Militares de Pinochet, os torturadores chilenos convidam Bolsonaro para visitá-los na prisão

Wagner Fernandes de Azevedo | 22/03/2019 – 

Foto: Chile, ditadura militar /wikicommons
A ditadura chilena de Augusto Pinochet foi a mais expressiva aliança do liberalismo com o autoritarismo no continente latino-americano. Calcula-se, em relatório divulgado em 2011, que desde o golpe militar em 1973 até 1991 foram mais de 40 mil mortos, desaparecidos ou torturados pelo governo.

Um dos notáveis admiradores da ditadura é Jair Bolsonaro, que chegou ao país na quinta-feira, 21-03. A complacência com a violência foi reconhecida pelos seus agentes. Militares condenados por violação dos direitos humanos enviaram uma carta convidando o presidente brasileiro para visitá-los no cárcere.
Jair Bolsonaro nunca escondeu sua admiração pela ditadura sangrenta que Pinochet dirigiu no Chile. Ainda em 1998, quando deputado, o capitão reformado declarou em entrevista à Veja que “Pinochet deveria ter matado mais gente”.

Em outra entrevista, em 2015, para o apresentador João Kleber, na Rede TV, defendeu o ditador, afirmando “que ele fez o que deveria ter sido feito”.

Para além disso, em 2006, manifestou solidariedade a Augusto Pinochet Molina, pelo seu afastamento do exército, devido a um pronunciamento no velório do seu avô, o ex-presidente.

“Minha solidariedade e admiração por sua dignidade ao não se curvar às mentiras da esquerda e honrar o nome do avô […] o elevado índice de desenvolvimento humano ora desfrutado pelos irmãos chilenos em muito se deve às ações desenvolvidas no governo do saudoso general Pinochet,

escreveu em um telegrama, que o ministério das Relações Exteriores do Brasil não entregou.

Tamanha admiração já havia sido reconhecida quando

No final de 2018,

Na tarde de quinta-feira,

  • o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, em entrevista à Gaúcha ZH
  • reforçou a necessidade de aplicar no Brasil as mesmas bases macroeconômicas de Pinochet,
  • porém destacando que a violência na época foi um fator necessário.

“No período de Pinochet, o Chile teve de dar um banho de sangue. Triste, o sangue lavou as ruas do Chile, mas as bases macroeconômicas fixadas naquele governo… já passaram oito governos de esquerda e nenhum mexeu nas bases macroeconômicas colocadas no Chile no governo Pinochet”, afirmou o ministro.

Chegada a vez de Jair Bolsonaro viajar ao país, que como um presente de aniversário a si próprio, como quem faz ode à ditadura, como adolescentes fazem à Disney, aterrissou na quinta-feira, 21-03, em Santiago.


Jair Bolsonaro chegou quinta-feira, 21-03, ao Chile. Foto: Marcos Corrêa | Presidência da República

A visita trouxe expectativa na prisão de Punta Peuco, onde militares do regime Pinochet estão presos por violação de direitos humanos.

Segundo a agência CNN Chile, o advogado Raúl Meza Rodríguez ficou encarregado de entregar a Bolsonaro uma carta escrita à mão pelos seus clientes detentos.

Na carta, os militares pedem que seja feita uma visita para que o colega militar brasileiro conheça a condição em que se encontram. De acordo com a CNN Chile, a carta faz referência às saudações de Bolsonaro ao regime pinochetista.

Punta Peuco é uma prisão para ex-militares condenados pelos crimes contra a humanidade, porém contestada pelas suas instalações “luxuosas” para um prédio carcerário. Entre os detentos estão cúmplices do regime, torturadores e assassinos do Estado. Mais de 100 militares já foram condenados e presos.

Entretanto, a contemplação pela visita não foi unânime. Líderes da oposição,

  • como o presidente da Câmara dos Deputados Iván Flores
  • e a mesa-diretora do Senado liderada por Jaime Quintana e Alfonso de Urresti,
  • anunciaram que não participarão do almoço agendado pelo presidente Sebastián Piñera.

Outros sete deputados da oposição

  • apresentaram um projeto de resolução que pede a Piñera
  • que declare Jair Bolsonaro como “persona non-grata” no Chile.

O texto menciona que o projeto se fundamenta

  • “na defesa da democracia,
  • dos direitos humanos,
  • do direitos das mulheres,
  • da comunidade LGBTI
  • e dos povos originários […]

pois nos parece preocupante a visita de um presidente

  • que defenda a proliferação dos discursos de ódio
  • e que avalize as violações de direitos humanos”.

 

Wagner Fernandes de Azevedo

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