Se Deus está morto, tudo é permitido?

“A política não nos conseguirá salvar mais.” Essa frase, dita por René Girard em 2012, durante uma entrevista, demonstra que ele “era meio pessimista em termos de política”, frisa Michael Kirwan na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Line por e-mail.

Segundo ele, a função sacrificial dos sistemas políticos, como o Estado, não foi tema das investigações de Girard, mas tem sido abordada pelos estudiosos girardianos que “têm explorado os aspectos políticos e econômicos da sua teoria”, a partir de aproximações entre o conceito de bode expiatório e as teorias políticas de AgostinhoHobbes e Carl Schmitt.

Na avaliação de KirwanGirard se insere numa geração de intelectuais do pós-guerra que estavam “ansiosos por buscar esclarecimentos sobre a condição humana em um mundo que ‘irradiava desastre triunfal’”. Essa questão, ressalta, “era particularmente candente para Girard e seus contemporâneos existencialistas. Eles buscavam autenticidade na sequência do horrendo colapso moral e político da Europa, e na ausência de consolo religioso, uma vez que [se dizia que] ‘Deus está morto’. Muitos desses pensadores, e Girard era um deles, passaram a considerar o problema do desejo como o cerne do desafio de autenticidade. Assim sendo, Girard faz parte de uma geração que cultivava a investigação e preocupação ‘existencialista’”.

Entre os pensadores com os quais Girard dialogou, Kirwan menciona FreudHegel e Nietzsche, com quem ele “viu-se em conflito criativo”. “Ele concorda inteiramente com a visão de Nietzsche, de que há uma escolha a ser feita, entre ‘Dionísio’ e ‘O Crucificado’; ele discorda sobre qual dessas opções seria a autêntica. (…) Talvez estejamos lidando com uma reflexão ampliada sobre o ambíguo e perturbador axioma de que, ‘se Deus está morto, tudo é permitido’. Nem Girard nem Dostoiévski aceitam o veredito negativo de Nietzsche sobre o cristianismo, embora compartilhem boa parte do seu diagnóstico sobre o que essa rejeição implicaria”, ressalta.

Do mesmo modo, explica, Girard não compartilha a noção de “subconsciente” entendida pela psicanálise e desenvolvida por Freud. “Girard fala, em vez disso, do não reconhecimento (méconnaisance) de determinado tipo que ocorre como resultado de nossa vulnerabilidade, temerosos em face do conflito mimético. É um medo que nos faz ver monstros e demônios, em vez de irmãos e irmãs; faz ver culpa em vez de inocência. Este é o ‘desconhecido’ para o qual Jesus pede perdão na cruz, para seus assassinos, convencidos de estarem praticando uma ação sagrada. Como se poderá expor e superar tal estado de ignorância? Não pelo engajamento estruturado com os próprios traumas infantis, como no diálogo psicanalítico, mas por meio de ‘conversão’, proposta em seu sentido religioso mais direto por PauloPedroAgostinho, etc. Para tanto há analogias na literatura universal, como em escritores europeus favoritos de Girard, como Shakespeare e Hölderlin [1]. A sabedoria e autoconhecimento que vêm à luz nesses escritos são fruto não da introspecção no passado, mas de interação com o presente”, conclui.

Michael Kirwan graduou-se em Literatura no St. John’s College, em Oxford. Ingressou na Companhia de Jesus em 1980; de 1982 a 1984 estudou Filosofia e de 1986 a 1989 cursou Teologia no Heythrop College, faculdade jesuíta em Londres. É PhD em Teologia por essa instituição com a tese Friday’s children: an examination of contemporary martyrdom in the light of the mimetic theory of René Girard. Desde 1998 é professor de Teologia no Heythrop College e chefe do Departamento de Teologia. De sua extensa produção bibliográfica, citamos Discovering Girard (Darton, Longman and Todd, London, 2004), Political theology: a new introduction (DLT: London, 2008) e Girard and Theology (T&T Clark Continuum: London and NY, 2009).

IHU On-Line – Quais foram as contribuições centrais de Girard para a filosofia e a teologia?

Michael Kirwan – Girard pertencia a uma geração de intelectuais do pós-guerra, ansiosos por buscar esclarecimentos sobre a condição humana em um mundo que (para usar palavras de Adorno [2]) “irradiava desastre triunfal”. O que é que torna autêntica uma vida humana, em vez de inautêntica?

Trata-se da clássica pergunta filosófica: a imagem da caverna, de Platão, por exemplo, descreve a viagem de uma existência falsa para uma verdadeira.

Essa questão era particularmente candente para Girard e seus contemporâneos existencialistas. Eles buscavam autenticidade na sequência do horrendo colapso moral e político da Europa, e na ausência de consolo religioso, uma vez que [se dizia que] “Deus está morto”. Muitos desses pensadores, e Girard era um deles, passaram a considerar o problema do desejo como o cerne do desafio de autenticidade. Assim sendo, Girard faz parte de uma geração que cultivava a investigação e preocupação “existencialista”.

Interessante é como essa jornada intelectual dá uma guinada religiosa na vida de Girard. Sua trajetória sugere como um cético, de postura “suspeita” ao extremo, ao fim e ao cabo pode acabar se transformando. Girard ficou surpreso ao descobrir que sua pesquisa o levou de volta para a fé cristã, a qual ele havia abandonado anos antes. Seu próprio compromisso religioso, cada vez mais explícito em suas publicações e palestras, certamente é fora do comum.

Entretanto, Girard não tinha a pretensão de ser um pensador religioso original. Sua colaboração com teólogos como Raymund Schwager [3] e James Alison [4] foi muito significativa, mas ele não vê a si mesmo como quem estivesse lidando diretamente com teologia. Quando muito, ele era um leitor de textos, sejam da Escritura, sejam outros. Esses textos demonstravam e confirmavam os padrões de desejo e conflito identificados por sua teoria.

IHU On-Line – Em outra entrevista que nos concedeu, o senhor comentou que a teoria de Girard foi construída em diálogo com o pensamento de Durkheim [5], Hegel, Freud e Nietzsche. Com quais aspectos da obra de cada um desses autores Girard dialogou, e por quais razões houve a necessidade de dialogar com eles?

Michael Kirwan – Como indiquei acima, em muitos aspectos Girard não era um pensador “original”: ele afirmou que suas descobertas podiam ser encontradas nas páginas da Bíblia, assim como nas culturas e na literatura por ela influenciadas. Além disso, podemos ver como ele se envolveu profundamente com pequeno número de pensadores cruciais, fazendo significativos ajustes ou acréscimos às suas ideias.

Émile Durkheim descreve transcendência religiosa como projeção grupal ou “efervescência” social; Girard concorda em que isto é legítimo reflexo da transferência que ocorre no mecanismo do bode expiatório: a projeção de medo e ódio humanos. Mas Girard insistiria que, mais além desse “falso outro”, há um “realmente outro”, que não é projeção humana, mas o verdadeiro Deus, buscando a nossa atenção.

Significativa para Girard é a interpretação de Hegel [6] sobre o embate entre senhor e escravo a buscarem “reconhecimento”. Mas ele amplia a versão dessa luta, que para ele trata mesmo é de um objeto comum do desejo (disputado, portanto), a se escalar para uma luta pelo prestígio, pelo “ser” em si. No complexo de ÉdipoFreud[7] apresenta famoso exemplo do desejo autoconflitivo: imite-me, mas não imite meus desejos. Girard expande a questão: esse contorcionismo é uma característica de todos os relacionamentos, não apenas entre pai e filho. Em cada caso, temos a impressão de que cada pensador tem uma compreensão parcial ou imperfeita da verdade, e que Girard está tentando fornecer o elemento que falta.

IHU On-Line – Em que consiste a leitura não sacrificial do texto bíblico no pensamento de Girard? Por que ele faz essa leitura “não sacrificial” e em que aspecto essa perspectiva se diferencia da leitura que era feita até então, nos mitos?

Michael Kirwan – Acredito ser útil, no final das contas, usar a distinção de um teólogo francês, Louis-Marie Chauvet [8], entre “não sacrificial” e “antissacrificial”. Girard muda dessa primeira posição para o segundo tipo de pensador. Em suas primeiras publicações, ele estava convicto de que o cristianismo não deve pensar-se em termos de sacrifício. “Sacrifício” era sinônimo da violenta exclusão do bode expiatório, portanto incompatível com a auto-oferenda de Jesus, a nos unir com o “efetivamente outro”, em vez de uma projeção falsa. O Girardposterior aceita que a terminologia do sacrifício está em tensão com a revelação cristã, mas não deve ser simplesmente descartada. O termo “antissacrificial” indica, portanto, uma jornada, de bode expiatório para a auto-oferenda, um contínuo, talvez, ao invés de oposição pura e simples.

A ideia de um “êxodo do sacrifício” faz sentido, aqui. Como os israelitas fugindo do Egito, somos gratos por certo tipo de “libertação”; mas para que essa libertação realmente seja eficaz, precisamos manter viva a memória de onde viemos, exatamente como o povo judeu faz ao comemorar a Páscoa. Simplesmente tirar de cena o sacrifício (o que seria uma postura “não sacrificial”) apenas convidará um “retorno do reprimido”; e a exclusão das vítimas se fará sentir com força ainda maior, de formas ocultas e imprevisíveis.

IHU On-Line – Como a questão das vítimas do mecanismo sacrificial é abordada no pensamento de Girard?

Michael Kirwan – Mesmo que a posição “antissacrificial” seja um enquadramento mais sutil do problema, permaneceu absoluta a oposição de Girard à [noção de] “bode expiatório” e exclusão. A falsa transcendência, a surgir após a morte ou expulsão da vítima demonizada, faz com que aquela pessoa seja “reapresentada” como ser sobrenatural, fonte de nova harmonia e bênção. Em outras palavras, nesse processo a humanidade da vítima sumiu de vista. Podemos pensar em muitos exemplos tristes, como as imagens subumanas aplicadas aos judeusno antissemitismo e na ideologia nazista, ou a descrição da tribo inimiga como “baratas” durante o conflito em Ruanda. Podemos ter certeza de que, quando a humanidade de pessoas vulneráveis está sendo apagada dessa forma, estamos diante de processos do falso sagrado.

IHU On-Line – Que leitura faz da análise de Girard sobre o sacrifício de Isaque e, posteriormente, o sacrifício de Jesus?

Michael Kirwan – Determinada interpretação do sacrifício de Isaque está bem em conformidade com a teoria mimética de Girard, ou seja, de que o relato em Gênesis 22 registra o momento histórico em que um grupo humano específico descobriu e decidiu que o sacrifício de crianças era desnecessário para a união com o divino; e que, na verdade, Deus teria indicado expressamente uma rota alternativa. O carneiro que Abraão mata, ao invés [do filho], é a primeira de uma série de “substituições” que encontramos ao longo da prática ritual judaica, como a circuncisão, oferta simbólica do primogênito, sacrifícios não animais, etc., cedo ou tarde gerando uma compreensão mais interiorizada, “espiritual”. O auge desse processo, para os cristãos, é a pessoa de Jesus, cuja auto-oferenda afasta de uma vez por todas a necessidade de sacrifício por qualquer outro ser humano (Jesus é identificado, pelos teólogos cristãos, como o carneiro morto por Abraão). Mas nem todos os exegetas bíblicos aceitariam essa leitura de Gênesis 22.

Também vale dizer que outros textos do Antigo Testamento parecem mais significativos para Girard e para os teóricos girardianos, como a história de José depois, em Gênesis, ou os poemas do Servo Sofredor, em Isaías. O que é comum a todos os três textos, no entanto, é que o processo de sacralização violenta por meio de bode expiatório é interrompido ou evitado: José e Isaque não morrem de fato, e o Servo é reabilitado, mas não sacralizado. Em cada um dos casos, chama-se a atenção para o fato de que algo muito mais profundo está acontecendo ali.

IHU On-Line – Os conceitos mimético e bode expiatório de Girard nos ajudam a compreender as relações entre o Oriente e o Ocidente?

Michael Kirwan – É interessante lembrar que a teoria de Girard foi elaborada nos anos 60 e 70, quando a ordem política global estava dominada pela “Guerra Fria“, pelo impasse entre capitalismo e comunismo. A situação apresenta-se como caso clássico de “duplicação” mimética, que para Girard é o resultado inevitável de um conflito em que os adversários acabam se espelhando um ao outro, por mais que tentem enfatizar suas diferenças. Enquanto essa competição certamente foi grave em termos das suas implicações militares — muitas “guerras por procuração”, a angústia da crise dos mísseis cubanos, etc. —, também podemos olhar para trás constatando com espanto o quanto essa rivalidade alimentou tantas outras atividades, como a corrida espacial, esportes e assim por diante. É claro que havia duas ideologias travadas em mútua desconfiança e ódio, mas também fascínio, exatamente da maneira que Girard descreve.

IHU On-Line – De que maneira a ideia do sacrifício de Isaque se manifesta na contemporaneidade?

Michael Kirwan – Existe um conhecido poema do poeta inglês Wilfred Owen [09], que morreu em campanha militar semanas antes do fim da Primeira Guerra Mundial. “A parábola do velho e do novo homem”, é uma chocante releitura de Gênesis 22, em que Abraão se recusa à proposta de Deus, “de matar seu melhor carneiro, ao invés [do filho Isaque]”. Ele mata mesmo seu filho “e toda a descendência da Europa, um a um”. Resumindo, é uma metáfora para os jovens da Europa lançados na batalha por implacáveis generais. Vale a pena lembrar este poema à luz do último livro de GirardBattling to the End (original francês Achever Clausewitz). Ali Girardfala longamente sobre a escalada da violência no mundo contemporâneo, sendo a guerra o exemplo mais assustador. Por milhares de anos a guerra tem sido um uso controlado, codificado, de violência limitada, a fim de evitar a violência total. Numa era de guerra total moderna, onde a “guerra ao terror” nos coloca a todos na linha de frente, essas restrições não valem mais; e é muito real o perigo de a violência se escalar em extremo paroxismo. Este tipo de processo assustador é sugerido quando Wilfred Owen reformula a história Isaque.

IHU On-Line – É possível verificar a ressonância desse pensamento em outras áreas do saber, como a política e a economia, por exemplo?

Michael Kirwan – Girard era meio pessimista em termos de política; em 2012, ele declarou que “a política não nos conseguirá salvar mais”, o que talvez seja compreensível em face das crises a nos ameaçar: segurança, economia, política, ambiente. No geral, mais que o próprio Girard, têm sido estudiosos girardianos que têm explorado os aspectos políticos e econômicos da sua teoria. Há uma clara afinidade entre o mecanismo de bode expiatório e da teoria política (Agostinho [10], Hobbes [11] e, no século XX, Carl Schmitt [12]), que salienta a função “sacrificial” dos sistemas políticos, tais como o Estado, na manutenção da ordem através da restrição de caos e desordem. Entidades políticas surgem — sugere-se — através da promoção de fortes laços internos de afinidade, junto com uma projeção igualmente forte de hostilidade contra forças externas, “estrangeiras”. Há estudos interessantes sobre as implicações econômicas da teoria mimética de Girard. Qualquer mercado seria simplesmente um mecanismo para a correlação recíproca e bem-sucedida dos desejos das pessoas — por mercadorias, moedas, etc., e como tal pode ser entendido usando-se a teoria de Girard. Também é digno de nota que a concorrência econômica, embora muitas vezes discutida em termos de antagonismo implacável, tem o potencial de ser uma “substituição”, em grande parte benigna, da interação mais grave que seria a guerra.

IHU On-Line – Qual é a influência das elaborações nietzschianas do ressentimento e da culpa, em A Genealogia da Moral, no pensamento de Girard?

Michael Kirwan – Girard, certamente, viu-se em conflito criativo com Nietzsche [13], semelhante ao seu envolvimento com Freud e Hegel, descrito acima. Ele concorda inteiramente com a visão de Nietzsche, de que há uma escolha a ser feita, entre “Dionísio” e “O Crucificado“; ele discorda sobre qual dessas opções seria a autêntica. O diagnóstico de ressentimento está, certamente, em consonância com suas próprias descrições de desejo mimético contorcido, embora se possa dizer que Girard, crítico literário, provavelmente se aproxime deste tema mais diretamente pelo seu estudo de Dostoiévski [14]. Talvez estejamos lidando com uma reflexão ampliada sobre o ambíguo e perturbador axioma de que, “se Deus está morto, tudo é permitido”. Nem Girard nem Dostoiévski aceitam o veredito negativo de Nietzsche sobre o cristianismo, embora compartilhem boa parte do seu diagnóstico sobre o que essa rejeição implicaria.

IHU On-Line – Por outro lado, como o mecanismo do subconsciente, em Freud, se aproxima de uma leitura girardiana da vingança?

Michael Kirwan – Embora Freud seja importante parceiro de diálogo para Girard, a noção do subconsciente como entendido na psicanálise não desempenha papel significativo para ele. Girard fala, em vez disso, do não reconhecimento (méconnaisance) de determinado tipo que ocorre como resultado de nossa vulnerabilidade, temerosos em face do conflito mimético. É um medo que nos faz ver monstros e demônios, em vez de irmãos e irmãs; faz ver culpa em vez de inocência. Este é o “desconhecido” para o qual Jesus pede perdão na cruz, para seus assassinos, convencidos de estarem praticando uma ação sagrada. Como se poderá expor e superar tal estado de ignorância? Não pelo engajamento estruturado com os próprios traumas infantis, como no diálogo psicanalítico, mas por meio de “conversão”, proposta em seu sentido religioso mais direto por PauloPedroAgostinho, etc. Para tanto há analogias na literatura universal, como em escritores europeus favoritos de Girard, como Shakespeare e Hölderlin. A sabedoria e autoconhecimento que vêm à luz nesses escritos são fruto não da introspecção no passado, mas de interação com o presente.

IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?

Michael Kirwan – Com a morte de René Girard em novembro de 2015, sua teoria naturalmente vai ser reavaliada por muita gente, sendo seu desenvolvimento futuro acompanhado de perto na ausência do “patriarca fundador”. Na verdade, por vários anos ele já era um participante ativo na discussão e debate sobre as suas ideias. O que impressiona, enquanto isso, é o quanto a teoria se libertou das suas origens europeia e norte-americana. Ainda há muita atividade entre os estudiosos dos EUA, da França, Itália e Áustria; mas as redes agora têm aumentado na Austrália e América do Sul, na medida em que o significado desta extraordinária teoria recebe reconhecimento mundial. Para os atuais leitores, vale a pena lembrar que Girard apenas uma vez apresentou suas ideias para uma audiência fora da Europa ou dos EUA, quando participou de um colóquio com teólogos da libertação no Brasil, em 1990.

*Entrevista publicada originalmente na edição 479 da Revista IHU On-Line, de 21 de dezembro de 2015.

Fonte: www.unisinos.br

Márcia Junges e Patricia Fachin | Tradução: Walter Schlupp | 

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