Os microplásticos caem com a neve e a chuva. E estão por todo o lado

Foto:Recolha de amostras de neve no Árctico Mine Tekman/Instituto Alfred Wegener

Investigadores descobriram micropartículas de plástico em amostras de neve recolhidas na Alemanha, Suíça e no Árctico.

Ainda que a concentração mais alta seja encontrada na Europa (em áreas habitadas), as micropartículas podem mesmo chegar a lugares remotos. É oficial: está a chover plástico.

 

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Graças ao movimento das ondas do mar e às radiações ultravioleta do Sol, o lixo é gradualmente dividido em pedaços cada vez mais pequenos, que se vão espalhando por toda a parte e acabam por chegar até nós.

Um relatório do Fundo Mundial para a Natureza mostra que estamos a ingerir até cinco gramas de plástico por semana: o equivalente a um cartão de crédito. Estas partículas são também ingeridas por animais, especialmente marinhos, que as confundem com alimento no oceano.

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Foto: Investigadores recolhem amostras de neve no Árctico Mine Tekman

 

Recentemente, uma outra equipa encontrou micropartículas de plástico em amostras de precipitação recolhidas na região das Montanhas Rochosas, no Colorado.

Gregory Wetherbee, dos Serviços Geológicos dos Estados Unidos, é um dos autores do estudo “Está a chover plástico”,que levanta novas questões sobre o impacto ambiental provocado pelas actividades humanas e sublinha a ideia de que as partículas de plástico podem viajar por centenas ou milhares de quilómetros.

Agora o estudo dos investigadores do Instituto Alfred Wegener, intitulado “Branco e maravilhoso? Microplásticos prevalecem na neve dos Alpes ao Árctico”, aponta que o mesmo acontece com a neve. As concentrações de plástico encontradas foram bastante altas, o que indica uma contaminação significativa da atmosfera.

Nada que tivesse surpreendido Melanie Bergmann, uma das líderes do grupo de investigação:

“É facilmente perceptível que a maioria do plástico encontrado na neve vem do ar.”

A sua hipótese é suportada por uma investigação anterior com grãos de pólen — especialistas confirmaram que o pólen de latitudes médias (áreas que estão situadas entre os trópicos e as regiões polares) é transportado pelo ar até ao Árctico. E estes grãos têm aproximadamente o mesmo tamanho do que as partículas de microplástico — ou seja, menos de cinco milímetros de diâmetro.

A maior concentração de microplásticos foi encontrada numa zona rural na Baviera, onde foram encontradas 154 mil partículas por litro de neve; no Árctico foram mais de 14.400 partículas por litro.

Os tipos de plástico encontrados variam consoante o local:

no Árctico, os investigadores encontraram principalmente

  • partículas de borracha nitrílica (usada em vedações e mangueiras, por exemplo),
  • acrilatos (formam os polímeros acrílicos) e tinta.

na Baviera, as amostras continham especialmente vários tipos de borracha utilizados em diferentes aplicações, como pneus.

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Foto: Amostras de neve recolhidas na Suíça

Um aspecto realçado por Gunnar Gerdts, outro dos líderes da equipa de investigação, é o facto de as concentrações de microplásticos serem consideravelmente mais altas do que as concentrações encontradas noutros estudos, tais como as partículas de pó do deserto do Sara, que viajam mais de 3500 quilómetros.

O que, segundo o investigador, pode acontecer por dois motivos:

“O primeiro é que a neve é extremamente eficiente a transportar microplásticos da atmosfera. Depois, pode dever-se também à [técnica de] espectroscopia no infravermelho que utilizámos”.

Esta técnica pode “detectar até as mais pequenas partículas”, como as de 11 micrómetros (milésima parte de um milímetro) — as mais pequenas que foram encontradas.

 

Mariana Durães

 

Mariana Durães

 

Fonte: https://www.publico.pt/2019/08/14/p3/noticia/microplasticos-1883433

 

 

 

 

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