A partir de amanhã em Roma, um Encontro da Cúpula dos Padres casados italianos, pressionando o Papa Francisco pela abolição do celibato

VATICANO

Franca Giansoldati

Sexta-feira, 24 de maio de 2019

Tradução: Orlando Almeida

Cidade do Vaticano – Com a crise das vocações que, há anos, aflige a Europa e a Itália, o papa Francisco – mais cedo ou mais tarde – terá de fazer uma reflexão, considerando que hoje já há muitas paróquias vagas, estão sem pároco. 

 

A poucos meses do Sínodo sobre a Amazônia que, entre outras, também abordará a questão dos ‘viri probati’

  • a ordenação de homens casados ​​de certa idade e de fé comprovada
  • para presidir as celebrações nas zonas agora sem pároco –

a Associação dos padres casados ​​Vocatio volta à carga para lembrar que

  • são sempre mais os que gostariam de ser reintegrados na administração das paróquias.
  • São milhares de ex-padres que contraíram matrimônio nos últimos anos
  • e que estariam disponíveis para retornar ao exercício efetivo do ministério eclesiástico.

Atualmente, as normas em vigor não contemplam essa possibilidade na Igreja Católica de rito latino, embora as Igrejas católicas do rito oriental venham permitindo desde há séculos que, ao lado do clero celibatário, haja um clero regularmente casado.

No mundo hoje são cerca de 100.000 os padres e religiosos casados, e mais de 5.000 mulheres, ex-freiras e mulheres consagradas, que deixaram a vida consagrada.

  • Na Itália são cerca de 5.000 os ex-sacerdotes e ex-religiosos e 800 mulheres (freiras e consagradas) que deixaram a vida consagrada.
  • Sempre na Itália, cerca de 1.800 ex-padres  receberam a dispensa, ou seja a redução ao estado laical, (os outros simplesmente se afastaram).
  • Desde 1981, a Associação Vocatio, vem lutando para fazer ouvir a voz dos ex-padres e conta com 394 associados.  Amanhã e domingo será realizada em Roma uma Convenção da Associação para refletir sobre este problema e para fazer ao Papa e aos bispos a pergunta crucial: “Quando nos admitireis?”.

“Há algum tempo – explicam os coordenadores da associação – esta pergunta não seria admissível.

Mas hoje, devido

  • ao desenvolvimento da teologia sobre os ministérios,
  • à crescente escassez de vocações
  • e ao dinamismo dado à Igreja romana  pelo novo bispo de Roma,
  • a pergunta já não é tão peregrina”.

Se há alguns anos atrás

  • o tema tinha sido dado por encerrado definitivamente por João Paulo II,
  • com Francisco, algumas frestas  se abriram. 

Há dois anos, o cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado, numa entrevista a um jornal americano, fez uma reflexão sobre o celibato, afirmando que não se trata das  tábuas de Moisés. 

“O Magistério não é um monólito imutável, mas um organismo vivo que cresce e se desenvolve. A sua identidade real não muda, mas é enriquecida. A Igreja murcharia se não se desenvolvesse (…) Por exemplo, o ensinamento sobre o celibato eclesiástico, que remonta à tradição apostólica, encontrou no curso da história diferentes modalidades expressivas na maioria das Igrejas católicas orientais, onde a maioria dos sacerdotes estão já legitimamente casados”.

Parolin referiu-se ao fato de que, mesmo na Itália, especialmente em Piana degli Albanesi, há padres católicos casados ​​de rito greco-bizantino. 

Outra abertura ulterior deveria acontecer em outubro, quando será aberto no Vaticano o Sínodo sobre a Amazônia, um tema aparentemente distante das realidades europeias. É neste contexto que deveria  ser abordado o tópico

  • dos viri probati
  • e do diaconato feminino.

 

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Franca Giansoldati

https://www.ilmessaggero.it/vaticano/preti_sposati_sinodo_papa_francesco_suore_vocazioni_giovanni_paolo_ii_parolin-4513221.html

1 comment to A partir de amanhã em Roma, um Encontro da Cúpula dos Padres casados italianos, pressionando o Papa Francisco pela abolição do celibato

  • Maria Vanuzia

    Acho que alguns padres comportados, poderiam casar. Outros que foram e se arrependeram também poderão votar ao ministėrio sacramental. Já fui contra. Mas hoje repenso.

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