Diário do Sínodo: sacerdócio, diálogo intercultural e espírito missionário (IX, X e XI Congregações Gerais)

Concluídos nesta manhã os trabalhos da IX Congregação Geral

 

Por Marco Mancini

CIDADE DO VATICANO, 14 de outubro de 2019 / 15:00 ( ACI Stampa ) .-

FOTO: Dois dos padres sinodais do lado de fora do novo salão do sínodo/AA ACI Stampa

Tradução: Orlando Almeida

A criação é uma Bíblia verde que revela o Criador e, na celebração dos sacramentos, o compromisso ecológico encontra o seu fundamento mais profundo. Foi o que emergiu nas discussões da IX Congregação Geral da Assembleia Especial para a Amazônia do Sínodo dos Bispos.

 

Segundo os Padres sinodais,

  • diante do declínio das vocações na região,
  • é necessário relançar o espírito missionário
  • e, ao mesmo tempo, uma formação constante e caminhos de catecumenato em contato direto com a cultura indígena,
  • no espírito de interculturação.

Além dos ministros ordenados, é necessário apostar  nos leigos para que exerçam o seu sacerdócio batismal.

  • Também se voltou a pedir que seja levada em consideração a hipótese de ordenar pessoas casadas, sem prejuízo do valor do celibato sacerdotal,
  • ao mesmo tempo que alguns teriam proposto a ordenação de mulheres diaconisas .

A tarefa da Igreja na Amazônia é também a de

  • promover uma economia circular que respeite as práticas locais:
  • dado o alarme sobre o comportamento das empresas petrolíferas
  • e daquelas que exploram o corte de madeira em detrimento da economia indígena,
  • propondo-se  ao mesmo tempo a  criação de um ecossistema de comunicação eclesial  pan-amazônico que seja o reflexo da interconexão da humanidade inteira.

“Como europeus   e norte-americanos, somos chamados a uma conversão: o nosso bem-estar é à custa de vidas humanas”,

admitiu Josianne Gauthier, secretária geral da CIDSE, Aliança Católica Internacional de Agências de Desenvolvimento, durante o habitual briefing quotidiano  com os jornalistas.

É importante falar do diálogo intercultural através de novos caminhos. Como salesianos,

  • estamos no sul da Venezuela desde 1957, com uma atitude  um pouco  paternalista, 
  • mas depois do Concílio começámos a trabalhar de uma maneira nova,
  • acompanhando estes povos para que se tornem donos do seu próprio destino.

Devemos compartilhar a vida das comunidades locais. Não somos colonizadores que precisam impor-se. Iniciámos uma longa jornada catecumenal, foi um processo que nos ajudou a nos conhecermos “,

explicou Dom José Ángel Divassón Cilveti, ex-vigário apostólico de Puerto Ayacucho, na Venezuela.

“Temos 800 mil habitantes e mais de 1.000 aldeias, com poucos padres, muitos dos quais  idosos. É limitante  celebrar a missa apenas 4 ou 5 vezes por ano. Sabemos o quanto é importante a presença dos sacerdotes. O sacerdote torna-se assim um distribuidor do sacramento, por isso

  • é importante ordenar sacerdotes casados,
  • para que possam acompanhar a vida de seu povo.

Temos pessoas casadas dignas de serem ordenadas sacerdotes.

  • Não devem ser sacerdotes de segunda clategoria,
  • mas pessoas preparadas com uma vida exemplar.

Devemos também fazer as contas  com a presença maciça das igrejas e das seitas pentecostais. Devemos consultar as igrejas que já possuem clérigos casados”,

é o apelo de Dom Carlo Verzeletti, bispo de Castanhal, no Pará,  Brasil.

“Muitos de nós são presos e mortos, queremos dar um basta à contaminação da vida. Que os meios de comunicação façam eco a estas notícias,  e pedimos ao Sínodo e ao Papa que nos ajudem a dialogar  com os governos da Amazônia para que se sentem e falem  conosco”,

pediu José Gregorio Díaz Mirabal, Presidente do Congresso das Organizações Indígenas Amazônicas.

Marco Mancini

https://www.acistampa.com/story/diario-del-sinodo-sacerdozio-dialogo-interculturale-e-spirito-missionario-12458

 

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Diário do Sínodo, haverá um organismo episcopal pan-amazônico permanente?

Proseguem os trabalhos do Sínodo na Amazônia continua. Ontem e hoje as Décima e Décima Primeira Congregações Gerais

 

Sínodo da Amazônia  Foto: Daniel Ibanez / ACI Group

 

Por Veronica Giacometti

Tradução: Orlando Almeida

CIDADE DO VATICANO, 15 de outubro de 2019 /  (ACI Stampa).

 

Prosseguem os trabalhos do Sínodo especial pan-amazônico:

  • ontem à tarde realizou-se a décima Congregação Geral e esta manhã, a décima primeira .
  • Estavam presentes 180 padres sinodais, junto com o papa Francisco.

De acordo com o relato de Vatican News, na décima Congregação

  • as intervenções enfatizaram a necessidade de novos ministros da Palavra, incluindo as mulheres,
  • para dar novas respostas aos desafios contemporâneos,
  • e  que é necessário investir em leigos bem preparados
  • que, com espírito missionário, saibam fazer o anúncio do Evangelho em todos os  lugares da Amazônia.
  • Além disso, uma formação adequada dos leigos comprometidos também é fundamental para o nascimento de novas vocações.

Uma intervenção, em particular,

  • sugeriu que a questão dos chamados viri probati e dos ministérios femininos
  • seja tratada numa Assembleia sinodal ordinária,
  • porque se trata de temas de alcance universal.

Outra intervenção sugere que,

  • antes dos viri provati sacerdotes se pense nos viri probati diáconos:
  • o diaconato permanente, de fato, pode representar um verdadeiro laboratório para se terem  homens casados no sacramento da Ordem.

Entre os outros temas tratados,

  • a proteção dos menores e dos adultos vulneráveis, a pastoral  vocacional e juvenil e o desafio da comunicação: através da mídia – afirma-se –
  • é necessário abrir-se aos comunicadores de todas as culturas e de todos os idiomas, a fim de fortalecer os povos da Amazônia.

 

Na Décima Primeira Congregação Geral,

  • surgiu a proposta de criar com urgência um
  • “Organismo episcopal permanente e representativo, coordenado pela Repam (Rede Eclesial Pan-Amazônica),
  • para promover a sinodalidade na Amazônia”.

Este órgão, integrado ao CELAM (Conselho Episcopal Latino-Americano), deverá ajudar a implementar a fisionomia da Igreja na Amazônia, com vistas a uma pastoral comum mais eficaz,

  • concretizando também as indicações que o Papa Francisco quiser eventualmente dar após o Sínodo,
  • e trabalhando para a defesa dos direitos dos povos indígenas, a formação integral dos agentes pastorais e a criação de seminários na Amazônia.

Sugerido a este respeito um Observatório Permanente de Direitos Humanos e Proteção da Amazônia.

Outros temas tratados foram a inculturação e a educação, o compromisso missionário e o testemunho dos mártires.

No briefing habitual na Sala de Imprensa da Santa Sé, Monsenhor Eugenio Coter, Vigário Apostólico de Pando, e Bispo Titular de Tibiuca, destacou que

  • estar no centro da atenção da Igreja universal neste Sínodo
  • é um sinal de esperança, um sinal de luz.
  • “Não estamos sozinhos”, concluiu Monsenhor Coter.

Dom Rafael Alfonso Escudero López-Brea, bispo prelado de Moyobamba, comentou:

“É a primeira vez que participo de um Sínodo,

  • há um desejo de caminhar juntos,
  • de ouvir a voz da Amazônia.

Propus ao sínodo uma evangelização  profunda através da pregação, do ensino, da caridade, para que estes povos possam ser impregandos pela salvação que vem de Jesus Cristo”.

Os membros da Comissão de Redação  de nomeação pontifícia, além de Monsenhor Grech, são: o Padre Rossano Sala, o cardeal Christoph Schonborn, o monsenhor Edmundo Ponciano Valenzuela e o  monsenhor Sanchez Sorondo.

 

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Veronica Giacometti

Fonte: https://www.acistampa.com/story/diario-del-sinodo-ci-sara-un-organismo-episcopale-permanente-panamazzonico-12467

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