Pesquisadora: Artefatos mostram que mulheres da igreja primitiva serviram como clérigos

‘Mulheres são vistas no altar da igreja em três das igrejas mais importantes da cristandade’

 

Sarah Mac Donald –  13 de julho de 2019

Tradução: Orlando Almeida

Na Foto: Um frontal do sarcófago de pedra da Hagia Sophia em Constantinopla,  de 430 dC aproximadamente, no Museu Arqueológico de Istambul, mostrando uma figura masculina e uma feminina em pé de cada lado do altar. (Cortesia de Ally Kateusz / Instituto Wijngaards de Pesquisa Católica)

Uma nova pesquisa recentemente divulgada em Roma sugere que as mulheres tinham, nos ministérios e liturgias da igreja primitiva, um papel maior do que se pensava anteriormente e estavam presentes nos altares da igreja como ‘diáconos’, como sacerdotes e até como bispos.

 

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Ally Kateusz, (na foto: Amazon.com) pesquisadora associada do Instituto Wijngaards para Pesquisa Católica, apresentou em 2 de julho as suas descobertas à Sociedade Internacional de Literatura Bíblica, baseando-se na iconografia da antiga arte cristã.

Especialista em história tardo-antiga, ela lecionou na Webster University e na University of Missouri-Kansas City. Ela disse na conferência, realizada na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, que três das mais antigas imagens, que se conservaram até hoje, – de cristãos em atos de culto em altares de igrejas – mostram mulheres em funções  litúrgicas oficiais.

Um dos artefatos sobre os quais ela baseia suas descobertas é uma caixa-relicário de marfim que data de aproximadamente 430 dC e mostra um homem e uma mulher de cada lado de um altar, cada um levantando um cálice. O altar é o da antiga Basílica de São Pedro, em Roma. O gesto de levantar um cálice é reconhecido como um ato litúrgico realizado pelos sacerdotes.

Dois outros artefatos também retratam mulheres em altares: um é uma píxide de marfim do século VI na Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém, e o outro é um frontal de  sarcófago de pedra da Hagia Sophia [Santa Sofia] em Constantinopla, que data de aproximadamente 430 dC e mostra uma figua masculina e outra feminina de pé em ambos os lados do altar, levantando os braços em postura orans .

“Píxide com as Mulheres no túmulo de Cristo”, em marfim, de aproximadamente 500 dC, feita no Mediterrâneo Oriental (Metropolitan Museum of Art)

Kateusz acredita que as imagens são significativas porque mostram mulheres e homens em papeis paralelos, com seus corpos e gestos refletindo um ao outro, e sugere que esse paralelismo é indicativo da sua igualdade nos seus papeis litúrgicos.

“Se os escultores tivessem retratado apenas homens nestes altares de igreja, todos presumiriam que eles tinham importantes papeis litúrgicos”, disse ela.

Segundo Kateusz, autora de Mary and Early Christian Women: Hidden Leadership [Maria e as Primeiras Mulheres Cristãs: Liderança Oculta] , as obras de arte “mostram que as primeiras mulheres cristãs atuavam rotineiramente como clero nas igrejas ortodoxas”.

“A arte fala por si mesma porque as mulheres são vistas no altar   em três das igrejas mais importantes da Cristandade”, disse ela ao NCR. Ela acredita que é provável que a participação das mulheres nas liturgias e na Eucaristia na igreja primitiva fosse rotineira.

 

Dos primeiros sete séculos do cristianismo, praticamente não sobreviveu nenhum manuscrito litúrgico relativo à ordenação, deixando uma longa lacuna no registro histórico. O manuscrito mais antigo que descreve a ordenação no rito Romano, o Ordo Romanus, data do século IX, séculos depois desses três artefatos

“Pyx with the Women at Christ’s Tomb,” ivory pyx, circa A.D. 500s, made in Eastern Mediterranean (Metropolitan Museum of Art)

 

“Mais tarde, os escribas censuraram facilmente os textos que originalmente descreviam a ordenação de mulheres. Mas esses artefatos sobreviveram porque estavam enterrados. Eles foram desenterrados no século 20”, explicou Kateusz. Os artefatos fornecem “janelas preciosas através das quais podemos ver a liturgia cristã primitiva como era  realizadano passado”, disse ela, ressaltando que não há obras de arte cristã primitiva em que sejam retratados apenas homens no altar da igreja.

Mas nem todos estão convencidos de que essas figuras femininas eram padres.

“A mulher levantando um cálice seria consistente com o papel do diácono no momento da elevação do cálice na Missa, e há documentação de que  mulheres diaconisas participavam da Missa desta maneira”, disse ao NCR Phyllis Zagano, professora adjunta de religião da Hofstra University em Nova York e membro da comissão do Papa Francisco sobre as mulheres e o diaconato.

Zagano também destacou que não existem vestígios de  cerimônias de ordenação de  mulheres como sacerdotes, mas há muitos para as mulheres como diaconisas.

Interpretar a representação da elevação do cálice na caixa-relicário de marfim do quinto século como  ilustração do sacerdócio em vez do diaconato não é uma conclusão evidente, reconheceu Kateusz.

“Na maioria dos casos, podemos presumir que eram dois padres ou dois bispos presidindo juntos no altar”, disse ela. “No entanto, um escrito, conhecido como  Didascalia Apostolorum, descreve as primeiras comunidades cristãs no Oriente onde uma dupla de diáconos homens e mulheres supervisionavam as oferendas. O diácono homem simbolizava Cristo enquanto o diácono mulher simbolizava o Espírito Santo, que era do gênero feminino em todos os lugares onde era falado o Aramaico, e esta dupla estava numa posição acima dos presbíteros, que simplesmente representavam os apóstolos”.

Interpretar a representação da elevação do cálice na caixa-relicário de marfim do quinto século como  ilustração do sacerdócio em vez do diaconado não é uma conclusão evidente, reconheceu Kateusz.

“Na maioria dos casos, podemos presumir que eram dois padres ou dois bispos presidindo juntos no altar”, disse ela. “No entanto, um escrito, conhecido como  Didascalia Apostolorum , descreve as primeiras comunidades cristãs no Oriente onde uma dupla de diáconos homens e mulheres supervisionavam as oferendas. O diácono homem simbolizava Cristo enquanto o diácono mulher simbolizava o Espírito Santo, que era do gênero feminino em todos os lugares onde era falado o Aramaico, e esta dupla estava numa posição acima dos presbíteros, que simplesmente representavam os apóstolos”.

 

5. Book cover w Cerula, Mary and Early Christian Women cc.jpg

A capa do livro “Mary and Early Christian Women: Hidden Leadership”, de Ally Kateusz, apresenta um afresco da Catacumba de San Gennaro, em Nápoles, Itália, coberto com uma placa de mármore até 1977 e depois restaurado em 2011 (Cortesia do Instituto de Pesquisa Católica Ally Kateusz / Wijngaards)

Outras figuras femininas representadas desempenhando papeis litúrgicos nos artefatos podem ser mulheres diaconisas.

“A representação de alguns homens e mulheres na área do altar da antiga Igreja de São Pedro parece consistente com o papel dos diáconos”, disse Kateusz. “As duas mulheres que aparecem  carregando turíbulos de incenso no altar da Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém são claramente consistentes com o papel dos diáconos”.

Em Roma, Kateusz liderou um grupo para examinar um mosaico na Capela de São Venâncio, no Batistério de Latrão, que mostra Maria usando o que parece ser um pálio, um símbolo de autoridade episcopal dada aos novos bispos. Segundo Miriam Duignan, do Instituto Wijngaards para Pesquisa Católica, que fazia parte do grupo, o Santo Ofício decretou em 1916 que todas as imagens que retratassem Maria em vestes sacerdotais fossem proibidas e esse mosaico foi ocultado por um enorme retábulo.

A maioria das tesselas vermelhas documentadas que compõem a cruz no pálio de Maria foram removidas.

O mosaico mostra os braços de Maria erguidos como se estivesse celebrando a  Eucaristia.

 

Mosaico da ábside do altar, de 650 dC aproximadamente, Capela de São Venâncio, Batistério de Latrão; uma pintura de 1890 do mosaico de Giovanni Battista de Rossi, que retrata Maria usando um pálio episcopal com uma cruz vermelha. (Cortesia de Ally Kateusz / Instituto Wijngaards de Pesquisa Católica)

“O pálio episcopal não foi visto por ningém em obras de arte anteriores a de 550. Este é de 650. O pálio só é dado a alguém considerado bispo. O Papa Teodoro encomendou este mosaico, incluindo o pálio do bispo. É uma maneira simbólica de dizer que Maria era uma líder da  igreja”, diz Duignan.

Alguns especialistas acreditam que as mulheres representadas com um pálio são abadessas. No entanto, Kateusz refere-se à pesquisa do historiador de arte russo Alexei Lidov. Ele acredita que este mosaico do século VII,  de Maria com o pálio, é um símbolo de seu sacerdócio, comparando-o com uma pintura de parede do século XI na Basílica de São Clemente em Roma, que retrata o papa Clemente com os braços erguidos usando o mesmo pálio enquanto celebra a Eucaristia na mesa do altar.

“Por que interpretaríamos de maneira diferente o pálio episcopal visto em Maria, em pé e com os braços erguidos acima do altar no Batistério de Latrão, a apenas meio quilômetro de distância?”, perguntou Kateusz.

Gary Macy, titular da cátedra John Nobili SJ de Teologia, na Universidade de Santa Clara, disse que a questão da ordenação de mulheres ao sacerdócio foi encerrada pelo Vaticano, mas isso não deve impedir os historiadores de analisar novos materiais e textos que possam retratar as mulheres como diáconos ou sacerdotes.

Falando ao NCR, ele concordou que as figuras femininas de Kateusz poderiam ser diáconos ou padres.

“Mulheres diaconisas também tinham o pálio” como, explicou ele, é mostrado pelo rito de ordenação de uma diaconisa, do século X. Macy, autor  de The Hidden History of Women’s Ordination: Female Clergy in the Medieval West (A História Oculta da Ordenação de Mulheres: Clero Feminino no Ocidente Medieval), reconheceu que a caixa-relicário de marfim do quinto século, representando uma figura feminina levantando um cálice, poderia sugerir o sacerdócio. “É uma possibilidade”, disse ele, mas há outros artefatos cristãos que mostram uma mulher levantando um cálice. “Santa Bárbara, por exemplo, é tradicionalmente retratada segurando um cálice”.

Quanto a saber se uma mulher com um pálio é bispo ou abadessa, Macy disse ao NCR:

‘Algumas abadessas atuavam como bispos de facto. Maria poderia ser descrita como diaconisa porque ela ‘tornou presente a palavra’ exatamente como faz o diácono quando Evangelho é lido”.

“A interpretação mais óbvia desses artefatos é que as mulheres tinham funções  litúrgicas na igreja primitiva”, disse Macy

“Durante séculos, presumiu-se que as mulheres não presidiam a liturgia nem desempenhavam certas funções litúrgicas no cristianismo. Essa presunção não já não tem sustentação, por isso olhamos para os remanescentes do passado sem essa presunção”.

Macy no entanto não acredita que o Vaticano tenha tentado esconder a evidência de mulheres em papéis litúrgicos.

“Algumas vezes foram feitas tentativas para mudar os textos ou representações,  mas eu suspeito que estes tenham sido atos individuais, não algum plano combinado”, disse ele.

Mas Duignan acredita que o Vaticano escondeu evidências e que essa nova pesquisa provavelmente não encontrará muitos apoiadores mesmo hoje.

“O Vaticano estará sem dúvida relutante em se envolver nestas descobertas porque liderou uma campanha para excluir as mulheres com o argumento da tradição”, disse ela. “Mas para a maioria dos católicos, a pesquisa confirmará o que eles suspeitavam o tempo todo – que a proibição do clero feminino sempre teve como motivo  o silenciamento e repressão das mulheres e nunca a verdadeira tradição”.

 

 

Sarah Mac Donald

é jornalista freelancer em Dublin.

https://www.ncronline.org/news/theology/researcher-artifacts-show-early-church-women-served-clergy?clickSource=email

 

 

Researcher: Artifacts show that early church women served as clergy

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A stone sarcophagus front from the Hagia Sophia in Constantinople, circa A.D. 430, at the Instanbul Archaeological Museum, showing a male and a female figure standing on either side of the altar. (Courtesy of Ally Kateusz/Wijngaards Institute of Catholic Research)

New research recently unveiled in Rome suggests women had a greater role in the early church’s ministries and liturgies than previously thought and were present at church altars as deacons, priests and even bishops.

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Ally Kateusz, research associate at the Wijngaards Institute for Catholic Research, presented her findings July 2 to the International Society of Biblical Literature, drawing on iconography from ancient Christian art.

A specialist in the history of late antiquity, she has taught at both Webster University and the University of Missouri-Kansas City. She told the conference, which was held at the Pontifical Gregorian University in Rome, that three of the earliest surviving images of Christians worshipping at church altars show women in official liturgical roles.

One of the artifacts she bases her findings on is an ivory reliquary box dating from around A.D. 430 that depicts a man and a woman standing on either side of an altar, each raising a chalice. The altar is that of Old St. Peter’s Basilica in Rome. The gesture of raising a chalice is recognized as a liturgical act performed by priests.

Two other artifacts also depict women at altars: One is a sixth century ivory pyx of the Church of the Holy Sepulcher in Jerusalem, and the other is a stone sarcophagus front from the Hagia Sophia in Constantinople, which dates from around A.D. 430 and shows a male and a female figure standing on either side of the altar, holding their arms up in the orans pose.

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“Pyx with the Women at Christ’s Tomb,” ivory pyx, circa A.D. 500s, made in Eastern Mediterranean (Metropolitan Museum of Art)

Kateusz believes that the images are significant because they show women and men in parallel roles, their bodies and gestures mirroring one another, and she suggests that this parallelism is indicative of their equality in their liturgical roles.

“If the sculptors had portrayed only men at these church altars, everyone would assume that they had important liturgical roles,” she said.

According to Kateusz, author of Mary and Early Christian Women: Hidden Leadership, the artworks “illustrate that early Christian women routinely performed as clergy in orthodox churches.”

“The art speaks for itself because women are seen at the church altar in three of the most important churches in Christendom,” she told NCR. She believes it is likely that women’s participation in liturgies and the Eucharist in the early church was routine.

Virtually no liturgical manuscripts survived from the first seven centuries of Christianity in relation to ordination, lending to a long gap in the historical record. The oldest manuscript describing ordination in the Roman rite, the Ordo Romano, dates from the ninth century, centuries after these three artifacts.

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“Pyx with the Women at Christ’s Tomb,” ivory pyx, circa A.D. 500s, made in Eastern Mediterranean (Metropolitan Museum of Art)

“Later scribes easily censored texts that would have originally described women’s ordination. But these artifacts survived because they were buried. They were dug up in the 20th century,” explained Kateusz. The artifacts provide “precious windows through which we can see the early Christian liturgy as it was once performed,” she said, pointing out that there is no early Christian art where only men are depicted at the church altar.

But not everyone is convinced that these female figures were priests.

“The woman raising a chalice would be consistent with the deacon’s role at the time of the showing in the Mass, and there is documentation that women deacons participated in the Mass in this manner,” Phyllis Zagano, adjunct professor of religion at Hofstra University in New York and a member of Pope Francis’ commission on women and the diaconate, told NCR. Zagano also highlighted that there are no extant ordination ceremonies for women as priests, but there are many for women as deacons.

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The book cover to “Mary and Early Christian Women: Hidden Leadership” by Ally Kateusz, features a fresco from the Catacomb of San Gennaro in Naples, Italy, that was covered with a marble plaque until 1977, and later restored in 2011 ((Courtesy of Ally Kateusz/Wijngaards Institute of Catholic Research)

Interpreting the depiction of the lifting of the chalice on the fifth century ivory reliquary box as exemplifying priesthood rather than the diaconate is not clear cut, Kateusz acknowledged.

“In most cases we might assume they were two priests or two bishops presiding together at the altar,” she said. “Yet a writing, known as the Didascalia Apostolorum, describes early Christian communities in the East where a pair of male and female deacons supervised the offerings. The male deacon symbolized Christ while the female deacon symbolized Holy Spirit, who was feminine gender everywhere Aramaic was spoken, and this pair ranked above the presbyters, who merely represented the apostles.”

Other female figures depicted in liturgical roles in the artifacts could be women deacons.

“The portrayal of some of the men and women in Old St. Peter’s altar area seems consistent with the role of deacons,” Kateusz said. “The two women seen carrying censers of incense at the altar in the Church of the Holy Sepulcher in Jerusalem is clearly consistent with the role of deacons.”

In Rome, Kateusz led a group to see a mosaic at San Venantius Chapel in the Lateran Baptistery which depicts Mary wearing what appears to be a pallium, a symbol of episcopal authority given to new bishops. According to Miriam Duignan of the Wijngaards Institute for Catholic Research, who was part of the group, the Holy Office decreed in 1916 that all images depicting Mary in priestly vestments were to be banned and this mosaic was obscured by a massive altar piece. Most of the documented red tesserae comprising the cross on Mary’s pallium were removed. The mosaic shows Mary’s arms raised as if performing the Eucharist.

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Altar apse mosaic, circa A.D. 650, San Venantius Chapel, Lateran Baptistery; an 1890s painting of the mosaic by Giovanni Battista de Rossi, that depicts Mary wearing an episcopal pallium with a red cross. (Courtesy of Ally Kateusz/Wijngaards Institute of Catholic Research)

“The episcopal pallium was not seen on anyone in art until 550. This is 650. It is only ever given to someone considered a bishop. Pope Theodore commissioned this mosaic including the bishop’s pallium. It is a symbolic way of saying Mary was a church leader,” Duignan said.

Some experts believe that women depicted with a pallium are abbesses. However, Kateusz refers to Russian art historian Alexei Lidov’s research. He believes this seventh century mosaic of Mary with the pallium is a symbol of her priesthood, comparing it with an 11th century wall painting in Old St. Clement Basilica in Rome, that depicts Pope Clement with his arms raised wearing the same pallium while performing the Eucharist at an altar table.

“Why would we interpret the episcopal pallium seen on Mary standing with her arms raised above the altar in the Lateran Baptistery just half a mile away differently?” Kateusz asked.

Gary Macy, John Nobili SJ, Professor of Theology at Santa Clara University, said the question of ordaining women to the priesthood has been closed by the Vatican, but that should not, and will not, stop historians from analyzing new material and texts that may portray women as either deacons or priests.

Speaking to NCR, he agreed that Kateusz’s female figures could be deacons or priests.

“Women deacons also had the pallium,” he explained, shown by the 10th century ordination rite for a deaconess. Macy, author of The Hidden History of Women’s Ordination: Female Clergy in the Medieval West, acknowledged that the fifth century ivory reliquary box depicting a female figure lifting a chalice could suggest priesthood. “It is a possibility,” he said, but there are other Christian artifacts that depict a woman lifting a chalice. “St. Barbara, for example, is traditionally portrayed as holding a chalice.”

As to whether a woman with a pallium is a bishop or an abbess, Macy told NCR, “Some abbesses acted as de facto bishops. Mary could be depicted as a deacon because she ‘made the word present’ just as the deacon does when the Gospel is read.”

“The most obvious interpretation of these artifacts is that women held liturgical roles in the early church,” Macy said. “For centuries, it was just presumed that women did not lead the liturgy or perform certain liturgical functions in Christianity. That presumption is no longer held, so one looks at the remains of the past without that presumption.”

Macy does not believe, however, that the Vatican tried to hide the evidence of women in liturgical roles.

“Sometimes attempts have been made to change the texts or portrayals, but I suspect these are individual acts, not some concerted plan,” he said.

But Duignan believes the Vatican has hidden evidence and this new research is unlikely to find too many supporters even today.

“The Vatican will undoubtedly be reluctant to engage with these findings because they have led a campaign to exclude women via the argument of tradition,” she said. “But for most Catholics, the research will confirm what they suspected all along — that the ban on female clergy has always been about the silencing and suppression of women and never about true tradition.”

[Sarah Mac Donald is a freelance journalist based in Dublin.]

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