre vou insistindo num trabalho de longo prazo e de alianças das forças progressistas. Na linha de Gramsci, uma complexa guerra de posições preparando uma guerra de movimento bem mais adiante. A falta de uma visão na grande história tem feito o PT apostar no imediato e no isolamento”, escreve Luiz Alberto Gomez de Souza, sociólogo.

Eis o artigo.

texto de Tarso Genro sobre o PT, publicado pelo UOL, é irretocável.

  • O partido não tem sabido ser um elemento de aglutinação das forças progressistas.
  • Está mais voltado para o “Lula livre” e suas ambições de poder
  • do que diante dos gravíssimos problemas do país.

Com isso não contribui para a formação de uma frente ampla nacional, popular e democrática.

  • Foi trágico ver, na última eleição nacional,
  • manter uma candidatura de Lula já de antemão inviável até o último prazo legal
  • e com isso contribuir, em parte, para o desastre que foi a eleição de um despreparado Bolsonaro.

Tarso, quando esteve como presidente do PT num breve espaço de tempo,

  • propôs uma refundação do partido.
  • Foi derrotado e afastado da presidência.

Suas críticas, as de Olívio Dutra, de Gilberto Carvalho e de Aloizio Mercadante, não foram ouvidas pelo setor majoritário do partido. Agora, na festa dos 40 anosLula e Gleisi seguem se recusando a uma autocrítica.

Uma lembrança histórica.

  • Betinho e eu estivemos na fundação da Ação Popular em 1963.
  • Eu saí quando entrei na fase althusseriana (1967), Betinho mais adiante, nos anos setenta, nos tempos maoístas.

Ao voltar ao Brasil, eu em 1977 e Betinho em 1979, tomamos a decisão de não ter mais militância partidária. Por caminhos diferentes, resolvemos dedicar-nos aos movimentos populares, Betinho criou o IBASE, eu entrei no IBRADES, por convite de meu mestre Pe. Henrique de Lima Vaz. Acompanhei com simpatia o nascimento do PT e sempre votei nele (meu candidato, Molon, agora passou para o PSB).

Na eleição de 1994 Betinho, por instigação minha, escreveu um texto definitivo: “Opção pela sociedade” (Jornal do Brasil, 18 de agosto de 1994). Ali dizia:

“sem mudar a sociedade, não adianta mudar o governo… Apesar de não acreditar que eu vá viver muito [morreria três anos depois] o fato é que atuo como se a vida não terminasse numa eleição”. Com seu humor mineiro dizia: prefiro a planície ao planalto.

Foi uma alegria a vitória de Lula em 2003.

  • Mas lembro de ter escrito sobre o risco de apostar ingenuamente num desejável abstrato,
  • sem levar el conta as amarras de um possível concreto.

E as ciladas que estariam à espreita.

  • Esqueceram que chegaram ao governo,
  • mas não ao poder, nas mãos dos setores dominantes
  • Começaram a fazer concessões e, logo adiante, muitos repetiram o estilo e os malfeitos da política tradicional.

Em 1994, quando li a carta do Betinho escrevi no mesmo dia:

“há que desmistificar essa modernidade que reduz tudo ao estado e ao mercado. A sociedade vai muito mais além e a política tem mais amplas ambições e responsabilidades… Que bom, meu irmão, uma vez mais comungar contigo dos mesmos ideais. Teu velho companheiro de geração e de sonhos”.

E sempre vou insistindo

  • num trabalho de longo prazo
  • e de alianças das forças progressistas.

Na linha de Gramsci, uma complexa guerra de posições preparando uma guerra de movimento bem mais adiante.

A falta de uma visão na grande história tem feito o PT apostar no imediato e no isolamento.

Nesse sentido, a entrevista de Tarso Genro é um chamado a uma presença pluralista de longo prazo e de amplas ambições. Vai abaixo o texto.

 

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Luiz Alberto Gomez de Souza

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/596178-tarso-genro-o-pt-ficou-obsoleto

 

 

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