Queimadas elevam temor do Planalto com Sínodo da Amazônia

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Tânia Monteiro Felipe Frazão – 27 Agosto 2019 – Foto: Daqui
Interlocutores de Bolsonaro relatam preocupação com documento de encontro da Igreja depois de crise internacional gerada por desmatamento e incêndios na Amazônia.
A reportagem é de Tânia Monteiro Felipe Frazão, publicada por O Estado de S. Paulo, 27-08-2019.

 

Às vésperas do Sínodo da Amazônia, o Planalto demonstra desconfiança em relação ao encontro que ocorrerá, em Roma, entre 6 e 27 de outubro. Na semana passada, o governo enviou um novo embaixador para o Vaticano, o diplomata Henrique da Silveira Pinto, que já foi instruído a conversar com representantes da Santa Sé sobre as preocupações com possíveis críticas ao Brasil.

Em entrevista ao Estado, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI),

  • general Augusto Heleno, ressaltou que foram realizadas várias reuniões com representantes da Igreja,
  • mas não esconde que o Palácio do Planalto espera que o Sínodo se limite a questões religiosas.

O incômodo do governo

  • aumentou em razão de um périplo pelo rio Amazonas, iniciado em julho,
  • de um barco-hospital da Diocese de Óbidos, iniciativa financiada por entidades religiosas de São Paulo.

Batizada de Papa Francisco, a embarcação tem feito atendimentos da saúde a populações carentes do Baixo Amazonas, no Pará. O governo afirma que faz rotineiramente esse atendimento humanitário às populações ribeirinhas, com pelo menos cinco embarcações, em diversos braços fluviais na região.

 

(Foto: CNBB)

A presença desse barco, neste momento,

  • é encarada como uma forma de fazer propaganda da Igreja
  • em atendimento a populações desassistidas.

Embora reconheça dificuldades e carências da região, o governo pretende reagir caso o périplo do barco sirva para que a Igreja dê a entender que não há assistência do Estado na Amazônia.

Ao levar a assistência aos ribeirinhos,

  • d. Bernardo Bahlmann, presidente do Regional Norte 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),
  • disse que a iniciativa partiu de um chamado do papa Francisco para uma maior atenção sobre a região.

A ideia do barco-hospital surgiu diante

da necessidade do nosso povo, o abandono do nosso povo no Oeste do Estado do Pará e, sobretudo, a fragilidade da saúde na nossa região da Amazônia, afirmou o bispo.

Interlocutores do presidente Jair Bolsonaro disseram que

  • aumentou a preocupação com o tom do documento a ser produzido pelo Sínodo,
  • em meio às críticas sobre o aumento das queimadas,
  • a demora em ação no combate ao fogo
  • e o crescimento do desmatamento.

Quando indicado ao cargo, o embaixador Silveira Pinto apontou problemas em documentos preparatórios do Sínodo. Segundo ele, os textos continham “ideias e conceitos” que causaram preocupação. O governo espera que o documento final, por tradição do Vaticano, não cite nominalmente governos e políticas públicas.

A íntegra da reportagem pode ser lida aqui

Tânia Monteiro

Tânia Monteiro Felipe Frazão

 

Fonte:http://www.ihu.unisinos.br/592044-queimadas-elevam-temor-do-planalto-com-sinodo-da-amazonia

 

 

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