Governo comete fraude intelectual para desqualificar Inpe

“O que importa é que os desmatamentos apontados pelo sistema do Inpe de fato aconteceram e seu ritmo de fato aumentou”, afirma o Observatório do Clima, em nota publicada no dia 01-08-2019.

Eis a nota.

Diante dos índices pornográficos de desmatamento na Amazônia no ano de 2019, Jair Bolsonaro e seus ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente), Augusto Heleno (Segurança Institucional) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores) convocaram uma entrevista coletiva na qual apresentaram uma mentira, uma fraude e uma falsa solução para o problema.

A mentira ficou por conta do presidente. Bolsonaro voltou a sugerir que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e seu diretor, Ricardo Galvão, divulgaram os dados de desmatamento do sistema Deter-B à imprensa por má fé, numa tentativa deliberada de minar a reputação do Brasil e do governo.

Isso é falso: o Inpe não “divulgou” os dados; eles estão disponíveis diariamente na internet na plataforma TerraBrasilis, que desde o fim de 2018 mantém os sistemas Deter e Prodes numa interface amigável. O que ocorreu foi que o desmatamento virou notícia porque ele disparou desde maio.

A fraude veio pelas mãos do ministro do Meio Ambiente. Ricardo Salles tentou desqualificar o Deter apresentando uma análise de seus dados feita com observações selecionadas a dedo – o Inpe afirmou que não teve acesso prévio ao estudo.

As discrepâncias apontadas por Salles são normais dentro do Deter. O que importa é que os desmatamentos apontados pelo sistema do Inpe de fato aconteceram e seu ritmo de fato aumentou. Uma análise honesta demandaria uma série de dados ano a ano e mês a mês com imagens da empresa Planet, usadas por Salles em seu estudo, o que não existe.

A falsa solução proposta por Salles e Bolsonaro é contratar, com dinheiro público, um novo sistema que use imagens Planet para dar “informações mais detalhadas”.

Se o objetivo é produzir uma contestação do Inpe, não vai dar certo – o Deter é apenas um de quatro sistemas que monitoramAmazônia em tempo real, e todos eles apontam a mesma tendência de alta explosiva em 2019.

  • O Deter é um sistema de excelência
  • produzido por um órgão público de excelência,
  • e foi um dos responsáveis pela redução de 70% na taxa de desmatamento observada entre 2004 e 2012.

Tentativas de desqualificá-lo e de reduzir a transparência no monitoramento florestal do Brasil só trarão mais prejuízo à imagem do país.

  • Se o propósito é municiar o Ibama,
  • o governo prevarica: afinal, não é por falta de satélites que o desmatamento está subindo.

O desmatamento sobe porque Salles e Bolsonaro

  • “meteram a foice no Ibama”,
  • reduziram o número de operações de fiscalização e de multas
  • e preferem confraternizar com madeireiros
  • e estimular garimpeiros a agir com base nos alertas do Deter.

Se Salles gastasse combatendo o crime ambiental metade da energia que gasta combatendo a ciência e os fatos, a crise do desmatamento não teria tomado a proporção que tomou.

Vai trabalhar, ministro.

 

Observatório do Clima

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/591305-governo-comete-fraude-intelectual-para-desqualificar-inpehttp://www.observatoriodoclima.eco.br/governo-comete-fraude-intelectual-para-desqualificar-inpe/

 

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