Pasolini e a nostalgia do sagrado

A obra de Pasolini é capaz de gerar inúmeras sensações, como diz o doutor em Ciências Eclesiásticas Orientais, o padre Massimo Pampaloni: “quando eu leio e releio Pasolini, alterno entre admiração e decepção, raiva e ternura, mas nunca, nunca, uma página sua me deixa indiferente”. Talvez esses sentimentos só não sejam mais contraditórios do que explicar o fato de o artista produzir um filme sobre Jesus Cristo com tamanha densidade como o Evangelho segundo São Mateus (1964) sem saber ao certo se crê no messias.

Para o professor Pampaloni, a explicação para isso está na percepção do artista. “O Cristo de Pasolini, para Pasolini, não é Jesus Cristo, Filho de Deus, encarnado para nos salvar”, mas o ser humano que vem para revolucionar. “O Jesus do Evangelho de Mateus é deliberadamente privado de quaisquer características divinas. É uma obra, no entanto, para questionar, assim como se pode questionar a qualquer sábio do passado”, completa o professor.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line, Pampaloni ainda destaca que “Pasolini era um homem profundamente humilde, pronto para aprender com a realidade”. Por isso, segundo ele, é fascinado pela história que é reconstituída por Mateus. “Não há dúvida acerca de a sinceridade de sua busca pelo homem, de seu verdadeiro amor pela humanidade, pelos pobres e simples de sua terra”, pontua. E o momento em toma contato com o texto também é cheio de significados que acabam ecoando no roteiro do filme. “O clima daqueles dias rodava em torno de dois polos: o famoso discurso do secretário do Partido Comunista Italiano, e membro influente do Comitê Soviético Central, Palmiro Togliatti e a Pacem in Terris, do Papa João XXIII”, recorda. “Na verdade Pasolini foi e se manteve um ateu. Mas a sua busca pelo homem e sua profundidade não poderia impedi-lo de encontrar-se, mais cedo ou mais tarde, com o Transcendente estritamente dito”, completa Pampaloni.

Massimo Pampaloni | Foto: Reprodução YouTube

Massimo Pampaloni, jesuíta, é doutor em Ciências Eclesiásticas Orientais pelo Pontifício Instituto Oriental, de Roma, instituição em que também foi vice-reitor entre 2010 e 2016. Desde 2016, é decano da Faculdade de Ciências Eclesiásticas Orientais da mesma universidade, na qual também leciona Teologia Patrística oriental e Patrologia Siríaca. Também é professor convidado no programa de Pós-Graduação em Teologia da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia – Faje, de Belo Horizonte, na Facoltà Teologica dell’Italia Meridionale (Sezione San Luigi) em Nápoles e no Instituto Patristico Augustinianum de Roma na área de teologia patrística siríaca. É membro de Syriaca, a associação dos siriacistas italianos. Entre suas publicações, destacamos o livro organizado por ele Le vie del sapere in ambito siro.mesopotamico dal III al IX secolo (Roma: Edizioni Orientalia, 2013).

* Entrevista publicada originalmente na revista IHU On-Line, edição no. 504, de 08-05-2017 .

Nota de IHU On-Line: Hoje, 06 de abril de 2019, será apresentado e debatido o O evangelho segundo São Mateus, de Pier Paolo Pasolini,  no campus da Unisinos Porto Alegre, na sala TEDU 809 e 810. As atividades integram o Ciclo de Filmes Cinema, Cultura, Fé e Teologia, que faz parte da 16ª Páscoa do IHU.

IHU On-Line – Em uma das entrevistas que o senhor concedeu à IHU On-Line, disse que o cinema pode ser lugar de expressão do Mistério. Entretanto, destaca que para isso é preciso que quem faça o cinema busque o Mistério. No seu cinema, Pier Paolo Pasolini busca o Mistério? Como?

Massimo Pampaloni – No que se refere àquela entrevista, eu disse: “O Cinema torna-se lugar de Expressão do Mistério se quem faz cinema deixa, em sua vida, aberta a porta ao Mistério”. O que quis dizer foi que, na medida em que o autor do filme tem a intenção de usar a mediação do filme para realmente comunicar uma ideia e sabe como fazê-lo, então o resultado certamente será expressão dessa ideia. Portanto, se a consciência do diretor é uma consciência cuja busca do Mistério tem importância, é claro que ela vai aparecer no resultado. Atenção: isso não significa automaticamente que os espectadores entenderão (e isso aconteceu seja com Pasolini, seja com todos os grandes diretores). E isso por duas razões básicas: a primeira é que não basta ter olhos e ouvidos para entender a linguagem do cinema, ou seja, nem todos os espectadores são capazes de ler um filme. A segunda, é que em qualquer modo a busca pelo Mistério deve ser uma realidade também na consciência do espectador, caso contrário o filme vai responder a uma pergunta que não existe.

Dito isto, a questão de saber se Pasolini buscava expressar o Mistério é mais complexa do que podemos pensar. Por isso vem a tentação de responder “sim e não”. Eu diria que se nós entendemos o Mistério e a Transcendência, como faziam — para colocar alguns exemplos muito especiais para mim — A. Tarkovsky [1] (1932-1986), ou Federico Fellini [2] (1920-1993) de La Strada (1954), La Dolce vita (1960) e também La voce della Luna (1990), então eu diria que não. Porém, com certeza encontro em Pasolini aquilo que meu mestre, o jesuíta Nazareno Taddei [3] (1920-2006), chamou, com uma feliz expressão, de “a nostalgia do sagrado“. Isto é o que encontramos em muitos dos filmes de Pasolini (não todos), porque é isso que o animava.

IHU On-Line – Como o senhor compreende a figura de Pasolini, essencialmente a sua mística, alguém que se intitula ateu e produz um filme com tamanha densidade como O Evangelho segundo São Mateus (1964)?

Massimo Pampaloni – Pessoalmente, acho que a minha relação com a produção de Pasolini envolve uma contínua alternância de estados de ânimo. Pasolini está localizado dentro do mundo italiano comunista do pós-guerra, com toda a sua estrutura ideológica. Mesmo quando, em 1945, seu irmão Guido foi morto no massacre de Porzûs pelos guerrilheiros comunistas [4], Pasolini, ainda que condenando o massacre e pedindo justiça [5], não mudou de ideia. Mesmo quando, no dia 26 de outubro de 1949, ele foi expulso do Partido Comunista Italiano – PCI por “indignidade moral” (havia sido denunciado como resultado de um escândalo de fundo homossexual, considerado na época uma ofensa contra a moral pública, punível por lei) [6], ele declarou: “apesar de vocês, continuo e continuarei comunista no sentido autêntico da palavra” [7].

No entanto, não há dúvida acerca da sinceridade de sua busca pelo homem, de seu verdadeiro amor pela humanidade, pelos pobres e simples de sua terra. O grito de horror quase desesperado ao ver desaparecer os rostos “de filhos dignos e humildes, com os seus belos pescoços, seus belos rostos claros sob os ferozes tufos inocentes” , dando lugar “às máscaras horríveis que os jovens colocam no rosto, tornando-se feios como prostitutas velhas de uma injusta iconografia”, indica a grande mutação antropológica a qual, como um observador atento da realidade, sentiu a chegada, mas, preso na gaiola ideológica marxista, não pôde ver todas as implicações. Por isso, quando eu leio e releio Pasolini, alterno entre admiração e decepção, raiva e ternura, mas nunca, nunca, uma página sua me deixa indiferente.

Então, como você observa, na verdade Pasolini foi e se manteve um ateu. Mas a sua busca pelo homem e sua profundidade, disse Nazareno Taddei, não poderia impedi-lo de encontrar-se, mais cedo ou mais tarde, com o Transcendente estritamente dito. Ele o encontrou? Talvez sim, no nível inicial. A trágica morte interrompeu um caminho do qual não podemos saber o resultado. Taddei escreveu: “É certo que Pasolini tinha encontrado esse ponto […] no qual o estudo do homem acaba tendo que lidar com o Transcendente e com a religião, que é o elo entre aquele Transcendente e o homem. Como estudioso e artista, Pasolini não esconde que não é possível estudar o homem sem a sua dimensão religiosa. E, então, automaticamente o estudo do homem torna-se o estudo daquela dimensão. Do homem se passa à religião; do humano se passa ao sagrado. Portanto, religião, sagrado” [9].

O padre servita David Maria Turoldo [10] (1916-1992), poeta, escritor e filho da mesma terra de Friuli, como Pasolini, e único sacerdote presente em seu funeral, segue esta linha. Pasolini sempre se manteve um comunista [11], mas era “uma alma religiosa sem religião; um crente sem fé; uma alma inquieta porque não encontrava ponto absolutamente brilhante e totalmente convincente de todas as coisas que procurava. Na verdade, foi a imagem da inquietação universal: sempre oprimido pela carga moralista. Independentemente do que se possa dizer, talvez até mesmo em seu pecar quotidiano, foi um dos mais inocentes, um dos mais puros. Ninguém sofreu mais do que ele a sua condição, e ninguém pagou como ele para ser ele mesmo” [12].

Assim, a primeira resposta à sua pergunta é esta. A outra está na definição acima mencionada: nostalgia do sagrado, porque não podemos esquecer que Pasolini teve uma infância profundamente católica, que permeou a sua cultura de base nos moldes do catolicismo camponês típico do Friuli. Depois se afastou e explicitamente o deixou. Porém ficou uma espécie de saudade, um profundo desejo por algo (nunca chegou ao ponto que nos autorizaria a dizer “por Alguém”), que iria preencher o vazio deixado pelo abandono. Mesmo em suas expressões mais violentas e críticas contra a Igreja, contra o Vaticano, contra a Democracia Cristã etc., sempre se sente ressoar os passos de uma marcha na direção de um amadurecimento espiritual, especialmente desde que ele entrou no mundo do cinema, desde os anos 1960 [13].

A “mística” de Pasolini, então, talvez seja encontrada em outra definição, que pode impressionar à primeira vista, dada por Turoldo: “Ele era um missionário, se sentia em uma missão; Ele tinha a tarefa de denunciar o mal. Ele sempre sonhou com a ibertação do pecado, ainda que fosse um pecador, e um grande pecador! O senso do mal nele é trágico. Ele sempre sonhou com uma igreja que o salvasse, apesar de ter desistido de qualquer igreja. Na verdade, no final das contas, ele desiste inclusive da igreja marxista” [14].

Finalmente, uma observação muito aguda de Taddei. Ingmar Bergman [15] (1918-2007) ou o mesmo Fellini, embora abertos ao Transcendente (especialmente Fellini) no sentido mais amplo em comparação com Pasolini, quando descrevem o homem se detém naquilo que o homem se tornou, naquilo que é no momento em que o descreve. Pasolini, no entanto, está sempre aberto ao futuro, “procurando as raízes no antigo e na natureza. E é substancialmente o pano de fundo sobre o qual se pode vislumbrar seu anseio pelo Sagrado” [16].

IHU On-Line – Por que o Evangelho segundo São Mateus é considerado uma das melhores representações fílmicas de Jesus, inclusive pelo Vaticano?

Massimo Pampaloni – Vou dizer algo que talvez pareça “herético”, mas em se tratando de Pasolini eu não posso calar. Eu acho que é um grande filme, porque foi feito por um grande diretor, com essa abertura interior dentro dos limites mencionados no início desta entrevista [17]. Mas, de acordo com meu mestre Taddei — e eu concordo plenamente —, quando Pasolini grava o filme, essa nostalgia do sagrado não está ainda totalmente em ação. Certamente, diz Taddei, estamos um passo à frente em relação à primeira fase da sua filmografia (Accattone de 1961, Mamma Roma de 1962, La Ricotta de 1963, filme que implicou na sua condenação por desacato à religião). Estamos ainda na dimensão totalmente terrena, embora sempre centrado no ser humano.

O Evangelho segundo São Mateus (1964) e Édipo Rei (1967) são uma pesquisa a respeito das raízes antigas, da sabedoria do passado. Mas o Jesus do Evangelho de Mateus é deliberadamente privado de quaisquer características divinas. É uma obra, no entanto, para questionar, assim como se pode questionar qualquer sábio do passado. O mesmo Pasolini disse: “Eu quero fazer uma obra de poesia. Não é uma obra religiosa no sentido usual do termo, nem uma obra de alguma forma ideológica. Em palavras muito pobres e simples: eu não acredito que Cristo é o filho de Deus, porque eu não sou um crente — pelo menos na consciência. Mas eu acredito que Cristo é divino: eu penso, isto é, que nele a humanidade é tão elevada, rigorosa, um ideal para ir além dos termos comuns da humanidade. Por isso eu digo “poesia”: um instrumento irracional para expressar os meus sentimentos irracionais em relação a Cristo” [18]. Não é difícil compreender que “divino” aqui é identificado com o irracional e não com a fé na divindade de Cristo (pelo menos no início ele não se preocupava com as questões acerca da existência de Cristo) [19].

Digo isto porque Pasolini era um homem profundamente humilde, pronto para aprender com a realidade. Durante uma exibição do filme Édipo Rei para os alunos da Faculdade de Medicina da Universidade Católica de Roma, organizada por Nazareno Taddei, Pasolini também foi. No final do filme se estabeleceu um diálogo entre Taddei e Pasolini. Em certo ponto Taddei diz a Pasolini que ele percebeu uma certa nostalgia de Deus, tomando como exemplo alguns elementos do filme. No início Pasolini negou veementemente: “Não, não. Não há nostalgia de Deus; há apenas o contraste entre o mundo racional e irracional”. Mas, no final do diálogo, ele exclamou: “Mas sabe que você tem razão? Agora que penso sobre isso, quando eu estava fazendo o filme, estava lendo um livro (e citou o livro) que tratava de como, da natureza, é possível elevar-se a Deus. É perceptível que, sem querer, na verdade, eu expressei este desejo de Deus” [20]. Porém, a clara presença deste desejo aparece em uma outra obra-prima que se intitula Teorema de 1968.

Agora sim, posso responder a sua pergunta. O filme deixa essa maravilhosa sensação de “religiosidade”, porque o assunto é tratado com grande respeito e abertura ao texto do Evangelho. Mas todas as dimensões divinas no sentido pleno da palavra foram removidas. Certamente, o Cristo de Pasolini, para Pasolini, não é Jesus Cristo, Filho de Deus, encarnado para nos salvar. Porém a sua atuação é tão fina e delicada, é tão respeitosa em acompanhar o ritmo do texto de Mateus, que o fiel que assiste ao filme consegue facilmente “integrar” aquilo que está faltando. Não surpreende que um incrédulo aprecie o filme por sua carga “revolucionária”, pois Pasolini a colocou; e esta pessoa vai estar alinhada a reduzir Cristo a uma simples imagem poética, ou a um personagem socialmente engajado. O crente, ao contrário, admirando esta obra, vai integrar sem perceber aquilo que está faltando e terá uma grande experiência estética que, para ele, vai adquirir dimensão espiritual. Aquele que conhece a linguagem do cinema, e pode ler o filme, vai distinguir, assim como Taddei, a ideia central que Pasolini quis comunicar através da linguagem do cinema: “O Evangelho de Mateus é um texto antigo que — através da história de Cristo, homem misteriosamente nascido de uma virgem, que viveu misteriosamente fazendo milagres e depois torturado por suas doutrinas contrárias ao estabilishment de seu tempo — tornou-se emblema para uma vida plena de humanidade, mas obrigatório em relação à luta contra os poderes tirânicos que se sucedem nas diferentes épocas da história” [21].

IHU On-Line – No que a representação do Martírio de Jesus Cristo feita por Pasolini difere de tantas outras? Que Jesus é esse que ele apresenta no filme?

Massimo Pampaloni – Eu diria que cada representação cinematográfica da história de Jesus Cristo é diferente uma da outra. Assim colocada sua pergunta, poderia parecer que estas “outras” sejam homogêneas e que, ao contrário, esta representação de Pasolini seria diferente das outras em alguma coisa. Todas são expressões do mundo interior e do horizonte de consciência do autor. Nenhuma delas é a “verdadeira” história de Cristo! Cada filme é uma visão que o diretor queria dar, é a sua visão: da figura de Jesus, ou de um aspecto particular da sua história. Todos os filmes seguem este raciocínio.

Tome A Última Tentação de Cristo, o filme de Martin Scorsese [22] (1988), adaptado do romance N. Kazantzákis (1883-1957) [23]. Aqui Scorsese imaginou que Jesus, na cruz, teve que lidar com a sua maior tentação: acreditar que a Cruz era desnecessária; que não era necessário ir até o fim com a sua oferta de amor ao homem; e que ele poderia viver uma vida “normal”. Da mesma forma, o filme muito criticado — na minha opinião injustamente — A Paixão, de Mel Gibson [24] (2004), tem uma dimensão teológica de grande profundidade, mas para ser lida e identificada exige conhecer não só a linguagem do filme, mas também a teologia e a patrística. Neste filme podem ser encontrados todos os grandes temas cristológicos dos Padres da Igreja dos primeiros cinco séculos. Pasolini está interessado em Cristo como um símbolo dos ideais em que acreditava no momento em que ele fez o seu filme: um revolucionário, uma vítima do sistema que não tolera aqueles que vão contra.

IHU On-Line – Como compreender a opção de Pasolini pelo Evangelho de Mateus e não por outra narrativa bíblica sobre o Martírio de Cristo?

Massimo Pampaloni – O Evangelho de Mateus se presta, mais do que qualquer outro, a uma narrativa que se encaixava no horizonte de Pasolini. Mas aqui há um paradoxo, que passou despercebido por muitos comentaristas. Muitos justificam dizendo que o motivo pelo qual foi escolhido este evangelho seria porque manifesta em modo exuberante a dimensão humana de Cristo. Na realidade não é assim. O Evangelho de Mateus tem como objetivo mostrar que Jesus é o Messias esperado, o Filho de Deus. Porém, mesmo tendo declarado repetidamente a sua intenção de não tocar ou acrescentar nada ao texto simples de Mateus, Pasolini corta claramente as partes que mostram a divindade de Cristo .

IHU On-Line – Como foi a preparação de Pasolini para rodar O Evangelho segundo São Mateus?

Massimo Pampaloni – Toda a história já foi bem explicada em outros lugares [26]. Limito-me a chamar a atenção para algumas coisas. No dia 4 de outubro de 1962, Pasolini se hospedou no Pro Civitate Christiana, fundada em Assis em 1939, por um padre da diocese de Milão, Don Giovanni Rossi. O trabalho apostólico desta organização destacou-se significativamente, sobretudo no pós-Vaticano II [27], como um lugar de paz e evangelização no espírito do Concílio [28]. Foi durante a sua estadia em Assis, na ocasião visitada por João XXIII [29], por ocasião da abertura do Concílio Vaticano II, que Pasolini teve a ideia de fazer um filme a partir do Evangelho de Mateus, porque tinha lido uma cópia deste evangelho no quarto onde estava hospedado. O clima daqueles dias girava em torno de dois polos: o famoso discurso do secretário do Partido Comunista Italiano, e membro influente do Comitê Soviético Central, Palmiro Togliatti [30], realizado em 20 de março de 1963 sobre a abertura para o mundo católico; e a Pacem in Terris [31], do Papa João XXIII, de 11 de abril de 1963. O roteiro do filme, que terminou em 8 de maio de 1963, foi influenciado por esta atmosfera [32]. Lembremos que após a morte do Papa em junho do mesmo ano, Pasolini dedicou o Evangelho segundo Mateus à “querida, feliz, memória familiar de João XXIII”.

Quando João XXIII morreu, Pasolini estava na Palestina para fazer algumas inspeções, que deram origem ao documentário Inspeções na Palestina para o Evangelho de Mateus. De certa forma desapontado, porque não tinha encontrado a atmosfera que queria, ele passou a buscar o lugar ideal em Matera (onde filmou nas famosas “pedras”, ou seja, casas rupestres, assim como fez Mel Gibson para The Passion), Massafra, o Etna…: tudo foi filmado no Sul da Itália; bem como para a escolha do elenco, Pasolini foi levado pelo desejo de ter rostos que não lembravam atores profissionais, sobretudo para a figura de Cristo. Foi escolhido Enrique Irazoqui [33], que na época era um sindicalista catalão de menos de vinte anos. Para o papel de Nossa Senhora já idosa, tomou uma decisão que acabou famosa, quando escolheu sua própria mãe, Susanna.

Assim, a busca de lugares onde filmar e a escolha do elenco mais uma vez giram em torno do homem. Em sua viagem para a Palestina foi dito que “[Pasolini não estava interessado] nas formas arquitetônicas das cidades da Palestina (“pré-cristã e todas um pouco fúnebres”), queria sobretudo ir ao encontro dos homens, do cheiro e da cor das estradas, sentir a poeira e do ar daqueles lugares um pouco ‘perdidos no tempo….” [34]. Inclusive o rosto “verdadeiro” dos protagonistas fazem parte dessa busca inquieta e febril da profunda humanidade que via desaparecer lentamente, substituída pela vulgaridade e pela violência da mudança antropológica em andamento, em nome de uma forma sutil, mas igualmente horrível, de controle totalitário em nome de um hedonismo de massa.

IHU On-Line – Pasolini teve uma espécie de consultor para produzir O Evangelho segundo São Mateus? O que o senhor sabe sobre essa história de bastidor acerca do filme?

Massimo Pampaloni – Houve várias partes interessadas. Algumas são conhecidas. Por exemplo, o padre Giovanni Rossi era um daqueles que, de alguma forma, apoiaram Pasolini para o filme. Houve, então, a figura de Pe. Andrea Carraro, um biblista ligado ao Pro Civitate Christiana [35] que o acompanhou na viagem à Palestina, de que já falamos. Mas, surpreendentemente, menos conhecida é a contribuição de meu professor de linguagem cinematográfica, já mencionado várias vezes, Nazareno Taddei [36]. Eu gostaria de oferecer aos leitores da IHU On-line algumas informações não muito conhecidas.

Em 1962, o padre Taddei já era conhecido no campo da comunicação de massa e da leitura de filmes. Graças a ele a televisão estatal italiana, RAI, ganhou dois prêmios internacionais de melhor documentário em 1958 e 1959. Pe. Giovanni Rossi enviou-lhe uma pré-visualização, por intermédio do padre jesuíta Favaro, do roteiro do filme, para que fizesse uma avaliação. No arquivo Taddei ainda se conserva a resposta do padre Nazareno: “Muito boa como sugestão de tradução cinematográfica inspirada no evangelho. Mas é apenas uma sugestão: ainda existem muitos elementos faltantes para a redação de um roteiro que possam dar uma ideia de como será o resultado das imagens sugeridas. Além disso, a partir de uma única sequência, não podemos ver como todo o trabalho estará sob o perfil rítmico e de composição do todo”. Como é possível ver, Taddei não podia dizer nada sobre o roteiro, exceto que as condições iniciais pareciam ser boas. Taddei foi convidado para a pré-visualização do filme, que teve lugar precisamente na sede da Pro Civitate Christiana em Assis. E aqui está um detalhe que poucos sabem. Na pré-visualização, o filme não mostrava o episódio do Primado de Pedro. Além disso, após a projeção, Taddei, que ainda não havia conhecido Pasolini em pessoa, o viu descer sozinho para o bar do edifício. Sem usar de muita gentileza, Taddei disse então a Pasolini:

“Você acredita em Cristo?”
Pasolini disse: “O que você quer dizer?”
“Em Cristo como realidade histórica e como filho de Deus.”
“Não”, respondeu Pasolini.
“Está muito claro no filme”, disse o padre Taddei.
“O que quer dizer?” – respondeu Pasolini – “é o primeiro católico que me diz isso.”
“Você tocou os aspectos humanos de Cristo, do nascimento e a primeira parte geral até ….”
“… a chamada dos Apóstolos”, completou Pasolini.
“Sim, e também a morte. Mas o resto, onde Cristo se destaca dos assuntos puramente humanos e entra em uma dimensão transcendente, você de certo modo foi respeitoso, mas o entendeu como se fosse uma fábula, como uma lenda.”
“Eu não acredito em Cristo… não acredito em Cristo… bom, também não é exato. Aos poucos, conforme filmava eu senti a força deste grande personagem.”
“Que para você nem sequer existiu.”
“Mas eu não sei, e não me importo”
“Lenda, precisamente”
“Poesia!”
“Certo, poesia! Tudo bem! Mas o discurso foi sobre a história.”
“Mas eu respeitei a história”
“A história de quem? Do Cristo, o Filho de Deus? Por que, então, nas tentações você colocou aqueles dois enquadramentos longos após a partida do diabo e não após a última resposta de Cristo?”
“Mas eu não acredito que Cristo era o Senhor do mundo: ele foi tentado pelo diabo e é pronto, só isso”
“Então é lenda” [37].

Taddei apontou, então, que faltava o Primado de Pedro e outros elementos. Pasolini respondeu que ele o tinha filmado, mas não tinha ficado satisfeito. Desde esse dia uma amizade nasceu, intensa e frutuosa, com Taddei, até a morte de Pasolini. Taddei disse que quando ele foi alugar pela primeira vez o Evangelho segundo Mateus em 16 mm, para o seu curso, ele percebeu que Pasolini tinha cortado as duas cenas em longo alcance e tinha inserido a cena do Primado de Pedro [38].

Taddei frequentemente convidava Pasolini em seus cursos, outras vezes, quando Pasolini sabia que Taddei faria uma leitura de um de seus filmes, muitas vezes aparecia na plateia. Taddei sempre era convidado por Pasolini para a pré-visualização de seus filmes.

Termino com uma outra memória de Pasolini contada por padre Taddei. “Quando telefono para ele, do outro lado do fio se escuta o ambiente familiar; quase sempre atende ao telefone a mãe, ou a sobrinha que vive com eles desde que ela era criança. Telefonei no dia de Natal: Pasolini estava lá com sua mãe. Ora, um homem com a fama de Pasolini, que passa a vida entre trabalho e casa, acho que aí estão presentes algumas características humanas dignas de consideração” [39].

Notas:

[1] Andrei Tarkovsky (1932-1986): cineasta russo, considerado um dos mais importantes do cinema soviético. Seu cinema apresentava um caráter introspectivo e complexo no qual as questões humanas eram sempre colocadas em primeiro plano. Entre seus filmes, destacamos Stalker (1979) e Nostalgia (1983). Sobre Tarkovski, confira a edição 26 do Cadernos Teologia Pública, intitulado Um olhar teopoético: teologia e cinema em O Sacrifício, de Andrei Tarkovski, de autoria de Joe Marçal Gonçalves dos Santos. (Nota da IHU On-Line)

[2] Federico Fellini (1920-1993): um dos mais importantes cineastas italianos. Ficou eternizado pela poesia de seus filmes, que, mesmo quando faziam sérias críticas à sociedade, não deixavam a magia do cinema desaparecer. Geralmente fazia críticas ao totalitarismo, marxismo e à Igreja. Uma de suas obras mais conhecidas é La dolce vitta. (Nota da IHU On-Line)

[3] Nazareno Taddei (1920-2006): padre jesuíta, comunicólogo e docente universitário, diretor de cinema e de programas de televisão. Os primeiros reconhecimentos da RAI – a televisão de Estado italiana – foram ganhos com seus programas e filmes. Também atuou como músico e compositor. Foi amigo pessoal de diretores famosos italianos como Federico Fellini e Ermanno Olmi. (Nota da IHU On-Line)

[4] Em fevereiro de 1945, enquanto a guerra estava prestes a terminar, e os nazi-fascistas já estavam em retirada, mas ainda no território, a região de Pasolini, o Friuli, era cobiçada pelos comunistas do Marechal Tito (1892-1980), que queria que ela fosse ocupada por partidários comunistas para anexá-la no fim da guerra. Para evitar que isso acontecesse, também estava presente a Brigada Osoppo, formada por partidários democráticos moderados, não comunistas. Em fevereiro de 1945, com um engano, 22 partidários da Brigada Osoppo foram massacrados pela Brigada Garibaldi-Natisone. Os comunistas tentaram culpar os nazistas, mas um da Brigada Osoppo sobreviveu e contou a verdade. O irmão de Pasolini, Guido, era um dos 22. Sobre o fato, cfr. A. Lenoci, Porzus. La Resistenza tradita, Bari, 1998. Também é interessante a última carta que Guido escreveu ao irmão Pier Paolo, em que, justamente, descrevia as manobras dos comunistas iugoslavos e italianos, e, por outro lado, a intenção da Brigada Osoppo “de combater pela bandeira italiana e não pelo ‘pano’ russo”, Lettera di Guidalberto Pasolini (Ermes) al fratello Pier Paolo, scritta in data 27-11-1944 da Porzûs (Attimis, Udine), do Fundo Pasolini (P.P.P. I.608.2), p. 6, conservada no Archivio contemporaneo A. Bonsanti, Gabinetto G.P. Viesseux, Firenze, versão fotográfica aqui. [último acesso: 04/05/2017]. (Nota do entrevistado)

[5] “Os meus companheiros comunistas fariam bem, creio eu, em aceitar a responsabilidade, a se preparar para pagar a pena, já que esse é o único modo para apagar aquela mancha vermelha de sangue que é bem visível no vermelho da sua bandeira”, cit. in P. P. PASOLINI, Un paese di temporali e primule, editado por N. Naldini, Parma: Guanda, 1993, p. 183. (Nota do entrevistado)

[6] Cfr. F. GIOVANNINI, Comunisti e diversi: il PCI e la questione omosessuale, Bari: Dedalo, 1980, p. 56. Para uma releitura recente do caso, cfr. A. TONELLI, Per indegnità morale. Il caso Pasolini nell’Italia del buon costume, Bari: Laterza, 2015. (Nota do entrevistado)

[7] Carta a Ferdinando Mautino de 31 de outubro de 1949, cit. in F. GIOVANNINI, Comunisti e diversi…, cit., p. 57. (Nota do entrevistado)

[8] P. P. PASOLINI, “7 gennaio 1973. Il ‘Discorso’ dei capelli”, in ID., Scritti corsari, Milano: Garzanti, 1992 (orig. 1975), pp. 5-11, aqui: p. 9. (Nota do entrevistado)

[9] N. TADDEI et. AA.VV., Fede e non credenza nel cinema contemporaneo, Roma, CSCS, 1969, cito da versão eletrônica, sem indicação de páginas, gentilmente disponibilizadas pela Sra. G. Grasselli, durante anos secretária e assídua colaboradora de Nazareno Taddei e hoje presidente do CiSCS, o centro de estudos fundador por Taddei. (Nota do entrevistado)

[10] David Maria Turoldo (1916 – 1992): padre, teólogo, filósofo, escritor e poeta italiano, membro da Ordem dos Servos de Maria. Não era apenas um poeta, figura profética na eclesial e forte defensor civil de instâncias de renovação cultural e religioso, destaque para sua inspiração para reconciliação. Ele é considerado por alguns um dos representantes mais importantes de uma mudança de catolicismo na segunda metade do 900 , o que lhe valeu o título de ‘consciência pesada da Igreja’. (Nota da IHU On-Line)

[11] “[…] Pasolini continua sendo comunista, continua sendo um companheiro, ainda crê naquela direção; ele tem uma visão muito mais realista e livre do que todos os outros intelectuais. Pasolini nunca teria se vendido a esses agrupamentos políticos nascidos depois, que são de um pobreza, de uma miséria e de um pragmatismo únicos. É verdade que ele também sentia o desmoronamento das ideologias, mas nunca teria acabado no pragmatismo; muito menos nesse pragmatismo, agora até socialista e religioso. Apenas para te dizer em que quadro eu inseriria esses problemas e em que vastidão se deveria reler tudo o que aconteceu e que está acontecendo”, in D. M. TUROLDO, Pasolini, poeta inquieto, solo e innocente. Il ricordo di David Maria Turoldo, no site do Centro de Estudos Pier Paolo Pasolini de Casarsa della Delizia, aqui [último acesso: 04/05/2017]. (Nota do entrevistado)

[12] In D. M. TUROLDO, Pasolini, poeta inquieto, solo e innocente. Il ricordo di David Maria Turoldo, no site do Centro de Estudos Pier Paolo Pasolini de Casarsa della Delizia, aqui. [último acesso: 04/05/2017]. (Nota do entrevistado)

[13] N. TADDEI, “Pasolini. La nostalgia del sacro”. Seminário de estudos – Cittadella Cristiana, Assis, 9-13/1988, in EDAV, nn. 158-159, abril-maio 1988, pp. 16-23, aqui: p. 22. (Nota do entrevistado)

[14] In D. M. TUROLDO, Pasolini, poeta inquieto, solo e innocente. Il ricordo di David Maria Turoldo, no site do Centro de Estudos Pier Paolo Pasolini de Casarsa della Delizia, aqui. [último acesso: 04/05/2017]. (Nota do entrevistado)

[15] Ernst Ingmar Bergman (1918-2007): dramaturgo e cineasta sueco. Estudou na Universidade de Estocolmo, onde se interessou por teatro e, mais tarde, por cinema. Iniciou a carreira em 1941, escrevendo a peça teatral “Morte de Kasper”. Em 1944, desenvolveu o primeiro argumento para o filme “Hets”. Realizou o primeiro filme em 1945, “Kris”. Seus trabalhos lidam geralmente com questões existenciais, como a mortalidade, a solidão e a fé. Sobre o cineasta, confira a entrevista com Andreia Vasconcellos, intitulada Bergman e o contínuo turbilhão contraditório da dúvida existencial, publicada na revista IHU On-Line número 412, de 18-12-2012, disponível aqui. (Nota da IHU On-Line)

[16] N. TADDEI, “Pasolini. La nostalgia del sacro”. Seminário de estudos – Cittadella Cristiana, Assis, 9-13/1988, in EDAV, nn. 158-159, abril-maio 1988, pp. 16-23, aqui: p. 22. (Nota do entrevistado)

[17] Eu também, como o meu mestre Taddei, hesito em chamá-lo de obra-prima, porque, como muitos diretores, aliás, Pasolini, embora seja excepcional nas cenas individuais, não leva em consideração o fato da diferença fundamental entre a estrutura de uma obra literária e a de uma obra cinematográfica. Mas se trata sempre de uma “fineza” dentro de um filme que, contudo, continua sendo magnífico. (Nota do entrevistado)

[18] Carta de Pasolini ao Dr. Lucio Caruso, fevereiro de 1963, citada em “Compie 50 anni il Vangelo secondo Matteo di Pier Paolo Pasolini”, in EDAV, n. 422, set. 2014, pp. 3-8, aqui: p. 3. (Nota do entrevistado)

[19] Cfr. N. TADDEI, “Il Vangelo secondo Matteo di Pier Paolo Pasolini”, in EDAV, n. 276, jan. 2000, pp. 6-18, aqui: p. 6. (Nota do entrevistado)

[20] N. TADDEI, “Pasolini. La nostalgia del sacro”. Seminário de estudos – Cittadella Cristiana, Assis, 9-13/1988, in EDAV, nn. 158-159, abr.-mai. 1988, pp. 16-23, aqui: p. 20. (Nota do entrevistado)

[21] N. TADDEI, “Il Vangelo secondo Matteo di Pier Paolo Pasolini”, in EDAV, n. 276, jan. 2000, pp. 6-18, aqui: p. 10. (Nota do entrevistado)

[22] Martin Scorsese (1942): cineasta, ator, produtor e roteirista norte-americano. De sua filmografia, destacamos A Última Tentação de Cristo e A ilha do medo. Martin Scorsese também é diretor do filme Silêncio (2016). O IHU publicou uma série de textos debatendo o filme. Entre eles Todos os sons do silêncio de Deus. Artigo de Roberto Esposito; e Em ‘Silêncio’, de Scorsese, questão linguística se esvai, O comentário é de Inácio Araujo, crítico de cinema, publicado por Folha de S. Paulo . Veja outros textos aqui. Há, ainda, um Medium produzido pelo IHU sobre o filme. (Nota da IHU On-Line)

[23] Níkos Kazantzákis (1883 —1957): foi um escritor, poeta e pensador grego. Comumente considerado o mais importante escritor e filósofo grego do século XX, tornou-se mundialmente conhecido depois que, em 1964, Michael Cacoyannis realizou o filme Zorba, o Grego baseado em seu romance homônimo (em grego: Βίος και Πολιτεία του Αλέξη Ζορμπά). É também o autor grego contemporâneo mais traduzido. (Nota da IHU On-Line)

[24] Mel Gibson (1956): ator, diretor de cinema, produtor cinematográfico e roteirista nascido nos Estados Unidos e naturalizado australiano. No início de sua carreira, recebeu elogios de críticos e comparações com estrelas do cinema clássico. Estrelou filmes de ação, como as séries Mad Max e Máquina mortífera, mas ampliou sua atuação para papéis como Hamlet e comédias. Como diretor e produtor, é responsável por títulos como Coração valente (1995), O Patriota (2000), A paixão de Cristo (2004) e Apocalypto (2006). Durante dez anos, foi considerado “persona non grata” em Hollywood por conta de comentários antissemitas, por dirigir bêbado e ainda em decorrência de outros escândalos de racismo e violência doméstica. Depois dessas confusões, participou de fracassos como O fim da escuridão (2010), Um novo despertar (2011) e Plano de fuga” (2012). Voltou a dirigir com Até o último homem (2016). (Nota da IHU On-Line)

[25] Para os exemplos, pode-se ver o que está escrito em N. TADDEI, “Il Vangelo secondo Matteo di Pier Paolo Pasolini”, in EDAV, n. 276, jan. 2000, pp. 6-18, aqui: p. 6.(Nota do entrevistado)

[26] Cfr. G. GAMBETTI, (org.), Il Vangelo ssecondo matteo, Milano: Garzanti, 1964. Recentemente R. CHIESI, (ed.), Cristo mi chiama ma senza luce. Pier Paolo Pasolini e il Vangelo secondo Matteo, Recco: Le Mani Editore, 2015. (Nota do entrevistado)

[27] Concílio Vaticano II: convocado no dia 11-11-1962 pelo papa João XXIII. Ocorreram quatro sessões, uma em cada ano. Seu encerramento deu-se a 8-12-1965, pelo papa Paulo VI. A revisão proposta por este Concílio estava centrada na visão da Igreja como uma congregação de fé, substituindo a concepção hierárquica do Concílio anterior, que declarara a infalibilidade papal. As transformações que introduziu foram no sentido da democratização dos ritos, como a missa rezada em vernáculo, aproximando a Igreja dos fiéis dos diferentes países. Este Concílio encontrou resistência dos setores conservadores da Igreja, defensores da hierarquia e do dogma estrito, e seus frutos foram, aos poucos, esvaziados, retornando a Igreja à estrutura rígida preconizada pelo Concílio Vaticano I. A revista do Instituto Humanitas Unisinos – IHU, publicou na edição 297 o tema de capa Karl Rahner e a ruptura do Vaticano II, de 15-6-2009, bem como a edição 401, de 3-9-2012, intitulada Concílio Vaticano II. 50 anos depois, e a edição 425, de 1-7-2013, intitulada O Concílio Vaticano II como evento dialógico. Um olhar a partir de Mikhail Bakhtin e seu Círculo. Em 2015, o Instituto Humanitas Unisinos – IHU promoveu o colóquio O Concílio Vaticano II: 50 anos depois. A Igreja no contexto das transformações tecnocientíficas e socioculturais da contemporaneidade. As repercussões do evento podem ser conferidas na IHU On-Line 466, de 1-6-2015. (Nota da IHU On-Line)

[28] Cfr. T. SUBINI, La necessità di morire. Il cinema di Pier Paolo Pasolini e il sacro, Roma: EdS, 2008, 50-52. (Nota do entrevistado)

[29] Papa João XXIII (1881-1963): nascido Angelo Giuseppe Roncalli. Foi Papa de 28-10-1958 até a data da sua morte. Considerado um papa de transição, depois do longo pontificado de Pio XII, convocou o Concílio Vaticano II. Conhecido como o “Papa Bom”, João XXIII foi canonizado em 2013 pelo Papa Francisco. (Nota da IHU On-Line)

[30] Palmiro Togliatti (1893-1964): político e dirigente do Partido Comunista da Itália. Usou o pseudônimo de Ercole Ercoli e Maria Correnti. Membro do Partido Socialista Italiano, fez parte do grupo dell’ “Ordine Nuevo” e foi um dos fundadores do Partido Comunista Italiano. Em 1921 foi eleito para o Comitê Central do Partido, e em 1924, entrou para o Comitê Executivo da Internacional Comunista, da qual foi Secretário entre 1937 e 1939, na Espanha, durante a Guerra Civil. Em 1944, Togliatti retornou à Itália, e foi eleito Secretário Geral do Partido Comunista. (Nota da IHU On-Line)

[31] Pacem in terris: Carta encíclica do Papa João XXIII a todos os homens e mulheres de boa- vontade, com uma mensagem de esperança. A Pacem in Terris enuncia quatro critérios para uma sociedade em paz: verdade, justiça, amor e liberdade. Trata-se de quatro valores tão essenciais que constituem não somente os sinais que nos permitem reconhecer uma sociedade realizada, mas também os quatro princípios que sustêm o edifício da paz. A revista IHU On-Line já abordou esse tema na edição número 53, datada de 31 de março de 2003, com o título 40 anos depois: Pacem in terris. (Nota da IHU On-Line)

[32] Cfr. T. SUBINI, “Introduzione”, in Tre studi su “Il vangelo secondo Matteo” di Pier Paolo Pasolini, editado por T. Subini, Milano: Raffaello Cortina Editore, 2010, pp. IX-XXI, aqui: p. XII. (NOTA DO ENTREVISTADO)

[33] Enrique Irazoqui (1944 ): é um ator e acadêmico espanhol. É conhecido do público por seu papel como Jesus Cristo no filme O Evangelho Segundo Mateus de Pier Paolo Pasolini. (Nota da IHU On-Line)

[34] P. SPILA, Pier Paolo Pasolini, Roma: Gremese, 1999, p. 45. (Nota do entrevistado)

[35] Cfr. “Viaggio in Palestina (1963). I ‘Sopralluoghi’ per un ‘Vangelo’ da farsi”, no site do Centro de Estudos Pier Paolo Pasolini de Casarsa della Delizia aqui [último acesso: 04/05/2017]. (Nota do entrevistado)

[36] Tomo a liberdade de remeter – para um recente perfil dele por ocasião dos 10 anos da morte – a M. PAMPALONI, “Nazareno Taddei: un pioniere della comunicazione”, La Civiltà Cattolica, IV (2016), pp. 492-501. (Nota do entrevistado)

[37] Relatado em N. TADDEI, “Il Vangelo secondo Matteo di Pier Paolo Pasolini”, in EDAV, n. 276, jan. 2000, pp. 6-18, aqui: p. 6. (Nota do entrevistado)

[38] Relatado em N. TADDEI, “Il Vangelo secondo Matteo di Pier Paolo Pasolini”, in EDAV, n. 276, jan. 2000, pp. 6-18, aqui: p. 6-7. (Nota do entrevistado)

[39] Relatado in N. TADDEI, “Pasolini. La nostalgia del sacro”. Seminário de estudos – Cittadella Cristiana, Assis, 9-13/1988, in EDAV, nn. 158-159, abr.-mai. 1988, pp. 16-23, aqui: p. 18. (Nota do entrevistado)

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