Começam a soar os alarmes sobre a sustentabilidade da Presidência de Bolsonaro

Juan Arías – 04/05/2019 – Foto: IHU /roberto stuckertfilho

 “No Brasil já se fala, sem meias palavras, que o presidente e a maior parte de seu governo parecem ineptos para confrontar os grandes desafios que têm pela frente”. Até agora parece, entretanto, que Bolsonaro continua em campanha eleitoral, dialogando só com o grupo de radicais de extrema direita que permaneceram fiéis a ele, sem ainda demonstrar que é e quer ser o presidente de todos os brasileiros, como exige a Constituição, escreve Juan Arias, jornalista, em artigo publicado por El País, 03-06-2019.

Eis o artigo.

O atual mandato presidencial no Brasil começou há pouco mais cinco meses, mas já começam a se escutar alarmes sobre a possibilidade de que Jair Bolsonaro não termine seu mandato.

  • Não só porque ele aparece sem um projeto de país concreto,
  • mas também porque o pouco já realizado é alvo de duras crítica até por parte de muitos que o elegeram e hoje não o fariam,
  • conforme mostram todas as pesquisas em que, dos 57 milhões de votos conquistados nas urnas,
  • apenas 30% continuam com ele.

Esse contingente

  • corresponde a um exército de radicais
  • que desejaria devolver o Brasil aos tempos do pior obscurantismo,
  • com uma política apoiada em messianismos alucinados,
  • com suas preocupações fálicas e uma mórbida obsessão pelas armas.

Poderia parecer incrível num país normal que em cinco meses de governo já se fale já abertamente na possibilidade de impeachment do presidente,

  • não só pelo que ele não fez,
  • mas também pelo que fez até agora, que está revelando uma forte desconfiança sobre sua capacidade de governar um Brasil-continente com 207 milhões de pessoas que já começaram a sair às ruas.

E sobre como deseja conduzir o tema da educação, um ponto crucial deste país com ainda milhões de analfabetos funcionais e da qual depende também seu futuro econômico.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, acaba de dizer ao jornal O Globo que o Brasil “caminha para um colapso social” com o novo governo,

  • que ainda não soube apresentar um projeto para fazer frente às graves crises
  • e que o afligem e que poderia levá-lo a uma catástrofe econômica
  • se em vez de apoiar as reformas urgentes acabar boicotando-as para favorecer propostas milagrosas e às vezes até patéticas.

Preocupa à sociedade democrática um presidente que parece alheio às reformas enquanto se perde em fantasia messiânicas,

E assim repete, às vezes chorando diante das câmeras de televisão, enquanto levanta a camisa e mostra as cicatrizes do atentado que sofreu durante a campanha eleitoral. Deus, segundo ele, está ao seu lado e o escolheu como um novo Messias.

Junto a esse messianismo profético,

Multiplicar as armas nas mãos das pessoas

  • deve parecer melhor para o país
  • que multiplicar o pão nas mãos dos ainda milhões de pobres
  • e as possibilidades para os jovens de um ensino que os prepare para se realizarem em liberdade e criatividade.

E sem absurdas receitas

  • de escolas sem partido,
  • de alunos espiões e denunciantes de seus professores

e o pavor de que nelas se possa falar de sexo, que é como proibir falar da vida.

Há uma história que revela o absurdo de uma presidência em seus temores relacionados com o sexo.

 

Em abril passado, saindo do Ministério da Educação, coração do futuro nacional, o presidente confiou a um grupo de jornalistas uma de suas maiores preocupações no momento. Sobre o drama da educação no país? Não.

  • “Temos por ano mil amputações de pênis por falta de água e sabão”, contou-lhes, e acrescentou:
  • ”Quando se chega a este ponto, a gente vê que estamos no fundo do poço”.

Essa preocupação com a higiene masculina e as proporções de suas genitálias perturba tanto o presidente que poderia ter criado uma crise diplomática com o Japão, ao dizer que naquele país “tudo é pequeno”, referindo-se ao órgão masculino.

A obsessão do presidente por tudo o que é fálico está preocupando até os psicólogos e psicanalistas, como Contardo Calligaris, que na Folha de S. Paulo, analisando estas obsessões fálicas do presidente, afirmou:

“Não se pode entender uma posição repressora contra os outros, seja qual for, a não ser como um modo da pessoa reprimir e lutar com a sua própria dificuldade”.

Já João Luiz Mauad, do Instituto Liberal e colunista de vários jornais do país, escreveu que ainda não é hora de falar no impeachment do presidente, já que

“improvisação, amadorismo, incompetência, idiotice e histrionismo não são, por si sós, suficientes para abrir um processo de impeachment contra um presidente”.

Talvez seja verdade juridicamente, mas

  • um presidente com todas essas “qualidades”
  • não parece o mais bem preparado para conduzir o transatlântico Brasil, o quinto maior pais do mundo e com imensas riquezas naturais que, além disso, o presidente parece querer destruir.

No Brasil já se fala, sem meias palavras, que o presidente Bolsonaro e a maior parte de seu governo parecem ineptos para confrontar os grandes desafios que têm pela frente. Até agora parece, entretanto, que

  • Bolsonaro continua em campanha eleitoral,
  • dialogando só com o grupo de radicais de extrema direita que permaneceram fiéis a ele,
  • sem ainda demonstrar que é quer ser o presidente de todos os brasileiros, como exige a Constituição.

O presidente continua confundindo as redes sociais com a realidade viva do país e parece ter aterrissado de outra galáxia, sem entender

  • que o Brasil é uma nação que importa no mundo
  • e que já aceitou a modernidade faz muito tempo.

E, pior ainda, está destruindo no exterior, com sua incapacidade de governar e suas obsessões de caráter messiânico e psiquiátrico, a imagem positiva e até invejável até ontem atrelada a este país, coração econômico do continente e cadinho de mil experiências culturais que estão sendo pisoteadas.

 

Juan Arías

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/589740-comecam-a-soar-os-alarmes-sobre-a-sustentabilidade-da-presidencia-de-bolsonaro

 

 

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