Núncio Coppola reconhece “venenos” na Igreja do México

Pediu mais flexibilidade para servir os jovens, união para trabalhar com leigos e priorizar mulheres e pobres na Igreja Católica.

Cuautitlan Izcalli, Estado de México. – O representante do papa Francisco no México, Franco Coppola, enviou  a sua tradicional mensagem aos membros da Conferência Episcopal Mexicana (CEM), reunidos em Assembleia Plenária de 29 de abril a 3 de maio. O Núncio Apostólico partilhou com os mais de 130 bispos reunidos, as três prioridades do pontífice argentino para a Igreja da América Latina e fez uma crítica ao ‘clericalismo’, às elites, ao intelectualismo e à incensação da hierarquia que se vivem e são costumeiras  na Igreja Católica mexicanoCoppola concordou com a mensagem do presidente da CEM, o arcebispo Rogelio Cabrera López, a respeito do “tempo desafiador” que a Igreja Católica vive; por isso exortou os bispos do país a trabalhar nas três prioridades que o Papa Francisco considera como desafios (as mulheres, os jovens e os mais pobres) e pediu a eles para construírem um projeto de futuro: “Se continuarmos a fazer o que se fazia algumas décadas atrás, voltaremos a recair nos problemas que precisamos superar”, disse, parafraseando o pontífice.

Mas sobre os temas específicos do México, com base na sua experiência e nas visitas a diversas dioceses do país, o núncio Franco Coppola destacou “outros desafios” que identifica na Igreja: a formação de novos sacerdotes, o clericalismo, a pastoral da juventude e a catequese (transmissão e ensino da fé).

Sobre os seminários mexicanos, o Núncio censurou a formação de padres como meros administradores e criticou: “Um grau de especialização em teologia, não converte ninguém automaticamente numa pessoa apta e idônea para um ministério tão transcendental! […] Não se trata de formar administradores, mas de formar pais, irmãos, companheiros de viagem; pessoas que sejam testemunhas da ressurreição de Jesus”.

Para isso sugeriu que, para  “destinar aos verdadeiros artistas” a formação dos futuros sacerdotes, se estude a possibilidade de  unificar os seminários diocesanos transformando-os em seminários provinciais” de modo a garantir, com formadores  capacitados  e meios idôneos, uma formação de muito maior qualidade”.

No entanto, o representante do papa em terras mexicanas investiu contra o fenômeno do “clericalismo”, que chamou de “vírus” e de “veneno” para a Igreja e sugeriu a todos os bispos do país que o extirpem das suas comunidades.

“O clericalismo é um vírus que a Igreja vem incubando há séculos. Uma doença que representa a esclerose da Igreja; um sagrado despotismo ilustrado dos que pensam e decidem: eu faço  e desfaço, organizo e desorganizo, ponho e componho, aprovo e desaprovo, incluo e excluo… A tarefa dos porta-vozes do clericalismo consiste em criar um público passivo e obediente, não um colaborador participante na tomada de decisões; o que eles pretendem não é construir uma igreja doméstica, mas uma igreja domesticada”.

O Núncio lamentou que as paróquias não tenham um conselho de assuntos econômicos para que os próprios fiéis leigos possam monitorar e atender às necessidades de recursos dos seus pastores, dos seus templos e do trabalho social. Coppola insistiu que o fenômeno do ‘clericalismo’ é muito forte entre as populações latino-americanas: “Os leigos não sabem que fazer a não ser perguntar ao padre…  a consciência do papel dos leigos na América Latina está muito lá atrás”.

O italiano também lamentou que os ministros de culto tratem como “moços de recados” alguns fiéis leigos; ao mesmo tempo que, “sem percebermos, criamos uma elite leiga acreditando que são leigos comprometidos apenas os que trabalham com coisas dos padres,  mós nos esquecemos, negligenciamos, descuidamos do crente que muitas vezes queima a sua esperança na luta diária para viver a fé”.

“E qual pode ser o antídoto contra o veneno do clericalismo? – perguntou o Núncio Coppola. – Sem dúvida a sinodalidade […] Caminhar juntos é um conceito fácil de expressar com palavras, mas não é tão fácil pô-lo em prática […] pressupõe consulta e escuta de todo o povo de Deus […] é igualdade e unidade, […] aproximação, comunhão, colaboração, corresponsabilidade em todas as instâncias eclesiais e em todos os níveis”.

O Núncio apostólico pediu aos bispos que ponham fim a uma prática comum nas missas: “Trata-se dessa incensação que os ofertantes fazem segundo os graus: bispos, padres, leigos. É um ato, uma manifestação externa de clericalismo que não tem nenhum fundamento litúrgico , uma maneira desviada de conceber o clero, uma deferência e uma tendência a reconhecer a eles uma superioridade”.

Por fim, Coppola pediu aos pastores católicos que encontrem caminhos novos, criativos e ousados “em que a igreja institucional seja mais flexível e sinodal” com os jovens e em que a formação na catequese seja “experiencial … não uma doutrinação ou simples ensinamento de conhecimentos”.

https://siete24.mx/nacional/nuncio-coppola-reconoce-venenos-en-la-iglesia-de-mexico

Por: Felipe Monroy

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