O cardeal eletricista e um papa menos solitário

Iacopo Scaramuzzi  – 08 Julho 2019

Imagem: Montagem: Francisco, perante o espanto de dois cardeais da Cúria romana,  carregando geladeira para os desabrigados de Roma / Revista JESUS, Julho de 2019

 Seria preciso Umberto Eco para contar isto, seria preciso Banksy para retratá-lo, seria preciso Herbert Marcuse para dissecar como o imaginário coletivo pode ser modificado por um único e simples gesto, o do cardeal Konrad Krajewski, o esmoleiro do papa Francisco, que, tendo descido em um bueiro, reacendeu a luz de um edifício ocupado.

O comentário é de Iacopo Scaramuzzi, publicada na revista Jesus, de julho de 2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

 

 

Alguns, na opinião pública, já haviam percebido esse irreprimível cardeal polonês, mas por iniciativas mais comestíveis (os chuveiros para os moradores de rua, as refeições para os sem-teto, o cinema para os pobres…), enquanto se perdia na memória das crônicas o seu apoio aos doentes do método Stamina ou os pacotes de alimentos para os migrantes do centro Baobab sob despejo do Capitólio

 

Resultado de imagem para card.  Konrad Krajewski

Cardeal Krajewski, sai numa Lmbretta do Vaticano para atender aos pobres de  Roma. Há quem diga que o papa Francisco às vezes vai junto, disfarçado., distribuir esmolas aos pobres e desabrigados de Roma – Foto: Luxemburger vort

 

Krajewski não é o típico homem da Igreja circunspecto, que esfrega suas mãos ensaboadas enquanto fala em termos alusivos e reticentes, etéreos e inacessíveis. Ele não parece um cardeal. E agora que, durante a campanha eleitoral, em tempos de populistas barulhentos e soberanos “boca larga e calças curtas”, como cantava Lucio Dalla, ele desceu aos subterrâneos de Roma na qualidade de eletricista de Deus, todos se despertaram com um sobressalto. Alguns escandalizados, outros perplexos, outros ainda aplaudindo, e o grande bar imaterial das redes sociais se pôs a discutir o cardeal de nome impronunciável.

Já havia se entendido que o mundo havia mudado, já se intuía que com esse papa aí a Igreja também não era mais a mesma, mas até agora apenas um Maurizio Crozza, no início do pontificado, havia chegado a representar o papa ladeado por dois monsenhores atônitos, com uma geladeira sobre as costas para levar para uma família pobre (imagem acima).

Representação paroxística de um pontífice popular, mas sozinho. Hoje, como o cardeal Krajewski mostrou, menos sozinho.

 

 

 

 

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