Vaticano muda linguagem humilhante e agressiva aos padres que pedem dispensa do celibato

A evolução da linguagem usada nos Rescritos de Dispensa do Celibato e a visão de Igreja e de Padre casado subjacentes a essa linguagem.

 

João Tavares, 29/09/2019 El Papa, con un grupo de curas casados

Foto: Francisco com Famílias de Padres casados, nos arredores de Roma / RD

Este Site e os Padres casados do mundo inteiro, vimos seguindo, desde a década de 70 a linguagem nada cristã e bem pouco humana usada pela Cúria romana quando, às vezes depois de mais de 20 anos de espera, resolve dar a Dispensa do Celibato e obrigações conexas, ao padre que pediu para sair do ministério.

Temos versões de Rescritos (é o nome técnico do documento) desde Paulo VI até ao papa Francisco e notamos, com a publicação da recentíssima versão atual, ordenada por Francisco,  a evolução da linguagem usada e a visão de Igreja e de Padre casado subjacentes a essa linguagem.

UM POUCO DE HISTÓRIA

Finalmente,

  • depois de muitas críticas à demora nos Processos de Dispensa do Celibato e à linguagem agressiva, deprimente e desrespeitosa desses Rescritos,
  • tivemos, desde 2015, com Francisco, em cartas respondidas por ele e em recados enviados por amigos e amigas comuns,
  • acenos de que o assunto Padres casados estava na sua agenda,
  • mas que tivéssemos paciência, pois havia, muitas coisas também importantes e urgentes para serem resolvidas antes.

Ao mesmo tempo, Francisco, no espírito e na letra do número 200 do Documento de Aparecida , de que ele foi um dos Revisores finais,

“Levando em consideração o  número de presbíteros que abandonaram o ministério, cada Igreja particular procure estabelecer com eles relações de fraternidade e mútua colaboração conforme as normas e preceitos da Igreja”.,

mandou-nos recados por nossos enviados e por bispos amigos da Argentina e do Chile: 

“fiquem unidos, vossa luta é importante, não se dispersem, pois vossa hora chegará”.

Temos notícia certa de que vários colegas ou grupos de colegas do Brasil, da Argentina e do Chile, e também grupos nacionais de Padres casados e as Federações Latino-americana e da Europa,

  • têm enviado várias cartas a Roma, pelo menos desde João Paulo II,
  • solicitando o celibato opcional
  • e, para quem assim o desejar, a volta ao ministério.

Resultado de imagem para João Paulo II

JP II – Foto Reprodução

De João Paulo II sabemos que:

  • Endureceu muito as normas para a concessão da dispensa, na Páscoa de 1979.
  • O que com Paulo VI demorava 6 meses, com João Paulo II, chegou a demorar 27 anos.
  • Foi muito malcriado com os Padres casados do Brasil, ao rasgar e jogar no chão, sem a ler, uma carta dos Padres casados de Fortaleza, entregue a ele pelo então arcebispo, o cardeal Aluísio Lorsheider, a quando da primeira visita dele ao Brasil em 1980.

A “NOVELA” DA MINHA DISPENSA

Ainda no tempo de Paulo VI, em setembro de 1978, pedi Dispensa do Celibato, enviando o Processo ao Vaticano através da então  minha Congregação.  Me disseram que em cerca de seis meses meu pedido seria atendido seria atendido.

Mas Paulo VI morreu e assumiu João Paulo II. Na Páscoa de 1979 ele endureceu muito as normas de concessão de Dispensa do Celibato. Meu processo, já no Vaticano havia seis meses, foi julgado pela norma posterior mais dura.

Na prática, foi engavetado até eu fazer 50 anos, e a resposta só chegou 13 anos depois de pedido. Esperei de 1978 até 1991.

Depois de várias tentativas explícitas, da Cúria romana e da Nunciatura de Brasília, para que eu mentisse, para poderem apressar a concessão da dispensa. Guardo ainda os documentos comprovantes de toda essa “novela”, onde o importante era resguardar a instituição cúria romana e seus “santos princípios” e não os direitos da pessoa humana.

Queriam a toda a custa, que eu dissesse

  • que  talvez os Superiores não souberam me avaliar bem,
  • que talvez eu não sabia bem o que fazia quando fui ordenado,
  • que talvez fui influenciado pela “revolução” francesa de 1968. Mesmo eu tendo sido ordenado em 1967.

Neguei com firmeza todas essas hipóteses e

  • confirmei que eu saí porque assim o resolvi livremente,
  •  depois de um bom tempo de discernimento,
  • se bem que com bastante sofrimento,
  • pois nunca duvidei da minha vocação e gostava muito do meu sacerdócio e da vida pastoral.

Depois tentaram me dizer, através da minha ex-Congregação, que eu era um bom padre e que não devia ter saído. Ora eu já estava casado e tinha duas filhas de 6 e 7 anos. Mesmo assim me perguntaram se eu não queria voltar para a Congregação e o ministério.

O Vigário Geral de então, constrangido, chegou a me pedir desculpa por ter de me transmitir essa estranha mensagem do Vaticano que contradizia todos os argumentos usados por eles anteriormente, para me negarem  na tentativa de me dobrarem. Acalmei-o, dizendo que “mensageiro não merece castigo pela mensagem que transmite”

Aí eu, então professor de Ética na universidade, me zanguei e respondi com uma carta muito dura, dizendo que tinha responsabilidades com minha Família e que essa proposta era desonesta, profundamente imoral.

A não ser que eu pudesse voltar ao ministério junto com minha Família…

E terminei minha carta, enviada através da minha ex-Congregação, que tinha apresentado e seguia meu processo no Vaticano, com um palavrão em dialeto milanês:

“Digam ao Vaticano queDite al Vatican di andá a fá …”

Foi um santo remédio: pouco tempo depois chegou o já não esperada Dispensa.

  • E casamos na Igreja cheia, com missa cantada em gregoriano, pelo nosso coral e com três ou quatro colegas concelebrando.
  • Tudo o contrário do que “obrigava” o Rescrito”, abaixo:

“4. No que se refere à celebração do matrimônio canônico, apliquem-se as normas do Código de Direito Canônico. O Ordinário deve, no entanto, providenciar para que tudo se faça de modo prudente e discreto, a cerimônia seja realizada com cuidado, sem pompa nem aparato”. 

  • Mas de acordo com nossa liberdade de consciência e aceitação de nossa paróquia e diocese onde éramos bem conhecidos e bastante engajados.

 

BENTO XVI E FRANCISCO

Com Bento XVI, não houve mudanças significativas, a não ser alguma maior rapidez na concessão da Dispensa.

Com o papa Francisco, as esperanças ressurgiram e ele nos disse desde o princípio que estávamos na sua Agenda e que esperássemos mais um pouco, com paciência e permanecendo unidos.

Além de responder a algumas cartas direta ou indiretamente,

  • Francisco visitou, nos arredores de Roma,
  • algumas Famílias de Padres casados, no contexto do Ano da Misericórdia.
  • Ainda era pouco, mas já era um sinal concreto.

Entrementes, várias Conferências episcopais e vários episcopados nas visitas ad limina, iam falando com ele sobre o assunto.

E vários teólogos

  • iam  e vão escrevendo sobre a oportunidade do celibato opcional
  • e perguntando porque a Igreja, com tanta queda no número de sacerdotes,
  • com os Seminários vazios, e com tantos cristãos sem Evangelização e sem Eucaristia, fonte e ápice de toda a vida cristã,
  • se dava e se dá ao luxo  de desprezar cerca de 150.000 padres casados em que tanto tinha investido,
  • e de não aproveitar a capacidade e a boa vontade de tantos deles que gostariam de voltar ao ministério e ajudar.

Por seu lado, os Padres casados, desde o fim da década de 70,

  • vêm se organizando em grupos nacionais, em Federações continentais e em Confederação mundial:
  • se animando, buscando e acolhendo os que vão saindo,
  • fazendo Encontros Nacionais e Internacionais
  • pesquisando e escrevendo sobre o Celibato Opcional
  • e provando a falta da fundamentação bíblica e teológica para o Celibato Obrigatório,
  • bem como questionando a fraca e tão repetida afirmação da “grande conveniência do Celibato para o Sacerdócio”.

De há uns 20 anos para cá,

  • a explosão do tsunami dos muitos e graves abusos sexuais na Igreja, em todos os continentes, incluindo bispos e cardeais,
  • bem como a certeza de que a homossexualidade está muito entranhada no clero e nos seminários, inclusive no Vaticano onde se fala abertamente de um forte e organizado lobby gay, atuante inclusive na nomeação de bispos para o mundo inteiro,
  • vem fragilizando muito toda essa retórica da “grande conveniência do Celibato para o Sacerdócio”, que não convence mais.

FINALMENTE UM SINAL DE ESPERANÇA

Nestes dias, para nosso espanto,

  • quando as esperanças de que o papa Francisco iria fazer alguma coisa pelo Padres casados quase se tinham desvanecido,
  • explode a “bomba”: o Vaticano modifica ampla e profundamente os termos do RESCRITO de Dispensa dos Padres Casados.

E logo nas vésperas do Sínodo da Amazônia,

  • onde também  se vai discutir sobre a oportunidade de ordenar homens casados
  • para garantirem a Eucaristia e os demais Sacramentos aos Ribeirinhos e aos numerosos  Povos da Floresta, e espiritualmente desassistidos devido à falta de sacerdotes e às grandes distâncias.

Abaixo,

  • para podermos comparar a linguagem e as ideias de Padre que pede para deixar o ministério, de Igreja e de Mundo, a ela subjacentes,
  • vão duas versões do RESCRITO.
  • Como era até agora e como ficou daqui para a frente.

Muito mais humana, muito mais eclesial, muito mais respeitosa aos Padres que resolvem deixar o ministério.

  • E nós do regime do velho e pouco respeitoso modelo de Rescrito,
  • que com seus termos e estilo nos fazia nos sentirmos como que jogados para a sarjeta da Igreja, com menos direitos que os leigos,
  • nós que tanto fizemos pela Igreja, e que tanto por ela fomos esquecidos e até desprezados
  • mesmo assim, nos sentimos  seus membros e seus filhos e a continuam a amar.
  • E, se ela quiser, muitos estão dispostos a continuar a servi-la, pondo seu tempo e suas capacidades a serviço do Povo de Deus.

Estamos cientes que muitos, no passado e também no presente, sequer se dão ao trabalho de solicitar a Dispensa das obrigações decorrentes da ordenação. Simplesmente deixam o ministério e nunca mais ligam para a Igreja. Alguns até se escondem no anonimato, sendo que alguns chegam a renegar  o seu sacerdócio.

Segundo dados oficiais do Setor de Estatística do Vaticano, o O Anuário Pontifício 2018 e o Annuarium Statisticum Ecclesiae , informa que o Vaticano deu 65.000 dispensas do celibato desde o fim do Concílio Vaticano II.

Como muitos dos colegas que deixam o ministério, por vários motivos não chegam a pedir a Dispensa Canônica do Celibato, não é difícil chegar à estimativa do número de 150.000 padres casados que deixaram e continuam a deixar o ministério.

Os padres da ativa, hoje são cerca de 420.000.

No Brasil, num dos nossos Catálogos periódicos (já fizemos 4 até agora),

  • chegamos ao número de 2.131 famílias de Padres casados cadastradas.
  • Tendo em conta que muitos se escondem, ou não foram encontrados, ou não permitem a publicação de seu nome em nossas Listas do  Movimento das Famílias dos Padres casados do Brasil – MFPC -,
  • também não é difícil projetarmos o número aproximado de 7 a 8.000 Padres casados do Brasil.

Nossas tentativas de diálogo com os bispos diocesanos, excetuadas algumas exceções, não tem sido fácil. Dá a impressão de que somos uma pedra no sapato deles. E de que nossa existência os incomoda e questiona. Ainda são, na maioria, da “lavra” de João Paulo II e de Bento XVI, os que queriam esvaziar o Concílio Vaticano II e voltar para a “grande disciplina” de Trento até Pio XII. Mas há também alguns bem abertos, fraternos e acolhedores.

 

João Tavares

Editor deste Site

Do setor de Comunicação do MFPC

e Vice-Presidente da Federação Latino-americana de Sacerdotes casados

 

***

 

AS DUAS VERSÕES DO RESCRITO DE DISPENSA DO CELIBATO

1. O documento antigo:

 

Congregação para o Clero

RESCRITO DE DISPENSA DAS OBRIGAÇÕES CONEXAS COM A ORDENAÇÃO (Sacerdotal)

 

Prot, Número…………..

NN., sacerdote pertencente à Diocese / Arquidiocese / Ordem /  Congregação / do Instituto …, suplica humildemente a dispensa do sagrado celibato e de todas as obrigações inerentes à Sagrada Ordenação

______________________________

 

O Santo Padre FRANCISCO

No dia .,.. de junho de 2019

tendo recebido o respectivo relatório da Congregação para a Clero deu seu assentimento ao pedido, de acordo com as seguintes disposições:

1. O Rescrito de dispensa, que deve ser notificado aio Suplicante pelo Ordinário competente logo que possível, tendo em conta a norma do § n°. 2

a) tem efeito desde o momento da notificação feita pela autoridade eclesiástica competente ao Suplicante.

b) compreende, de modo simultâneo e inseparável, a dispensa do celibato sacerdotal e perda do estado clerical. Em nenhum caso é permitido ao requerente separar estes dois efeitos, ou seja, aceitar o primeiro e recusar o segundo.

c) se o requerente for religioso, o Rescrito concede também a dispensa dos votos.

d) Além disso, o Rescrito, na medida em que ocorra, o Rescrito concede também a absolvição das censuras a que o Suplicante esteja sujeito,

2. A notificação da concessão da dispensa ao Suplicante pode ser feita pessoalmente, quer pelo próprio Ordinário, quer por alguém por ele delegado para o efeito, ou por notário eclesiástico, ou, alternativamente, por carta registrada. O Ordinário deve transmitir a esta Congregação uma cópia devidamente assinada pelo Suplicante, dando fé do Rescrito e da aceitação dos respectivos preceitos

3. A notícia da concessão da dispensa deve ser averbada seja anotada no registro de batismos da paróquia em que o Suplicante tenha sido batizado.

4. No que se refere à celebração do matrimônio canônico, apliquem-se as normas do Código de Direito Canônico. O Ordinário deve, no entanto, providenciar para que tudo se faça de modo prudente e discreto, a cerimônia seja realizada com cuidado, sem pompa nem aparato

5. A Autoridade eclesiástica, a quem compete comunicar o Rescrito ao Suplicante, exorte-o veementemente a tomar parte na vida do povo de Deus, De maneira condizente com seu nove estado de vida, a servir de edificação para os demais e mostrar, que é um bom filho da Igreja. No entanto, ao mesmo tempo, deve dar-lhe conhecimento do que segue:

a) o sacerdote dispensado perde, por esse mesmo fato, os direitos inerentes ao estado clerical, bem como as dignidades e funções eclesiásticas; clericais; deixa igualmente de estar vinculado às outra obrigações inerentes ao estado clerical.

b) fica excluído do exercício do ministério sagrado, com exceção das funções mencionadas nos cânones  976, 986, § 2°, não lhe sendo, por isso, permitido fazer a homilia, nem exercer qualquer outra função diretiva em âmbito pastoral, ou assumir qualquer função de administração paroquia;

c) também não pode exercer qualquer função nos Seminários e Institutos equiparados. Nos outros Institutos de estudos superiores que, de algum modo, dependam da Autoridade eclesiástica, não pode exercer função diretiva;

d) nos Institutos de nível superior dependentes ou não da Autoridade eclesiástica, não pode ensinar nenhuma disciplina especificamente teológica ou com ela estreitamente conexa;

e) nos Institutos de estudos de nível inferior, dependentes da Autoridade eclesiástica, não pode exercer função diretiva, nem ensinar qualquer disciplina especificamente teológica.O mesmo vale também para o sacerdote dispensado, quanto à docência de Religião em Institutos semelhantes não dependentes da Autoridade Eclesiástica

f) pela própria situação em que se encontra, o sacerdote que haja sido dispensado de celibato sacerdotal e, mais ainda, o sacerdote unido pelo matrimônio, deve ausentar-se dos lugares onde seja conhecida a sua condição anterior e em nenhum lugar pode exercer as funções de leitor ou acólito, nem aquelas relativas à distribuição da comunhão..

6. Ouvidas as partes interessadas e atentamente ponderadas as circunstâncias, o Ordinário da diocese de domicílio ou do local da residência do Suplicante, de acordo com o seu prudente juízo e com grave obrigação para a sua própria consciência, pode dispensar de algumas ou de todas as do Rescrito contidas nas alíneas das letra (e) e (f), conforme enumeradas acima.

7. Por norma, as dispensas mencionadas no parágrafo anterior devem ser concedidas e das por escrito, mas não sem que haja transcorrido um oportuno período de tempo desde a notificação da perda do estado clerical.

8. Por fim, o Ordinário imponha ao Suplicante alguma obra de piedade ou de caridade.

9. Em tempo oportuno, o Ordinário competente deve apresentar a esta Congregação um breve relatório  atinente à Notificação, entretanto executada, e se acaso se verificar alguma admiração nos fiéis, deve também providenciar uma prudente explicação a esse respeito.

 

Não obstante qualquer coisa  em contrário.

Dado na Sede da Congregação para o Clero, aos — dias…do mês de … do ano 20…

Assinatura do Prefeito e do Secretário

Dia da Notificação

Assinatura do Requerente como sinal de aceitação

Assinatura do Ordinário


2.       O Documento atual:

Congregação para o Clero

Dispensa do celibato e das obrigações inerentes à Sagrada Ordenação

 

…. sacerdote da…………………………………………..pede humildemente a dispensa do celibato e das obrigações inerentes à Sagrada Ordenação.

 

O Santo Padre Francisco

No dia … de julho do ano de 2019

Depois de ter recebido o relatório da Congregação para o Clero, deu se consentimento, de acordo com as seguintes disposições:

1.O Rescrito e que deve ser transmitido que contém a graça da dispensa e que deve ser transmitido o mais depressa possível em conformidade com a norma a que se refere o item 2

a) tem efeito a partir do momento em que seja notificado ao solicitante;

b) leva consigo, inseparavelmente, a dispensa do celibato e, ao mesmo tempo, a perda do estado clerical. Estes dois elementos não podem nunca ser separados, sendo partes da práxis atual de um único procedimento;

c) se o solicitante for religioso, o decreto inclui também a dispensa dos votos;

d) além disso o dito decreto inclui também, na medida em que seja necessário, a remissão das censuras.

2. A notificação da graça da dispensa ao solicitante pode ser feita quer pessoalmente pelo próprio Ordinário, por seu delegado ou por um notário eclesiástico, quer por carta registrada. O Ordinário deve enviar uma cópia devidamente assinada pelo solicitante dando fé da recepção do decreto e aceitação das normas.

3. O Ordinário do solicitante transmitirá a notificação da concessão da graça da dispensa à paróquia deste, onde deverá ser anotada no registro batismal.

4. No que diz respeito à celebração do matrimônio canônico, apliquem-se as normas estabelecidas no Código de Direito Canônico para a dita matéria (cânones 1055-1140), respeitada a sensibilidade dos fiéis do lugar.

5. O clérigo dispensado,com a permissão do Bispo competente, pode exercitar as funções eclesiásticas que não requerem o Ordem sacra. A Autoridade eclesiástica se empenhará para facilitar que o clérigo dispensado desenvolva serviços úteis à comunidade cristã pondo a seu serviço seus dons e talentos recebidos de Deus. (Aqui faltam algumas palavras ………… mas o sentido é a obrigação do padre dispensado de confessar o penitente em perigo de morte. NdR)  …….Reconciliação no caso do penitente que se encontre em perigo de morte, conforme os cânones 976 e 986 § 2.

(“Em caso de urgente necessidade, qualquer confessor tem a obrigação de ouvir as confissões dois fiéis, e, em perigo de morte, qualquer sacerdote – 986 § 2.)

6. É desejável que o clérigo dispensado seja acolhido pela comunidade eclesial onde reside para prosseguir seu caminho, fiel aos deveres da vocação batismal. Na acolhida ao clérigo dispensado na comunidade eclesial ”tanquam laicus” (como leigo NdR), é conveniente que o Bispo fique atento para que as funções e serviços que lhe forem eventualmente confiados não causem estranheza ou escândalo aos fieis.

7. Consideradas as circunstâncias concretas,, segundo a prudente avaliação do Bispo competente, o clérigo dispensado poderá exercer a função de diretor ou encarregado de ensinar disciplinas teológicas nos Institutos de estudos inferiores que dependam da autoridade eclesiástica. O mesmo serve para o clérigo dispensado no que se refere ao ensino da religião em Instituições similares que não dependem da autoridade eclesiástica.

8. Nos Institutos de Estudos de grau superior que são em qualquer modo dependentes da Autoridade eclesiástica, o clérigo dispensado não exercer uma função diretiva. Contudo, tal proibição poderá ser dispensada pela Congregação para o Clero, a pedido do bispo competente e depois de ter consultado a Congregação para a Educação católica, de maneira que o clérigo dispensado possa desempenhar algumas funções nos estudos teológicos ou ou em Institutos equivalentes de formação acadêmica e também em outros Institutos superiores que são, de alguma maneira, dependentes da autoridade eclesiástica.

9. Nos Institutos de estudos de grau superior, dependentes ou não da Autoridade eclesiástica, o clérigo dispensado não poderá ensinar disciplinas propriamente teológicas ou estreitamente conexas com a teologia. Contudo, esta proibição pode ser dispensada pela Congregação para o Clero, a pedido do Bispo competente e depois de ter consultado a Congregação para a Educação Católica.

10. O clérigo dispensado não pode desempenhar funções formativas nos Seminários ou em Institutos equivalentes.

11. No mento oportuno deveria enviar-se um breve relatório a esta Congregação sobre a recepção do Rescrito e sobre as perspectivas do clérigo dispensado na sua comunidade eclesial.

 

Dado na Sede da Congregação para o Clero, aos — dia — do mês de julho do ano 2019

Cardeal Beniamino Stella – Prefeito

+ Joel Mereier – Secretário

 

Dia da Notificação

Assinatura do Requerente como sinal de aceitação

Assinatura do Ordinário

3 comments to Vaticano muda linguagem humilhante e agressiva aos padres que pedem dispensa do celibato

  • Maria Lúcia

    Há muito se espera que a Cúria Romana se mostre mais sensível à causa dos Padres Casados,
    é nessa perspectiva que acredito que o Papa Francisco um homem identificado com o projeto
    povo de Deus ainda pode nos trazer grandes surpresas. Abração ao cunhado Tavares e Sofia

  • Pe. Marcel Pépin

    Parabéns e felicitações pela sua mensagem que li, hoje de manhã no site ‘Associação Rumo’. Verdadeiramente, você fez um histórico muito claro e importantíssimo para nos deixar cientes do que sofrias os padres secularizados. Havia uma ofensa grave por falta de respeito à dignidade da pessoa e do seu caráter sagrado que permanece ainda após a laicização.

    Estamos vendo que o Papa Francisco está inspirado e iluminado em renovar a Igreja. A Igreja ante-conciliar era praticamente doutrinal e muito pouco pastoral. O Papa João XXIII sabia bem o que ele queria promulgando um Concílio Pastoral e o que foi de verdade. Mas esse Concílio foi ignorado durante mais do que 30 anos. Precisava dum Papa como Francisco para concretizar a Vontade de Deus de ver sua Igreja consertada e tornar-se pastoral, aberta para a salvação de toda a humanidade, pois Deus quer que todos os seres humanos criados à sua imagem e amados eternamente por Ele voltem para Ele no seu Reino Eterno.

    Deus seja louvado e agradecido de sabermos da verdade e de ter mais respeito dos padres casados. Muito obrigado, João, pela sua dedicação em nos informar sobre a caminhada da Igreja e do mundo.

    Atenciosamente. Pe. Marcelo.

  • JOSÉ CARLOS BARBOSA

    Muito interessante todos estes artigos referentes aos padres casados. Como fui seminarista por doze anos, junto à Congregação dos Missionários do Sagrado Coração, com sede em Vila Formosa, São Paulo, tenho firme convicção de que nossa Igreja Católica está percebendo a importância de resgatar muitos padres que hoje vivem no casamento.
    DEUS LAUDETUR SIT!!!

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