4,5 milhões de brasileiros podem voltar à linha da pobreza

O aprofundamento da perspectiva econômica neoliberal tem imposto aos mais pobres o pagamento de uma conta que não é sua”

 

Marcel AndradePaulo – 26/11/2019 – Foto: POBREZA/Pixabay

“O aprofundamento da perspectiva econômica neoliberal tem imposto aos mais pobres o pagamento de uma conta que não é sua”.

A reportagem é de Marcel AndradePaulo, publicada por EcoDebate, 25-11-2019.

 

No início deste mês, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que

  • no Brasil, 13,5 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza, ou seja, com até R$ 145 por mês.
  • Este é o maior contingente desde 2012, quando se iniciou a série histórica.

O aumento no desemprego é apontado com um dos principais fatores, mas, para o professor de Serviços Sociais da Universidade Santo Amaro – Unisa, Emanuel Freitas, a complexidade deste fenômeno é ainda maior.

“O aumento da pobreza 

  • está relacionado por exemplo, a redução do investimento em políticas públicas
  • que possibilitem o acesso a bens e serviços públicos,
  • que nada mais são que a materialização dos direitos sociais,
  • a cada dia mais atacados.

O aprofundamento da perspectiva econômica neoliberal tem imposto aos mais pobres o pagamento de uma conta que não é sua”, afirma o professor.

Entre 2014 e 2018, 4,5 milhões de brasileiros desceram ao nível de extrema pobreza. Freitas pontua que as perspectivas a curto e médio prazos é de poucas melhoras, em especial para o desenvolvimento econômico do País, instável há alguns anos.

“Há uma questão muito simples no que diz respeito à economia que é:

  • sem distribuição de renda, a economia não gira.
  • Isso gera uma estagnação econômica primeiro
  • e, por consequência, social, muito profundas.

Infelizmente, pelo andar da carruagem, a perspectiva é de que esta situação se atenue ainda mais”, acredita o docente.

Por fim, o professor da Unisa pontua que o acirramento na concorrência por uma vaga de emprego enfraquece a sociedade como um todo, e o indivíduo em particular.

“Numa condição desta natureza, a sociedade perde muito. Infelizmente, deixamos de promover o crescimento da sociedade brasileira em detrimento dos interesses de um grupo pequeno e restrito da sociedade. Perde-se a oportunidade de promover o pleno desenvolvimento dos potenciais da sociedade brasileira. A cada dia, as pessoas estarão mais submetidas à manutenção de sua sobrevivência mínima, haja vista o aumento das relações de trabalho informais e, assim, o acirramento das condições de vida”.

Marcel AndradePaulo

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/594627-professor-alerta-para-os-riscos-da-volta-de-4-5-milhoes-de-brasileiros-a-linha-da-pobreza

 

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