O manifesto do Papa Francisco para salvar a Amazônia da destruição

O papa está um passo à frente na capacidade de ouvir os povos indígenas e os governos poderiam extrair frutos com o método e estilo do sínodo para iniciar políticas conservadoras e promocionais para aquele imenso território de alto risco.

 

O manifesto do Papa Francisco para salvar a Amazônia da destruição

de Carlo Di Cicco –  25/08/2019 –  Foto: Daqui

Tradução: Orlando Almeida

Somente no Brasil, entre 2003 e 2017, foram 1.119 nativos da Amazônia mortos por defender seus territórios e isso porque questionar o poder de defesa do território e dos direitos humanos “está colocando a vida em risco, abrindo um caminho de cruz e martírio ”.

O Papa Francisco foi o primeiro a tentar dar uma resposta cultural orgânica ao clamor das populações indígenas da Amazônia engajadas na luta “contra aqueles que querem destruir a vida” da natureza e não respeitam os direitos humanos “.

“O abate maciço das árvores, a destruição da floresta tropical por incêndios florestais intencionais, a expansão da fronteira agrícola e das monoculturas são a causa dos atuais desequilíbrios climáticos regionais, com efeitos evidentes no clima global, de dimensões planetárias, como grandes secas e inundações cada vez mais freqüentes ”. 

O Papa Francisco cita as bacias da Amazônia e do Congo como “o pulmão do planeta, ressaltando a urgência de protegê-los”.

Agora,  enquanto o G7 ,

  • reunido no momento em que a floresta amazônica arde em uma miríade de incêndios devastadores de milhares de hectares de floresta
  • e desencadeou um duro confronto sobre responsabilidades políticas e negligência do governo,
  • verifica-se que há alguns anos Francisco pôs em movimento um plano de intervenção para proteger e revitalizar o bem-estar das populações da Amazônia e da floresta.

Não é uma questão de tagarelice improvisada para uma campanha de consenso sem mudar as coisas.

  • É um manifesto de alívio real e eficaz
  • que se move com o método de ver, julgar, agir.

Somente no Brasil, entre 2003 e 2017,

  • foram 1.119 os indígenas  da Amazônia assassinados  por defenderem as  suas terras
  • e isto porque pôr em discussão  o poder, na   defesa dos territórios e dos direitos humanos “é pôr em risco a própria vida, abrindo um caminho de cruz e de martírio”.

O Papa Francisco foi o primeiro a tentar dar uma resposta cultural orgânica ao clamor das populações indígenas da Amazônia engajadas na luta

“contra aqueles que querem destruir a vida da natureza e não respeitam os direitos humanos”. “A derrubada maciça das árvores, a destruição da floresta tropical por incêndios florestais intencionais, a expansão da fronteira agrícola e das monoculturas são a causa dos atuais desequilíbrios climáticos regionais, com efeitos evidentes no clima global, de dimensões planetárias, como grandes secas e inundações cada vez mais frequentes ”.

O Papa Francisco cita as bacias da Amazônia e do Congo como “o pulmão do planeta, ressaltando a urgência de protegê-los”.

Também poderia ser útil para governos animado pela preocupação sincera de salvar e proteger a Amazônia. Francisco o faz acima de tudo por sua Igreja, para orientá-la e encorajá-la a mudar sua mentalidade,

  • passando de uma visão colonialista e ocidental de suas intervenções e de sua pastoral
  • para uma visão inculturada e transcultural,
  • traduzida em plena cidadania do território e dos pobres da Amazônia dentro da Igreja Católica.

Não é uma Igreja

  • que usa a Amazônia,
  • mas a serviço e escuta dos povos indígenas.

Está, portanto, pronto para mudar, mesmo em profundidade, o que precisa mudar em comparação com o passado. No território amazônico

  • existem entre 110 e 130 diferentes povos indígenas em isolamento voluntário ou livres
  • que vivem à margem da sociedade,
  • em contato profundo com a natureza.

O problema sobre o  “que fazer” para salvar a Amazônia  antes que  morra, é grande demais aos olhos do papa, tanto que ele decidiu envolver toda a Igreja no problema e por isso convocou um sínodo para o próximo mês de outubro no Vaticano. O sínodo é um momento de máxima escuta e decisão na Igreja, que depois se mobiliza para traduzir e implementar, em todas as dioceses do mundo, os compromissos assumidos.

O sínodo na Amazônia

  • causou alarme  até no governo do presidente Bolsonaro,
  • que não é considerado amigo mas opositor de uma visão ecológica da Amazônia
  • e mais favorável às grandes companhias mineradoras e aos grupos interessados ​​em destruir a floresta
  • para dar espaço a indústrias e assentamentos urbanos, resultantes da especulação financeira ou de terras.

Críticas às políticas de Bolsonaro já repercutiram nos trabalhos do G7. E o presidente brasileiro já tinha manifestado anteriormente os seus temores em relação ao sínodo.

E com razão, se considerarmos a cultura inovadora que anima o documento básico do sínodo, publicado no início de junho passado. O documento é extremamente duro em relação ao estado de emergência a que  a Amazônia foi reduzida. Uma dura realidade que “põe em causa todos” porque todos têm alguma responsabilidade histórica por tanta desolação.

“A violência, o caos e a corrupção são generalizados – lê-se no texto do Instrumento de trabalho  do sínodo. – O território tornou-se um espaço de confrontos e de extermínio de povos, culturas e gerações. Há pessoas que  são forçadas a deixar a própria terra; muitas vezes caem nas redes das máfias, do narcotráfico e do tráfico de seres humanos.”  

Por isso, com o sínodo, Francisco decidiu sacudir a consciência do mundo e das instituições internacionais  a fim de que o brado dos indígenas seja escutado pelo mundo inteiro. Francisco

  • pede muito à sua Igreja para que se adapte eficazmente ao pedido da população amazônica,
  • mas também pede muito,  através do sínodo, à política e à economia mundial;
  • pede mudanças para sustar  a degradação primeiro
  • e depois abrir caminho para a esperança de um novo curso ecológico e justo, uma garantia de vida na Terra.

 

 

 

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