Por que o Sínodo da Amazônia ‘pode mudar a Igreja para sempre’

A tradicional vinculação entre o celibato e o sacerdócio será examinada?

O Papa Francisco escolheu o cardeal brasileiro Cláudio Hummes para ser o relator geral do Sínodo dos Bispos, em outubro na Amazônia. A indicação do ex-arcebispo de São Paulo, de 84 anos, foi anunciada no Vaticano no último fim de semana. O relator é o responsável por fornecer uma sinopse completa do tema do sínodo no início do encontro e por resumir os discursos dos membros do sínodo antes do começo do trabalho sobre propostas concretas ao papa.Programado para os dias 6 a 27 de outubro, o Sínodo se concentrará sobre o tema “Amazônia: novos caminhos para a igreja e para uma ecologia integral”.

O Cardeal Hummes é atualmente o presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), órgão fundado pela Caritas Internationalis que promove os direitos e a dignidade das pessoas que vivem na Amazônia.

O Vaticano também anunciou que o Papa Francisco havia escolhido dois secretários especiais para o sínodo: o bispo David Martínez De Aguirre Guinea, vigário apostólico de Puerto Maldonado, no Peru, e o padre jesuíta Michael Czerny, subsecretário da Seção de Migrantes e Refugiados do Dicastério para a Promoção Integral e o Desenvolvimento Humano Integral, do Vaticano.

Quando anunciou o sínodo em 2017, o papa Francisco disse que buscaria identificar novos caminhos de evangelização, especialmente para os povos indígenas que são “muitas vezes esquecidos e abandonados sem uma perspectiva de um futuro pacífico, inclusive devido à crise da floresta amazônica”, que desempenha um papel vital na saúde ambiental de todo o planeta.

O bispo Martínez comentou que a equipe teria de “tentar ser fiel aos povos da Amazônia, às comunidades ribeirinhas, aos indígenas, a tantas pessoas em nossas cidades amazônicas no nosso sonho de ajudá-los e responder aos desafios que a nossa Igreja da Amazônia enfrenta, não só para si mesma, mas também para todo o planeta”.

O secretário executivo do Sínodo, Mauricio López, disse que estas consultas expressam o “profundo compromisso do Papa com as realidades locais, o seu amor pela Igreja que está na sua jornada, na sua peregrinação, mergulhando nas culturas da região” e derivam do seu “desejo de que o sínodo produza uma reforma completa, cuidadosa e um amor profundo pela Igreja do Cristo encarnado que busca iluminar a Igreja universal e ajudar no processo de produzir novas ideias”.

Estas reuniões mostram a importância do Brasil e do Peru entre os nove países da região amazônica envolvidos no sínodo.

Foram realizadas consultas em toda a região em grupos da Igreja e comunidades locais que se refletirão no Documento de Trabalho do Sínodo, que se espera seja publicado em junho.

Entretanto o bispo Franz-Josef Bode, vice-presidente da Conferência dos Bispos da Alemanha, disse numa entrevista que o modelo de “padres casados ​​com um emprego civil” provavelmente será “apresentado ao Papa pelos bispos latino-americanos no Sínodo da Amazônia, em outubro”.

Falando com o jornal regional Osnabrücker Zeitung, o Bispo Bode deixou claro que é a favor de “repensar a vinculação entre o celibato e o sacerdócio”.

“Sacerdotes com um trabalho civil” poderiam “celebrar a Eucaristia” e também fornecer “os serviços sacerdotais correspondentes”, disse ele. A “elevada e devida estima pelo celibato deve ser sempre preservada”, explicou, mas deve ser “enriquecida por outras formas de vida sacerdotal”.

O bispo alemão também falou em favor das mulheres diaconisas “como um sinal de reconhecimento, de estima e de mudança de status das mulheres na Igreja que hoje estão ativas em grande número em campos de caridade e no campo do diaconato”.

O bispo Bode é o segundo bispo alemão a apontar para o Sínodo da Amazônia como o momento em que a Igreja se abrirá, provavelmente, a algumas mudanças fundamentais.

O bispo Franz-Josef Overbeck de Essen pediu uma nova “imagem de sacerdote” à luz do fato de que, na região amazônica, há muitas vezes mulheres religiosas que são influentes nas paróquias locais.

“A face da igreja local é feminina”, disse Overbeck, que é o chefe da Comissão dos bispos alemães para a América Latina, que fornece apoio financeiro e pastoral à América Latina.

Overbeck disse que o Sínodo da Amazônia levará a Igreja Católica a um “ponto de não retorno” e que, a partir de então, “nada será o mesmo que era”.

O bispo Erwin Kräutler, um defensor de padres casados ​​e de mulheres sacerdotisas, é o autor do documento de trabalho para o próximo Sínodo.

https://www.thetablet.co.uk/news/11670/why-amazon-summit-could-change-the-church-for-ever-

por Francis McDonagh

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