Um grito diferente no 7 de setembro

 

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Por Alfredo J. Gonçalves, cs –  07/09/2019

Mais que o muito duvidoso “grito do Ipiranga”, no Brasil de hoje são  bem mais importantes os muitos e lancinantes gritos:

  • da Floresta amazônica em chamas, 
  • da terra envenenada pelo agronegócio,
  • das águas poluídas pelo esgoto e pela mineração,
  • dos Índios e Quilombolas, perseguidos e mortos por grileiros e mineiros,
  • dos milhões de desempregados e desesperançados com a “mãe gentil”,
  • da Cultura e Educação atacadas e vilipendiadas,
  • dos pobres do Brasil que nunca vão conseguir se aposentar
  • dos milhões de brasileiros sem acesso à saúde, à educação, à justiça, à segurança e ao trabalho digno. E sempre bombardeados com mentiras “oficiais”

 

UM GRITO PELA VIDA, VIDA PARA TODOS, VIDA EM PRIMEIRO LUGAR!…

 

Um grito contra o furacão de arrogância e do autoritarismo,
Metralhadora verbal que, em todos os momentos e direções,
Cospe fogo e bala sobre qualquer crítico e opositor de bom senso;
Tidos todos como inimigos, comunistas, perigosos, baderneiros…

Um grito contra a guerra às instâncias e instituições democráticas,
Guerra que espalha confusão e intriga entre os poderes e competências,
Semeando insultos, ataques e ofensas entre os diferentes órgãos,
Desqualificando visões, pensamento e valores contrários…

Um grito contra a institucionalização da mentira histórica,
Que desenterra tiranos e rebeldes, torturadores e vítimas,
No sentido de exaltar a ditadura como o melhor dos regimes,
Desdizendo os fatos há muito consolidados pela historiografia…

Um grito contra a falta de políticas públicas de bem comum,
Que possam defender os direitos básicos e a dignidade humana
Dos povos indígenas, das comunidades quilombolas, dos migrantes
E de todas as pessoas e grupos cuja vida se encontra mais ameaçada…

Um grito contra o patrimonialismo, o nacionalismo e o nepotismo:
Um porque mistura, confunde e baralha o campo público e privado;
Outro porque se nutre de bravatas, agressões e retórica populista;
E outro ainda porque privilegia o clã familiar em detrimento da nação….

Um grito contra a cultura da violência que libera o uso e abuso das armas,
Divide o campo de batalha em “bons” e “maus”, os “nossos” e “eles”,
Governa de arma em punho, apontada para os que estão do lado de fora,
Vendo fantasmas em cada esquina, em cada mensageiro, em cada sombra…

Um grito contra o desmonte de políticas dura e longamente construídas:
Em favor da preservação do meio ambiente e da biodiversidade,
Em favor dos povos e riquezas, da fauna e flora da região amazônica,
Em favor da pesquisa científica e da educação para o diálogo…

Um grito contra a cultura do confronto, da vingança e da morte;
Que após se espalhar pelo país tem ultrapassado suas fronteiras,
Jogando cizânia em meio ao trigo das boas maneiras diplomáticas,
Isolando o Brasil e provocando retaliações nas relações econômicas…

Um grito contra um sistema que não vale, pois exclui, descarta e mata;
Em favor da mobilização e da luta por justiça, direitos e liberdade;
Pela reconstrução de um projeto em vista do “Brasil que queremos”
Pelo resgate da democracia na esfera local, nacional e global…

 

*Alfredo J. Gonçalves, cs

Fonte:  https://www.revistamissoes.org.br/2019/09/um-grito-diferente-no-7-de-setembro/

 

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