XXII Encontro Nacional do Movimento das Famílias dos Padres casados – MFPC

1. Notícia do XXII Encontro Nacional do MFPC em Manaus; 2. Carta Aberta; 3.  Proposta bienal de Trabalho

 

João Tavares – 13/07/2019

Foto: O grupo participante/ acrítica (Abra o artigo e clique na imagem para aumentar – NdR)

De três a sete de julho de 2019, aconteceu em Manaus, na Inspetoria Laura Vicuña, das Irmãs de Maria Auxiliadora (Salesianas) o XXII Encontro Nacional do Movimento das Famílias dos Padres Casados do Brasil (MFPC).

Os Encontros acontecem a cada dois anos, num dos Estados brasileiros, em geral nas capitais. Participaram cerca de 65 pessoas dos Estados brasileiros e países elencados abaixo, na Carta Aberta.

O MFPC faz parte da Federação Latino-americana de sacerdotes casados e, na Federação, também da Confederação Mundial de Padres casados.

 

Calculamos que o Brasil tem cerca de 8.000 padres casados e que no mundo haja cerca de 150.000, ou seja cerca de um terço do clero católico.

A grande avalanche de saída do ministério aconteceu após o Concílio Vaticano II, entre os anos 1970 e 1990. Mas o êxodo continua, em todos os países e em todos os continentes. Inclusive no Brasil hoje.

Nossos três objetivos principais, conforme os Estatutos da Associação Rumos, braço jurídico do MFPC, são:

I. Promover a mútua ajuda entre os associados, contribuindo para a sua realização pessoal, familiar, profissional e religiosa;
II. Promover o diálogo com Instituições , Organismos Religiosos e Sociais;
III.Promover ações para a construção de uma sociedade justa e fraterna.

Neste ano celebramos os 40 anos de fundação do MFPC, que nasceu espontaneamente a partir de vários grupos estaduais, de norte a sul e de nascente a poente do Brasil, que depois se foram comunicando e unindo no MFPC, fazendo o I Encontro Nacional em Nova Iguaçu em 1979.

Durante vários anos a Direção Nacional ficou em Brasília, onde também estavam sediados

  • o Jornal Rumos, órgão oficioso do MFPC e primeiro meio de comunicação com o mundo externo,
  • o E-grupo de comunicação via e-mail, que, na falte de um Site, foi um importante meio de comunicação interna do MFPC durante vários anos, até ao surgimento do Site: www.padrescasados.org

A partir do ano 2.000 a Diretoria Nacional, o Jornal Rumos e o E-grupo têm migrado por vários Estados.

Tanto nos Encontros Nacionais como nos Encontros da Federação Latino-americana tem se insistido muito na

  • urgente necessidade de procurarmos os colegas que continuam a sair do ministério
  • e se encontram espalhados pelo Brasil inteiro e por toda a América Latina.

Muitos nem sabem da existência do MFPC, e vivem isolados, sem conhecimento dos muitos colegas e grupos presentes nos vários estados, que se reúnem e se apoiam mutuamente.

Estamos certos de que se o MFPC foi bom tão para nós que deixamos o ministério e tanto nos ajudou na nossa reinserção no mundo civil, no mundo do trabalho e no cultivo de nossos valores humanos, cristãos, sacerdotais e familiares, também o pode ser para os que saíram depois de nós e continuam a sair agora.

Com essa finalidade surgiram vários grupos estaduais e um nacional de WhatsApp que têm facilitado muito a busca dos colegas isolados e ausentes e a gradual inserção destes no MFPC.

Logo após o IX Encontro da Federação Latino-Americana de sacerdotes casados, em Quito em 2018, de que participamos três casais brasileiros, também surgiu em Buenos Aires um grupo de WhatsApp para a América Latina, que já agrega dezenas colegas de vários países e está ajudando a encontrar pessoas e a revitalizar os grupos nacionais de padres casados de fala espanhola, do México à Patagônia.

 

Como princípio, não somos contra o celibato. Reconhecemos que ele pode ser um valor para e para a Igreja e para o padre celibatário , lhe dando maior liberdade para uma inteira doação ao ministério.

Mas na condição de que o celibato seja autêntico e ajude o padre celibatário a se realizar integralmente como pessoa e como sacerdote. E não um peso insuportável que o empurra para a tristeza, o isolamento, o abuso sexual, a ganância por dinheiro e vida fácil, o alcoolismo ou sérios problemas psíquicos.

Todavia, sabendo que a vivência de um celibato sacerdotal positivo e frutífero é nada fácil, lutamos pelo celibato opcional: antes da ordenação, como acontece nas Igrejas do Médio Oriente, católicas e ortodoxas, o candidato ao sacerdócio escolheria se quer ser padre casado ou celibatário.

E também lutamos para que a Igreja, tão carente de sacerdotes que garantam a Eucaristia e outros sacramentos a milhões de fiéis desassistidos, aproveite os serviços de tantos de nós padres casados, pessoas sérias e bem formadas que, se chamados pela hierarquia e pelas comunidades, estariam disponíveis para colaborar.

Afinal a Hierarquia investiu muito na nossa formação que, em geral, foi de grande qualidade espiritual, pastoral e intelectual.

Abaixo, inserimos os dois Documentos  elaborados no fim do XXII Encontro Nacional em Manaus

  • Carta Aberta
  • e a Proposta de Trabalho para o próximo biênio

 

João Tavares

Editor


 

 

CARTA ABERTA

Nós, do Movimento das Famílias de Padres Casados – MFPC, reunidos no XXII Encontro Nacional de 3 a 7 de julho de 2019, em Manaus, Amazonas, para tratar do tema: AMAZÔNIA: NOVAS ESPERANÇAS PARA UMA IGREJA RENOVADA E A CONTRIBUIÇÃO DO MFPC, com participação de representantes de vários estados brasileiros (Amazonas, Ceará, Distrito Federal, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Bahia e Santa Catarina) e de países latino-americanos (Argentina, Chile, Equador e Paraguai), elaboramos e aprovamos esta Carta Aberta que propomos à Igreja e ao Povo brasileiro.

Aproximando-nos do Sínodo Panamazônico, que chama a atenção do Brasil e do mundo para a realidade da Amazônia, como a situação dos povos tradicionais da Amazônia, que lutam pelo reconhecimento e demarcação de suas terras, ante o genocídio constante, o descaso com o cuidado de sua saúde e educação, o reconhecimento da soberania de seus representantes tradicionais, de sua cultura, modo de vida e línguas; e, a falta de uma política clara de proteção e sustentabilidade para a região, debatemos neste Encontro o documento Instrumentum Laboris do Sínodo. Vemos claramente a necessidade de uma convivência da Igreja com as Comunidades Tradicionais, com outras denominações religiosas, com Organizações da Sociedade Civil e Comunidades, em prol da Região Panamazônica e sua população.

Em consonância com a proposta do Papa Francisco para o Sínodo, um grande contingente de Padres Casados encontra-se engajado em trabalhos pastorais, comunitários e em defesa dos Direitos Humanos e do Planeta, alinhados com o conceito e o trabalho por uma Ecologia Integral, que abrange não só o Território Amazônico, mas também, engloba a sociedade, a política e a cultura. Assim sendo, como Igreja em saída, encarnada na realidade dos pobres e participativa, reafirmamos os objetivos de nossa Associação Rumos: “promover o diálogo com instituições, organismos religiosos e sociais” e “Promover ações para a construção de uma sociedade justa e fraterna”.

Especificamente sobre a ação evangelizadora da Igreja, propomos, não só para o contexto amazônico, mas para todos os lugares que necessitam de evangelizadores: considerar a ordenação de homens casado; valorizar o exercício do ministério dos padres casados e suas famílias; desvincular a vocação presbiteral da disciplina do celibato obrigatório, tornando o celibato opcional; conceder o ministério ordenado às mulheres; dar poder de decisão e espaço de ação aos leigos em suas comunidades, como protagonistas da evangelização; trabalhar ecumenicamente com todas as expressões religiosas presentes nos territórios, sendo uma voz profética no mundo que promova a reforma metapolítica, democrática e ética da sociedade.

Todavia, propomos uma Pastoral Bíblico-Teológica que escute os clamores da Mãe Terra, sua mística e espiritualidade de cuidado e amor pela vida do ser vivo; assim, nosso encontro, além do aprofundamento do nosso compromisso e relacionamento familiar, está plenamente inserido na preocupação da missão profética da igreja do Brasil. Neste sentido, constatamos que a formação dos padres após a Encíclica Pastores Dabo Vobis, deve se dar inserida, inculturada e encarnada nas realidades do pobre, do excluído, dos mais vulneráveis dos nossos países.


 

 

PROPOSTAS DE TRABALHO DO MFPC PARA O BIÊNIO 2019-2021

Assembleia de 7-07-2019 em Manaus – Amazonas

O MFPC já percorreu uma caminhada de mais de 40 anos e queremos consolidar um dos principais objetivos da Associação: “Promover a mutua ajuda entre os associados, contribuindo para a sua realização pessoal, familiar, profissional e religiosa”.

Olhando prospectivamente para a continuidade e fortalecimento do Movimento, propomos:

  1. Dar maior visibilidade ao MFPC, por meio das mídias, como, Site, Facebook, Instagram, YouTube, WhatsApp e outras
  2. Participar do Sínodo Panamazônico em Roma (6-24 de outubro 2019);
  3. Reativar o Conselho Consultivo da Associação Rumos, com representantes regionais e dos grupos existentes, para – melhor acolher e dar apoio afetivo e socioeconômico aos padres que estão constituindo novas famílias, promover o fortalecimento dos grupos locais e a captação de recursos econômicos em prol da Associação;
  4. Criar mecanismos que possibilitem a integração de nossos filhos aos objetivos do Movimento;
  5. Acolher e dar suporte às viúvas e viúvos do Movimento;
  6. Atualizar o Estatuto da Associação e manter atualizado o cadastro dos padres que ao constituírem suas famílias pararam de exercer o Ministério;
  7. Marcar os Encontros Nacionais em datas que possibilitem uma maior participação dos padres e suas famílias;
  8. Definir táticas, estratégias e metas locais, regionais e nacionais para serem alcançadas pelo Movimento.

 

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