A cronologia da crise que levou à renúncia de Evo Morales na Bolívia

 

Evo Morales
BBC – 10/11/2019
Direito de imagem – REUTERS – Image caption: Morales anunciou novas eleições depois que Organização dos Estados Americano (OEA) encontrou ‘irregularidades’ em auditoria realizada na apuração dos votos

O presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou neste domingo, 10 de novembro, que renuncia, após as Forças Armadas “sugerirem” que ele deixasse o cargo. Morales governava a Bolívia desde 2006.

 

 

Morales havia comunicado pela manhã que convocaria novas eleições, após quase três semanas de protestos nas principais cidades do país por suspeita de fraude nos resultados da votação de 20 outubro que haviam dado a ele um quarto mandato.

O mandatário boliviano fez o anúncio

  • depois da publicação de um relatório preliminar da auditoria da Organização dos Estados Americanos (OEA),
  • no qual são mencionadas várias “irregularidades”.

Pouco antes, o comandante das Forças Armadas da Bolívia, general Williams Kaliman, divulgou um comunicado em nome do alto comando em que falava que

  • a saída de Morales seria importante
  • para resolver o impasse na crise política em que se encontra o país desde as controversas eleições presidenciais.

 

General KalimanDireito de imagemREUTERS – Image captionO general Kaliman sugeriu que Morales deixasse o cargo pouco antes de ele anunciar sua renúncia

O que aconteceu nas eleições?

Os problemas de Morales começaram na mesma noite das eleições,

  • quando o Supremo Tribunal Eleitoral (STE) suspendeu a rápida contagem dos votos
  • quando a apuração estava 83% concluída.
  • Uma tendência indicava que haveria um segundo turno entre o presidente boliviano e Mesa.

No dia seguinte, a apuração foi retomada

  • com 95% dos votos contabilizados
  • e indicando que Morales venceria no primeiro turno por uma margem estreita,
  • mas com mais de dez pontos percentuais de vantagem sobre Mesa,
  • o que seria suficiente para lhe garantir um quarto mandato.

As suspeitas levantadas pelos estranhos movimentos do STE levaram a oposição a apontar ter ocorrido uma fraude nos resultados.

  • Muitos bolivianos, que começaram a se mobilizar nas ruas.
  • A OEA e a União Europeia pediram que fosse realizado um segundo turno.

 

Manifestantes marcham em La Paz, na BolíviaDireito de imagemREUTERS – Image captionConfrontos violentos vêm sendo registrados na Bolívia desde resultado de eleição de 20 de outubro, que deu quarto mandato a Morales

 

Mas Morales, o primeiro presidente indígena do país, insistiu que havia vencido as eleições e, em resposta às manifestações da oposição, pediu aos seus apoiadores que

  • “defendessem a democracia” nas ruas
  • e impedissem um “golpe de Estado”.

Desde então, houve intensos protestos em todo o país. Críticos e apoiadores de Morales se enfrentaram nas últimas semanas. A violência deixou pelo menos três mortos e centenas de feridos.

Os distúrbios policiais foram relatados em vários lugares, incluindo La Paz, onde

  • a polícia deixou o governo boliviano e a sede do Legislativo sem proteção.
  • Por sua vez, as Forças Armadas haviam dito que não agiriam contra os manifestantes.

Desde o resultado do pleito, apoiadores e críticos de Morales vinham se enfrentando por todo o país.

O que disse a OEA?

O relatório da OEA só seria divulgado na próxima segunda-feira, 13 de novembro, mas foi adiantado “por conta da gravidade das denúncias”,afirmou o secretário-geral da OEA, Luis Almagro, por meio de um comunicado neste domingo

A OEA chegou à conclusão que

  • era estatisticamente improvável que Morales tivesse vencido o pleito com a margem de 10% necessária para evitar um segundo turno das eleições.
  • A auditoria do órgão internacional também encontrou cédulas de votação alteradas e com assinaturas falsificadas.

A OEA assinalou ainda que, em muitos casos,

  • a cadeia de custódia do voto não foi respeitada
  • e que houve manipulação de dados.

Na nota, Almagro pediu

  • que a eleição do último dia 20 de outubro fosse “anulada
  • e que o processo eleitoral começasse novamente”.

A OEA também recomendou que o governo boliviano realizasse um novo pleito

“assim que existam novas condições que deem garantias de sua realização, entre elas uma nova composição do órgão eleitoral”.

Qual foi a reação de Morales?

Morales havia aceitado que a OEA conduzisse a auditoria e, após a divulgação do relatório,

  • afirmou que cumpriria a recomendação da OEA de subsituir todos os membros do STE,
  • fortemente criticados pela apuração dos votos nas eleições do mês passado.

Mas o procurador-geral da Bolívia, Juan Lanchipa,

  • foi além e deu início a uma investigação por crimes comuns, eleitorais e de corrupção
  • contra membros do Supremo Tribunal Eleitoral e pessoas envolvidas nos eventos “irregulares” mencionados pela OEA.

Vários ministros e políticos ligados a Morales já haviam renunciado, incluindo o ministro de Minas, César Navarro, e o ministro de Hidrocarbonetos, Luis Alberto Sánchez, além do governador de Cochabamba, Iván Canelas, entre outros.

 

BBC

Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-50367271

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